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Olimpíadas: Brasil tem pior participação no judô em 17 anos e liga sinal forte de alerta

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Olimpíadas: Brasil larga nas quartas, mas perde dois confrontos e sai sem medalhas na disputa por equipes do judô; VEJA (0:52)

Equipe brasileira caiu para a Holanda nas quartas e para Israel na repescagem (0:52)

O Brasil encerra sua participação no judô nas Olimpíadas de Tóquio com apenas dois bronzes e com um grande sinal de alerta ligado para o futuro. É a pior participação do país desde os Jogos de Atenas, na Grécia, em 2004. Justamente no momento em que as grandes gerações dos últimos anos vão chegando perto do final de suas carreiras.

O resultado em terras japonesas preocupa. Thiago Camilo, dono de duas medalhas olímpicas (Sydney-2000 e Pequim-2008) e um ouro em Mundial (Rio-2007), avaliou que é hora de repensar algumas coisas.

“O Brasil teve um resultado abaixo do esperado. A pandemia prejudicou todos, o mundo estava na mesma situação. Realmente foi um resultado um pouco abaixo do esperado. Tem que melhorar o sistema. Eu não estou muito envolvido com a Confederação Brasileira, mas na minha opinião precisa de uma reformulação no sistema. Eu acho que a gente precisa dar um passo para trás, fazer uma análise do que precisa mudar e traçar”, disse Camilo durante a transmissão do SporTV.

“A gente vê outros países tendo bons resultados. Eu sempre uso o exemplo do Japão. O pior resultado deles foi nos Jogos de Londres em 2012. E oito anos depois olha o que eles fizeram. O Inoue, atual head coach do Japão que é campeão olímpico e tri do mundo, deu uma declaração e disse ‘o mundo aprendeu com o Japão, agora está na hora do Japão aprender com o mundo’. Ele pegou a comissão técnica e rodou o mundo analisando e estudando com a equipe multidisciplinar. Agora eles ganharam quase todas as categorias disputadas”, completou.

O Brasil vem de três Olimpíadas seguidas melhores no judô. Foram três bronzes em 2008, um ouro e três bronzes em 2012 e um ouro e dois bronzes em 2016. Em 2004, como agora, foram dois bronzes - um com Leandro Guilheiro (até 73kg) e outro com Flávio Canto (até 81kg).

Vale ressaltar que em Tóquio a performance é melhor que em Atenas, pouco, mas é, já que o país conseguiu ainda três sétimos lugares, com Ketleyn Quadros (até 57kg), Maria Suelen (acima de 78kg) e Rafael Silva, o Baby (acima de 100kg), enquanto na Grécia apenas Edinanci Silva (até 78kg) alcançou tal posição.

A verdade é que o resultado no Japão não chega a ser tão surpreendente assim. Ele é próximo do que tem acontecido nos Mundiais da modalidade nos últimos anos.

Em junho, por exemplo, o Brasil conquistou três bronzes em Mundial bem mais esvaziado, sem contar com a presença de algumas grandes estrelas que estavam se poupando para as Olimpíadas. Vale lembrar ainda que era possível inscrever mais de um atleta por categoria. Duas das medalhas, inclusive, vieram no peso pesado feminino.

Também foram três bronzes em 2019 e apenas um bronze em 2018. O último grande Mundial do Brasil foi o de 2017, com um ouro, duas pratas e dois bronzes.

A maior preocupação é com a renovação. Essas medalhas todas costumam vir com Mayra Aguiar (29 anos), Rafaela Silva (29), Rafael Silva (34) e Maria Suelen (32). Ketleyn Quadros (33) e Maria Portela (33) também fazem parte da geração passada.

Rafaela e Mayra ainda devem lideram a equipe na próxima Olimpíada. Tóquio também trouxe uma boa notícia. Daniel Cargnin, de 23 anos, mostrou que está pronto e já conquistou o bronze. Além dele, o Brasil conta com Bia Souza (23) pronta para assumir o posto nos pesos pesados. Ela é uma das que conquistou medalha neste último Mundial.

Mas o sinal de alerta está ligado. E o trabalho precisará ser duro para Paris já ter um desempenho melhor.