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Patinadora artística, Ashley Wagner revela ter sido abusada por John Coughlin, ex-companheiro de seleção dos EUA

Medalhista olímpica, Ashley Wagner afirmou ter sido abusada sexualmente por John Coughlin, e se tornou a a mais nova patinadora artística a acusar o patinador norte-americano.

Wagner, 28 anos, detalhou ao jornal USA Today Sports o abuso que aconteceu em junho de 2008, contando que tinha 17 anos quando Coughlin, de 22, subiu em sua cama, a beijou e a tocou sem sua permissão. Ela afirmou que o incidente ocorreu após uma festa na quadra de patinação do time dos EUA em Colorando Springs, no estado do Colorado.

"Eu estava absolutamente paralisada com medo", afirmou Wagner ao jornal.

Após alguns minutos, Wagner conta que segurou a mão de Coughlin e o falou para parar. Neste momento, ele deixou o quarto.

A três vezes campeã nacional, que agora se aposentou das competições, também escreveu sobre o abuso em uma "carta" ao USA Today.

"Eu sei que independentemente dos eventos daquela noite, eu fui para a cama pensando que estava segura para apenas dormir. Foi ele quem me tirou aquela segurança", escreveu. "Eu entrei naquela casa apenas querendo me divertir com meus amigos. Foi ele quem destruiu tudo".

Coughlin se suicidou em janeiro deste ano, um dia após receber uma suspensão provisória do U.S Center for SafeSport (local de treinamento de equipes norte-americanas) e da U.S. Figure Skating (Federação dos EUA de Patinação Artística) por "conduta não especificada". Ele tinha 33 anos.

Ele foi acusado por três pessoas por "má conduta sexual" na época destas suspensões. Duas destas três acusações vieram de menores de idade, de acordo com o USA Today, incluindo um de seus pares e companheira de time, Bridget Namiotka.

Wagner afirmou que após aquela noite em 2008, ela contou o que aconteceu a duas pessoas próximas a ela. O jornal conversou com uma delas, que confirmou a história mas não quis se identificar por conta da "sensibilidade do tópico".

A patinadora detalhou sua acusação à Federação de Patinação Artística em fevereiro.

"O que aconteceu com Ashley não deveria acontecer com ninguém", afirmou a porta-voz da Federação, Barbara Reichert, em seu posicionamento. "Ashley é incrivelmente forte, não apenas por ter coragem de vir a público com sua história, mas compartilhar sua experiência publicamente para ajudar outros".

Wagner afirma que ela e Coughlin nunca discutiram o incidente novamente.

O pai de Coughlin, Mike, afirmou à rádio The Associated Press na última quinta-feira que as alegações contra seu filho eram de muitos anos atrás e não acreditava serem válidas. Adicionou que seu filho não treinou nenhuma dessas patinadoras e não tinha influência alguma sobre elas.

"John era um patinador companheiro com as pessoas que se envolvia, e isso, sabe, é apenas uma situação trágica", afirmou.

A medalhista de bronze nas Olimpíadas de Inverno de Sochi afirmou que teve medo de falar mais cedo porque ela compete por um esporte em que "juízes" determinam o sucesso. E contou ao jornal dois fatores que a ajudaram a mudar sua mente: a emergência do movimento #MeToo e a suspensão de Coughlin.

"Eu realmente não processava o que isso era até o início do movimento #MeToo; Escutar outras mulheres virem à tona com suas histórias, isso me fez refletir sobre essa experiência de uma maneira completamente diferente. Eu sempre me senti violada, mas algo com esse movimento realmente me mostrou que eu fui violada e eu tive minha segurança e conforto tiradas de mim naquela noite", finalizou.