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Consciência Negra: tratamento desigual no TJD e a luta contra o racismo de Ângelo Assumpção

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Fenômeno da ginástica artística, Ângelo Assumpção sofre racismo, depressão e desemprego (10:22)

Aos 18 anos, garoto da Zona Leste de São Paulo se destacou com ouro na Copa do Mundo de 2015, mas o sucesso gerou preconceito, polêmicas e o fez ficar desempregado desde novembro (10:22)

Faz um ano que o ginasta Ângelo Assumpção, medalha de ouro na etapa de São Paulo da Copa do Mundo de 2015 e um dos melhores atletas negros da história da modalidade do Brasil, está desempregado.

Segundo ele, a demissão feita pelo Esporte Clube Pinheiros aconteceu por causa de uma denúncia de racismo que ele levou à direção do clube, em novembro de 2019.

De lá pra cá, desempregado, Ângelo revelou para vários veículos de comunicação o caso ocorrido por parte de dois técnicos. A denúncia foi parar no TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da Federação Paulista de Ginástica, onde o inquérito está aberto.

A FPG é presidida há três anos e meio pela mãe do campeão olímpico Arthur Zanetti. Roseane Nabarrete Zanetti é candidata à reeleição no início do ano que vem.

Já o TJD tem como procuradora a doutora Carolina Danieli Zullo. A auditora responsável é a doutora Tarsila Machado Alves.

No dia 15 de setembro, Ângelo prestou o seu primeiro depoimento num inquérito administrativo de n° 01/2020. Na oportunidade o atleta foi convocado para a primeira oitiva do caso. Ele disse que o convite do TJD não informava que seu depoimento poderia ser acompanhado por um advogado, já que a tia Márcia Dias de Assunção poderia atuar como advogada de defesa dele.

O atleta foi ouvido sem advogado.

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10:22

Fenômeno da ginástica artística, Ângelo Assumpção sofre racismo, depressão e desemprego

Aos 18 anos, garoto da Zona Leste de São Paulo se destacou com ouro na Copa do Mundo de 2015, mas o sucesso gerou preconceito, polêmicas e o fez ficar desempregado desde novembro

O inquérito corre sob sigilo de Justiça, mas parte dos depoimentos, inclusive dos adolescentes que foram ouvidos no caso de assédio moral, já foram divulgados pela “Folha de S.Paulo” e pelo portal Uol.

Os canais ESPN também tiveram acesso à parte desses depoimentos e, preservando o sigilo dos menores, divulgou as oitivas com os envolvidos no caso de racismo. Estiveram presentes nesses depoimentos:

Ivan Castaldi Filho, presidente do Esporte Clube Pinheiros, ao lado do advogado Felipe Ezabella.

Ainda pelo lado do clube foi ouvida a diretora de governança, a engenheira Renata Campos.

Pelo lado dos acusados depuseram: os advogados Marcel Camilo e Fernando Martinez, representando os técnicos Raimundo Blanco, Hilton Dichelli Junior “Batata” e Lourenço Ritli.

Nas oitivas o medalhista olímpico Arthur Nory, que a princípio nada tem a ver com o novo caso de racismo contra Ângelo Assumpção, também prestou depoimento com o olhar atento do advogado Fernando Martinez, sócio de Marcel Camilo que também é o responsável pelo departamento jurídico da Federação Paulista de Ginástica e procurador de Arthur Zanetti.

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Um clube para Angelo Assumpção: a luta para devolver ao atleta o direito de treinar e competir

A história do ginasta que se tornou símbolo da luta contra o racismo

A nova reportagem dos canais ESPN (que vai ao ar nesta sexta-feira) mostra como funciona um TJD no Brasil. Eles são os tribunais regionais, constituídos para trabalharem de forma imparcial e isenta junto a Federações e clubes.

Acima do TJD estão o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e a Justiça Comum, que no caso do atleta Ângelo Assumpção ainda não foi acionada.

Nessa data em que se comemora o dia da Consciência Negra, o atleta que está sem clube só quer voltar a trabalhar, representando as cores do Brasil e defendendo, seja no TJD ou em qualquer tribunal, que o caso dele não se trata de "vitimismo", como alegou nas oitivas o advogado que defende os acusados de racismo por Ângelo.