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O dia em que o sobrevivente de um câncer e seu doador se encontraram em uma maratona

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Nove anos atrás, Boyd Dunleavy marcou uma consulta para ver por que ele estava com sangramentos nasais constantes e hematomas nas pernas. Ele não tinha certeza do que estava acontecendo, mas sabia que precisava de respostas.

Os resultados foram assustadores. Ele foi diagnosticado com leucemia mielóide aguda, uma forma rara de câncer no sangue. Lhe disseram que ele tinha menos de um ano de vida - a menos que eles encontrassem rapidamente um doador de células-tronco.

Dunleavy passou por três sessões de quimioterapia. O câncer tinha que estar em remissão para que o transplante de células-tronco funcionasse. Se isso acontecesse, ele tinha que esperar pela disponibilidade de um doador. Quando nenhum doador foi encontrado logo de cara, ele teve duas opções: passar por mais duas sessões de quimioterapia e esperar que isso lhe desse tempo suficiente para um doador e um transplante - ou desistir.

Dunleavy era um banqueiro de 37 anos de sucesso em Londres, Ontário na época. Ele era casado e tinha três filhos pequenos, sua filha caçula tinha apenas alguns meses. Ele não tinha medo de morrer, mas também estava confiante de que não era a hora dele. Então ele lutou. Sua esposa, que estava programada para voltar ao trabalho após a licença-maternidade, tirou outra folga para ajudá-lo no processo. Dunleavy só podia esperar e orar por notícias positivas.

Após suas próximas sessões de quimioterapia, essas notícias positivas chegaram quando um doador de células-tronco foi encontrado. Em maio de 2012, Dunleavy entrou em uma sala de cirurgia para um transplante.

Embora houvesse desafios, a cirurgia foi bem-sucedida e, eventualmente, Dunleavy conseguiu levar uma vida normal novamente.

Mas os anos se passaram e Dunleavy não tinha ideia de quem era o responsável por salvar sua vida. Isso se manteve até a semana passada, na Disney Wine and Dine Half Marathon, em Orlando, Flórida.

Nathan Barnes, que por sua bondade colocou seu nome na lista de registro de medula óssea, estava prestando serviços militares há quatro anos quando recebeu a ligação.

Ele era compatível com um paciente com câncer e foi convidado a fazer uma doação de células-tronco. Ele ligou para a mãe, uma enfermeira aposentada, e fez perguntas. Ele estava nervoso, mas saber que ele poderia salvar a vida de alguém tornou uma decisão fácil para ele.

Mas ele ainda não sabia nada sobre a pessoa que os receberia.

Para Dunleavy, ele teve que esperar um ano após o transplante para entrar em contado com o seu doador anônimo. Esse foi o tempo estipulado pelos médicos para garantir que seu corpo estivesse livre do câncer.

O arquivo dizia: Nathan Barnes, americano. Dunleavy pesquisou seu nome no Google e imediatamente o encontrou no Facebook.

Dunleavy enviou uma mensagem, agradecendo repetidamente por salvar sua vida.

"Foi incrível fazer esse primeiro contato", disse Dunleavy recentemente à ESPN. "Eu não sabia que ele era americano; não sabia que o registro canadense batia com o americano".

Antes de se conhecerem, Barnes disse que sabia que suas células-tronco poderiam salvar a vida de alguém, mas ouvir Dunleavy - um filho, um pai, um marido - pela primeira vez o fez perceber por que ele decidiu ser um doador em primeiro lugar.

Mas, devido à agenda de Barnes na Marinha, um encontro entre os dois parecia impossível. No entanto, este ano, quando Dunleavy soube que Barnes estava na Flórida, ele teve uma ideia.

A Disney World havia sido o refúgio de Dunleavy quando ele estava doente, então ele decidiu que queria correr a meia maratona e mandar Barnes passar um fim de semana com ele e sua família lá.

Dois dias antes da corrida, Dunleavy, nervoso, encontrou Barnes pela primeira vez. Ele imaginou a pessoa que salvou sua vida por anos. Ele se perguntou o que diria, mas quando o conheceu para um passeio pelo parque, as palavras insistiram em não vir. Ele deu um abraço em Barnes e não o soltou. Depois, eles andaram pelo Animal Kingdom. Dunleavy disse a qualquer um que quisesse ouvir que oito anos atrás Barnes salvara sua vida e eles se encontrariam pela primeira vez.

"Você vê aquelas histórias em que alguém foi adotado quando criança e eles conhecem seus pais anos depois - parecia isso, foi como conhecer um parente", disse Dunleavy.

Na Disney Wine & Dine Half Marathon, Barnes ficou esperando na linha de chegada, segurando as lágrimas. Ele colocou a medalha no pescoço de Dunleavy depois que o canadense de 45 anos terminou a prova com sucesso.

"Conseguimos, nós conseguimos", disse Dunleavy, jogando as mãos para o ar.

Para Barnes, assistir Dunleavy correr, descobrir como era a vida de Dunleavy e conhecer sua família foi emocionante. As palavras dificilmente capturaram o que ele sentia no momento, mas estava sentindo cada parte dele.

Dunleavy e Barnes realmente gostaram da companhia um do outro no tempo que passaram juntos. Eles conversaram e riram. E quando eles finalmente se despediram, desenvolveram uma amizade genuína. Mais ainda, eles eram família.