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Do título da África do Sul à premiação dos melhores do ano: o último capítulo da Copa do Mundo de rugby

A FINAL

Antes de a bola subir para a grande final, a Inglaterra era a favorita, jogava um rugby consistente baseado no conceito pragmático clássico inglês, formações de scrum e lateral muito confiáveis, jogo de break down veloz, chutes táticos, contra-ataques e defesa sólida. E na semifinal engoliu os poderosos All Blacks com um jogo de mão encantador e vistoso, enfim, estava pronta.

Antes de a bola subir para a grande final, a África do Sul não era a favorita, jogava um rugby defensivo, baseado no conceito sul-africano clássico, formação de scrum e lateral poderosos, potência no jogo de break down, chutes táticos, defesa organizada e muito potente. Não enchia os olhos, nem mesmo na semifinal quando venceu por apenas 3 pontos País de Gales. Enfim, faltava algo.

Quando a bola subiu para a Grande Final no Japão a história se inverteu. Foram os Springboks que saíram para cima dos ingleses, utilizando uma transição rapidíssima com de Klerk e Pollard, que, além de armarem as jogadas, também criavam e improvisavam. No pack de forwards dominou os scrums e laterais, a potência falou mais alto no jogo de break down, no jogo de chutes foi superior e, quando precisou de seu banco de reservas (Bomb Squad como ficou conhecido), manteve o nível.

Os ingleses, por sua vez, não se encontraram em campo. O meio de campo com Youngs e Ford, um dos pontos altos na campanha, sumiu, no pack de forwards foram dominados nos scrums e laterais, no break down se manteve sólida, mas no jogo de chutes, especialidade do English Team, as coisas complicaram de vez, e seu banco de reservas - especialmente na primeira linha - naufragou.

Eram dois campeões mundiais em campo, qualquer um poderia ter vencido. Entretanto, a postura dos Boks na final foi a de quem queria mais o título. Nunca saberemos se os ingleses não foram bem ou não conseguiram ir bem – acredito na segunda hipótese: mesmo sem sucesso, tentaram de todas as formas reverter a situação da partida através de mudança de posições, alterando o plano tático o mais rápido possível, correndo muito para cobrir espaços. Enfim, a Inglaterra fez tudo e um pouco mais, só que os Springboks foram melhores em todos os sentidos e a vitória foi mais que justa.

O placar final de 32 a 12 ficou pesado demais, não era para tanto, mas, de forma geral, as duas seleções honraram a final e o Rugby teve mais um dia de glória.

A PREMIAÇÃO

Um dia após a grande final foi realizada a cerimônia de entrega dos melhores do ano pela World Rugby. Como normalmente acontece, esse evento fecha a programação da Copa do Mundo de Rugby. Ficou assim:

Melhor treinador: Rassie Erasmus (África do Sul) Melhor seleção: Springboks (África do Sul) Melhor jogador: Peter Steph du Toit (África do Sul) Melhor jogadora: Emily Scarratt (Inglaterra) Melhor árbitro: Wayne Barnes (Inglaterra) Revelação: Romain Ntamack (França) Try mais bonito de 2019: TJ Perenara (All Blacks)

Assim terminou mais uma grande Copa do Mundo de Rugby, em que novamente a ESPN dedicou total cobertura em todos os 48 jogos ao vivo, provando que é uma das maiores incentivadoras do esporte dentro do Brasil, acreditando na força do Rugby e da modalidade do Brasil. Que venha a Copa da França em 2023. Obrigado a todos pela companhia nesta grandiosa jornada.