Os jogos das seleções masculina e feminina de vôlei do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio têm chamado a atenção do público não só pelo alto nível de jogo apresentado, mas também pela trilha sonora.
Durante as partidas, as redes sociais ficam cheias de elogio ao "DJ do vôlei", que sempre acerta as músicas que tem que tocar a cada ponto. Não importa o jogador que o faça ou que esteja para sacar, o DJ parece sempre acertar na trilha sonora. Mas quem é e como ele faz para ser tão preciso?
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Michael Staribacher, natural de Viena, na Áustria, é conhecido como DJ Stari e está no ramo de eventos esportivos há mais de 20 anos. O austríaco começou no vôlei de praia e, ao longo do tempo, foi migrando para as quadras. Agora, está em sua quarta Olimpíada: Atenas-2004, Pequim-2008, Rio-2016 e Tóquio-2020.
Se engana quem pensa que o trabalho de DJ Stari é simples. O músico passou "dias, semanas e meses" pesquisando cada jogador que iria participar dos Jogos Olímpicos.
"Isso foi meu hobby durante a pandemia, durante o lockdown. Foi um tempo difícil, mas eu sabia que iríamos ter jogos de vôlei novamente então meu objetivo foi conhecer o máximo de músicas estrangeiras, estrangeiras para mim, como a brasileira, que é gigante para mim. Mas também música italiana, russa, francesa, até música persa para o Irã. Então, sim, eu passei horas, dias, semanas, meses pesquisando, ouvindo músicas e descobrindo quais são as mais importantes para cada um. O que as letras dizem, qual o significado e como posso conectá-las com o vôlei", disse com exclusividade ao ESPN.com.br.
Apesar de estudar todas as culturas e músicas dos países participantes das Olimpíadas, o Brasil parece ter um lugar especial no coração de Michael.
"Antes de mais nada, sei que o Brasil é realmente diferente do resto do mundo porque o vôlei é muito mais popular que em outros países, e a música é mais importante do que em qualquer outro lugar do mundo. Sabia disso antes, mas percebo cada vez mais e mais. Para mim, que trabalho com entretenimento no vôlei e no vôlei de praia, o Brasil é uma espécie de paraíso porque posso combinar música e esportes", comentou.
No último jogo da seleção masculina na fase de grupos, contra a França, as redes sociais se encheram de elogios ao DJ quando Stari tocou a música "Isaac", do cantor de reggae Edson Gomes, quando o Isac foi para o saque. O austríaco explicou como uma música que é pouco conhecida até mesmo no Brasil acabou chegando a seus ouvidos.
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"Para o Isac foi engraçado, foi uma sugestão de um fã carinho que me mandou mensagem no Instagram. Como são muitas, acabei vendo na sorte e trouxe a música, que é uma brasileira de um cantor brasileiro de reggae", disse.
Outro momento que chama a atenção dos fãs brasileiros é quando o ponteiro Douglas Souza pontua e as músicas de Pabllo Vittar ecoam pela Ariake Arena.
"Eu tento saber o máximo disso, é parte do meu trabalho saber, por exemplo, que o Douglas é um grande fã de Pabllo Vittar e ama as músicas. Óbvio que quero usar isso, quando sei de uma música que conecta com o jogador, tento usar isso", explicou.
Sem ser fluente em português, Michael também tem outro desafio: evitar virar "meme" na internet por tocar uma música em que a letra não seja "adequada para famílias e transmissões de voleibol". Para evitar isso, o austríaco dedica horas de seus estudos traduzindo letras brasileiras. Ainda assim, não pode ter 100% de certeza que está seguro.
"Não posso ter 100% de certeza porque não entendo tudo, então tenho um monte de pessoas que me ajudam com isso. É muito trabalho, acredite em mim. Não são apenas horas, são dias, semanas pesquisando música, mas também revendo-as, checando as letras para que eu possa, tomara, ter certeza de que está tranquilo", relatou.
"Estrela" dos jogos do Brasil, DJ Stari tem recebido muito carinho do público brasileiro. O austríaco agradece as manifestações e se diz "emocionado" a cada mensagem que recebe.
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"É um bom sentimento (saber que é amado no Brasil), na verdade me emociona um pouco até. Me dá arrepios quase que diariamente. Como eu disse, foi um tempo difícil para todo mundo durante o lockdown, mas se você trabalha em um escritório, pôde continuar trabalhando. Se você trabalha com entretenimento e eventos e não estão tendo eventos, precisou parar. É difícil. Significa muito que as pessoas amem o que eu faço, é uma ótima sensação. Eu realmente agradeço pelo feedback positivo", disse.
Tão próximo do Brasil nos últimos anos, DJ Stari não poderia ficar longe da música brasileira para além de seu trabalho. O austríaco revelou ser fã de Raça Negra por "achar as múiscas muito bonitas".
"Eu ouço bastante música brasileira na minha vida privada porque amo as músicas. É muito diferente de todo outro tipo de música no mundo. O estilo é diferente, os instrumentos são diferentes. Eu gosto muito, de várias músicas. Gosto do espírito alegre nas músicas brasileiros. Por exemplo, fiquei muito honrado quando o Raça Negra me mandou uma mensagem no Instagram por eu ter tocado uma música deles antes de um jogo da seleção masculina do Brasil. Foi realmente especial porque conheço eles faz tempo e realmente amo suas músicas, elas são realmente bonitas para mim, então fiquei muito surpreso e feliz que eles reconheceram meu trabalho", finalizou.
