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Rival do Brasil, Austrália terá primeira atleta transgênero da história do Mundial de handebol

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O Mundial de handebol feminino começa neste sábado (30), no Japão, com a seleção brasileira no grupo B, ao lado de Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Dinamarca e França.

O destaque da chave é a seleção australiana. Não pelas chances de título, mas por um feito histórico.

Pela primeira vez, uma atleta transgênero jogará o Mundial: a australiana Hannah Mouncey começou a transição de gênero em novembro de 2015 e, no fim de 2018, recebeu autorização da Federação Internacional de Handebol (IHF) para jogar com as mulheres.

Callum Mouncey, nome de batismo, já defendeu o país no masculino, jogando 22 partidas com o time de handebol australiano. Em 2013, jogou o Mundial masculino e, em seguida, um torneio qualificatório para os Jogos Olímpicos de 2016, que foi quando decidiu começar a transição. Em maio de 2016, ela tornou público que passaria a se chamar Hannah e se identificar como sexo feminino.

A primeira competição de Hannah foi no Campeonato Asiático de 2018, quando ajudou o país a conquistar o 5º lugar.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) controla o nível de testosterona para que transgêneros possam competir. Atualmente, o COI exige 12 meses de terapia hormonal antes de liberar a participação. Porém, os primeiros testes de Hannah identificaram ainda um alto nível do hormônio masculino.

Em exame realizado pela federação de handebol da Austrália em 2016, Hannah teve seu pedido negado e recebeu autorização somente dois anos depois. Durante todo o trâmite, ela já treinava no time feminino Melbourne Handball Clube e, depois de autorizada, passou a treinar também junto com a seleção australiana.

Além do handebol, Hannah joga futebol australiano, onde também encontrou alguns percalços. Em 2017, ela foi indicada para o draft, mas a Australian Football League (AFL) negou sua participação baseada na Lei de Igualdade de Oportunidades do estado de Victoria. Os limites da atleta ainda permaneceram muito abaixo do exigido pelo COI, e a AFL passou então a usar as mesmas diretrizes do Comitê para permitir atletas transgêneros.

Em 2017, ela defendia o Ainslie, e no ano seguinte a AFL afirmou que ela poderia jogar, bem como ser nomeada pelo draft, mas a decisão foi declinada. Sendo assim, a Associação de Jogadores da AFL pediu esclarecimentos quanto à elegibilidade de jogadores trans.

Em fevereiro de 2018, porém, a AFL aceitou o pedido de Mouncey para jogar a liga estadual australiana, pelo VFL Women’s, alegando que a decisão de exclui-la valia apenas para o ano anterior. Foi a primeira vez na história que a liga permitiu que uma mulher trans jogasse em alto nível.

No final de 2018, ela anunciou que não se candidataria para o draft.