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Clube de basquete lança campanha para ajudar filhos de Gérson Victalino, campeão do Pan de 1987 contra os EUA

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Uma cesta para Gérson! Clube de basquete lança campanha para ajudar família de campeão do Pan de 1987 (7:24)

Gérson Victalino faleceu em abril de 2020 e família sofre para completar formação dos filhos (7:24)

Gérson Victalino nasceu e viveu até os 20 anos de idade em uma favela de Belo Horizonte.

Foi descoberto para o basquete quando estava próximo de completar 19 anos. Tarde para a maioria, mas não para ele que adquiriu as técnicas e os fundamentos ao começar a treinar no Esporte Clube Ginástico, um clube tradicional em revelar jogadores para a modalidade.

Logo, Gérson atraiu a atenção dos grandes times do Brasil e não demorou muito para ser convocado para a seleção brasileira.

Adley Alves Pereira é o atual presidente do Ginástico e, ao 59 anos, recorda de um fato curioso que marcou a vida de Gérson, no início da carreira do jogador no modesto clube de Belo Horizonte.

“Teve um jogo que ele participou aqui no Ginástico, era uma partida entre seleções de novos, ele não tinha tênis para jogar. Arranjamos um All Star usado de número 49, mas ele calçava 56. Gersão aguentou três minutos com os pés fritando naquele tênis e pediu para jogar descalço, mesmo assim arrebentou e chamou a atenção de todo mundo”, relembrou o ex-companheiro de quadra e dirigente do clube.

Assim, o atleta voou para o alto rendimento. Jogou nos principais times do Brasil, se apresentou 93 vezes pela seleção brasileira, disputou três Olimpíadas e conquistou o quarto e o quinto lugares em campeonatos mundiais.

Sem dúvida, sua principal façanha foi a final dos Jogos Pan-Americano de Indianápolis, em 1987, quando ao lado de Oscar, Marcel e Cia, conquistou a inédita e inimaginável vitória contra os Estados Unidos em plena casa dos adversários.

Lutador dentro das quadras, o grandalhão de 2,05 m de altura era doce com os companheiros e muito galanteador com as mulheres. Teve vários filhos e encontrou dificuldade para administrar o que ganhou durantes os anos dourados.

Com sua última esposa, a cabeleireira Jandira Alves de Souza Victalino, teve dois filhos: Aretha, 21, e Bryan D’ajan, 16.

Aos 59 anos, Jandira relembra a parceria que teve com um marido que, segundo ela, foi mais que um pai.

“Gérson sempre foi muito amoroso com os filhos, cuidava deles melhor do que eu. Aliás, houve uma época que ele ficou desempregado e, enquanto eu trabalhava, ele cuidava da casa e das crianças de forma impecável. Deu caráter, educação e serenidade aos meus filhos”, disse.

Os últimos anos da vida de Gérson não foram fáceis.

Com a dificuldade financeira surgiu a ideia de voltar à terra natal, Belo Horizonte e tentar um emprego no clube que o revelou.

Com o convite do Ginástico veio uma esperança de manter a família com o trabalho direcionado ao que ele mais amava, o basquete.

Gérson ficou quatro anos como funcionário do clube. Fez parte da comissão técnica e das divisões de base do time mineiro.

Tudo estava indo bem até um jogo entre veteranos, quando a esposa e amigos sentiram que algo estranho estava acontecendo com a saúde de Gersão.

“Um dia eu fui assistir a um jogo dele e vi que ele estava caindo demais em quadra. Às vezes os amigos o ajudavam a levantar, outras ele, sem graça levantava rapidinho e, quando terminou o jogo, até brinquei com ele, dizendo: ‘Está com as pernas frouxas, amor?’”, relembrou Jandira.

A verdade é que o ex-pivô da seleção brasileira estava com uma doença chamada ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) uma doença neurológica crônica e degenerativa com alterações clínicas diversas e com diagnósticos reservados, em sua grande maioria dos casos.

A batalha pela vida durou quase um ano, até que no dia 29 de abril de 2020 o ídolo de toda uma geração partiu.

CAMPANHA PARA OS FILHOS DE GÉRSON

Depois da morte do marido as coisas ficaram ainda mais difíceis para a viúva Jandira e os dois filhos mais novos de Gersão.

Assim como o pai, Bryan sonha jogar basquete. Já Aretha estuda com a ajuda de amigos no Benedictine College, na cidade de Kansas, nos EUA, onde está prestes a se formar em jornalismo. Por lá, ela também joga vôlei representando a universidade.

Desde a morte de Gérson o Ginástico vem bancando o aluguel e uma ajuda de custo para a alimentação da família.

Mas, sem motivos para continuar na capital mineira e com família em São Paulo, ela resolveu voltar para a capital paulista. Está de malas prontas para voltar, antes do Natal, para os braços da família. Jandira pretende voltar a trabalhar como cabeleireira.

Para que isso acontece a família Victalino espera ajuda dos amigos para contratar um caminhão para a definitiva mudança.

Jandira se diz muito grata à diretoria do Ginástico, que lançou uma revista narrando toda a trajetória de Gérson, dentro e fora das quadras. É uma homenagem e ao mesmo tempo uma campanha social.

A ideia é vender os exemplares dessa edição especial e reverter todo o dinheiro arrecadado para ajudar Jandira na formação de Bryan.

Depois de um susto que Gérson e Jandira tiveram com a saúde do filho, um ano e meio atrás quando Bryan passou mal durante os treinos de basquete, o casal resolveu afastar temporariamente o caçula do esporte.

Jandira disse que todos os exames foram feitos e que o garoto está com a saúde em dia e liberado pela cardiologista para voltar ao basquete.

Segundo ela, o menino, que já mede 1,91 m, deu um pique muito forte e rápido, o que mexeu com sua capacidade de oxigenação nos treinos mais exaustivos. Bryan não vê a hora de voltar para São Paulo e, quem sabe, seguir os passos do pai e até chegar a seleção.

Com relação à campanha do Ginástico, muitas pessoas entraram para ajudar, inclusive o mão santa Oscar.

A revista impressa custa R$ 25, um valor irrisório para quem ama basquete, para quem sempre admirou o jogo do grandalhão Gersão. Além disso, é uma forma nobre e digna de ajudar uma família e manter vivíssima a história e a memória de um ídolo.

A campanha está sendo divulgada pelo Esporte Clube Ginástico, que tem fornecido nas redes a conta para o depósito dos interessados em comprar na revista (Banco Bradesco 237, agência 3432-0, conta corrente 233160-8, CNPJ 16;641.235/0001-00).