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De doença grave a medalhista pela seleção de vôlei sentado: a incrível história de Daniel Yoshizawa

Daniel Yoshizawa é um superatleta do esporte e da vida.

Poucos conhecem a modalidade que ele pratica, até porque, no Brasil de hoje, em primeiro lugar está o futebol, em segundo lugar e em terceiro lugar também. Depois vem os outros. Isso sem contar os esportes paraolímpicos, lembrados somente durante os Jogos Paralímpicos.

Daniel tem 34 anos. Até os 21 levava uma vida normal. Morava num bairro humilde de Suzano, no interior de São Paulo, trabalhava como operador de máquinas e sonhava, como muitos jovens de lá, em ganhar dinheiro, comprar um terreno grande e construir casas para alugar.

Tudo ia muito bem até o dia que ele acordou com fortes dores de cabeça, vomitando e com muitas dores no corpo.

Assustados, Daniel e a mãe Lídia correram para o Pronto Socorro da cidade. Foi ali que a vida de Daniel tomou outro rumo.

A burocracia do plano de saúde impediu que ele fosse rapidamente transferido para um hospital mais estruturado, com condições de tratar de forma emergencial e correta a grave enfermidade.

Ele estava com meningite meningocócica, doença que o afetava de forma cruel, deixando-o entre a vida e a morte.

“Quando fui transferido para um hospital de Santo André, minha mãe me contou que o meu corpo estava completamente escuro. A doença impedia que o sangue circulasse. Quando me dei por conta, depois de 15 dias na UTI entre a vida e a morte, tinha tido alguns dedos das mãos e as duas pernas amputadas, infelizmente”, recordou o jogador de vôlei sentado do Sesi e também da seleção brasileira de vôlei sentado.

Daniel disse que tudo isso aconteceu porque ele não tomou a dose de reforço da vacina contra a meningite, geralmente aplicada entre os 11 e 13 anos de idade.

O milagre do esporte

Não foi nada fácil a adaptação de Daniel à vida que ele teria pela frente.

Ter que aprender e encarar uma rotina sob cadeira de rodas, enfrentar intermináveis sessões de fisioterapia e, o pior de tudo, lidar com os olhares e discursos preconceituosos que fariam parte de seu dia a dia.

A saída para “calar a boca” dos preconceituosos veio por intermédio do esporte, quando certa vez foi apresentado ao time de vôlei sentado do Sesi de sua cidade.

Ali, Daniel encontrou a chave da motivação que precisava para tocar a vida com profissionalismo, dignidade e, mais que tudo, eficiência.

Tornou-se capitão da equipe e também da seleção brasileira, onde conquistou a medalha de bronze no mundial da modalidade em 2018, na Holanda, e o ouro nos Jogos Parapan-Americanos em Lima, no Peru, em 2019.

Com a seleção brasileira classificada para a Paralimpíada de Tóquio, em 2021, Daniel sonha em entrar para a história do esporte, uma vez que a equipe masculina jamais conquistou uma medalha nos Jogos.

Hoje, aos 34 anos, o paratleta, escolhido pela reportagem dos canais ESPN como o atleta desse ano tão difícil de pandemia, só quer carregar duas bandeiras para aqueles que cruzarem o seu caminho.

A primeira é a da vacina. Daniel tornou-se embaixador da luta contra a meningite meningocócica no Brasil, pedindo sempre aos pais que nunca se esqueçam de vacinar seus filhos.

A segunda é levar a alegria ao maior número de pessoas possíveis. O levantador é um cidadão que, apesar de todos os obstáculos que viveu na vida, não deixa de sorrir. Aliás, na reportagem que fizemos em vídeo com ele, essa característica fica bem evidente.

Por isso e muito mais é que escolhemos, entre dezenas de milhares de nomes do Brasil, Daniel Yoshizawa como o Atleta do Ano de 2020.