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A 5 meses dos Jogos de Tóquio, presidente do comitê organizador deve deixar cargo após declarações sexistas

A longa saga de Yoshiro Mori parece estar perto do fim. Restando pouco mais de cinco meses para o início previsto para os Jogos Olímpicos de Tóquio, o presidente do Comitê deve deixar seu cargo por conta de declarações sexistas.

A agência de notícias japonesa Kyodo e outras relataram na quinta-feira, citando fontes não identificadas, que Yoshiro Mori deixará o cargo na sexta-feira. Isso é consequênia de seus comentários sobre as mulheres há mais de uma semana e de um debate público raro no Japão sobre igualdade de gênero.

A decisão deve ser anunciada quando o conselho executivo do comitê organizador se reunir. Esse grupo responsável por Tokyo 2020 é esmagadoramente masculino, assim como a liderança do dia-a-dia.

Em uma reunião do Comitê Olímpico Japonês há mais de uma semana, Mori disse basicamente que as mulheres "falam demais" e são movidas por um "forte senso de rivalidade". Primeiro-ministro do país entre 2000 e 2001, Mori deu um pedido de desculpas relutante alguns dias após suas falas, mas se recusou a renunciar.

Uma das maiores atletas japonesas da atualidade, Naomi Osaka criticou Mori nos últimos dias, chamando o cartola de ignorante.

Este é mais do que apenas mais um problema para as adiadas Olimpíadas, que fizeram a arriscada escolha de tentar uma cerimônia de abertura no dia 23 de julho em meio a uma pandemia com 11.000 atletas - e depois, 4.400 atletas paraolímpicos.

Mais de 80% do público japonês em pesquisas recentes disse que as Olimpíadas deveriam ser adiadas ou canceladas.

Os comentários de Mori provocaram indignação em muitos setores e destacaram o quanto o Japão está atrás de outros países no avanço das mulheres na política ou nas salas de reuniões. O Japão ocupa o 121º lugar entre 153 no ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial.

Embora alguns na rua tenham pedido que ele renuncie, com várias centenas de voluntários olímpicos abandonando suas posições, a maioria dos tomadores de decisão não foi tão fundo na crítica isso e simplesmente condenou seus comentários.