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Rugby: Por que a Inglaterra é favorita contra a África do Sul na final da Copa do Mundo

As semifinais da Copa do Mundo do Japão tiveram um pouco de tudo: haka confrontada pelos ingleses, um jogo de confronto físico entre País de Gales e Boks, uma Inglaterra atropelando de forma inusitada a Nova Zelândia e, no fim, apenas dois seguem rumo ao título. Vamos ao resumo dos jogos das semifinais e a prognóstico para a decisão.

AS SEMIFINAIS

Inglaterra 19 x 7 Nova Zelândia. Sem dúvida alguma, esse jogo entra para a história das Copas do Mundo de qualquer esporte como uma das mais retumbantes e inacreditáveis partidas de todos os tempos. A Inglaterra jogou um rugby absoluto, pós-moderno, confrontou o rugby total genial dos All Blacks e demonstrou que uma nova era tática surge no horizonte do rugby, em que:

- um pilar (Sincler) joga como scrunhalf;
- um segunda linha (Itoje) joga como segunda/terceira/hooker ao mesmo tempo;
- a distribuição de jogo feita por dois aberturas (Ford e Farrell) cria uma terceira linha de ataque vindo de trás com os pontas;
- os dois asas (Curry e Underhill) entram no contato junto com o tackleador tornando o jogo rápido adversário impossível, sem descuidar da potência no drive (Vunipolas e Tuialigi).

Ao mesmo tempo, ataca sem a bola, não se preocupando com dar espaço na ponta. Aliás, o espaço é dado de propósito porque, quando o adversário recebe o passe, três ou até quatro jogadores eliminam sua ação e o colocam para fora ou recuperam a posse de bola. simplesmente genial e irresistível.

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Aos All Blacks, todos os méritos por estes anos de glórias, conquistas e plasticidade, mas a Inglaterra provou que pode ser o novo centro de combinações táticas e técnicas que o mundo vai reverenciar a partir desta partida.

África do Sul 19 x 16 País de Gales. Uma das maiores batalhas físicas que lembro em Copas do Mundo, um choque de gigantes, tanto de camisas quanto de atletas fortíssimos entrando no corpo a corpo o jogo inteiro. Incansavelmente. Os últimos 10 minutos exigiram, além das forças físicas, a força de elenco e principalmente mental.

O fato é que qualquer uma das duas seleções poderia ter levado, mas os deuses do rugby decidiram pela África do Sul, uma inacreditável máquina de tacklear e confrontar fisicamente os adversários. Joga o rugby raiz, todos sabem como funciona, confronto na base, retomada de posses de bola, chutes às dezenas e defesa contundente. Mas porque ninguém para se todos sabem disso? Simplesmente porque não tem seleção fisicamente mais forte no mundo que eles, um batalhão de jogadores tecnicamente brilhantes, com um tamanho descomunal, esse é o rugby dos Boks que encanta há mais de 100 anos. Parabéns para Gales, que jogou de igual e podia ter vencido, mas os Boks são os Boks, e chegam mais uma vez.

A FINAL

Inglaterra e África do Sul fazem pela segunda vez a final da Copa do Mundo de rugby. Em 2007 a situação era exatamente a oposta: os Boks voavam e chegaram como favoritos, a Inglaterra, com alguns problemas, conseguiu chegar, e o jogo foi de lascar, pesado, agressivo, disputado em centímetros, com chutadores como Wilkinson, Montgomery e Steyn (que estará também nesta final). O try não confirmado de Mark Cueto até hoje provoca polêmicas, enfim, uma final de duas seleções gigantes e que honraram aquela Copa do Mundo.

Agora em 2019, a situação, além de inversa, demonstra um desequilíbrio inesperado a favor da Inglaterra. E aqui não contém nenhum desrespeito aos Boks, é que ignorar a semifinal inglesa seria ignorar um novo conceito de rugby (acima descrito). Ao mesmo tempo, na outra semifinal os Boks comprovaram num estilo mais clássico, que tem time e elenco para reverter qualquer quadro adverso. É uma máquina de colecionar resultados, vide o título deste ano no Rugby Championship.

Calculo em 55% para a Inglaterra e 45% para os Boks em termos de favoritismo e, confesso, muito se deve ao fato de ser uma final de Copa do Mundo com dois gigantes se confrontando. Fosse um jogo Test Match comum, apontaria 80/20 para o English Team. Ser uma final mexe com todos os participantes, da plateia aos árbitros, passando pela imprensa, treinadores, jogadores e tudo que envolve evento de tal magnitude.

A certeza que mais uma vez o rugby será honrado com uma final justa de dois dos maiores expoentes do esporte. Se a Inglaterra vencer, será sua segunda conquista e se juntará a Austrália e à própria África do Sul; se os Boks vencerem, vão para seu terceiro título mundial, se juntando a Nova Zelândia. Vale ressaltar que os Boks só começaram a disputar Copas do Mundo em 1995, o que significa que tem tantos títulos quanto os All Blacks e que podem agora ultrapassar os arquirrivais.

Velhas histórias e grandes discussões, mas sempre rugby.

Programação Final da Copa do Mundo de rugby

Sábado (2/11) – 5h45, ESPN e WatchESPN