Sete medalhas conquistas em oito possíveis. Dois ouros. Liderança no quadro de medalhas do esporte de combate. E isso depois de ter a confederação devastada por corrupção. O takeowndo brasileiro confirmou nos Jogos Pan-Americanos de Lima que renasceu ainda mais forte do que sempre foi. Mas qual foi o segredo do sucesso?
O primeiro passo, claro, foi ‘limpar’ a Confederação Brasileira de Taekwondo. A modalidade vai levar para sempre o ingrato rótulo de ter sido a primeira a ter um dirigente preso e condenado no Brasil por caso de corrupção. Carlos Fernandes pegou seis anos e quatro meses de pena após denúncias da ESPN que escancararam os problemas e irregularidades administrativas que desviaram milhões que deveriam ter ido para atletas e compras de equipamentos.
Com o ex-presidente preso, o trabalho ficou nas mãos principalmente de Júnior Maciel, eleito o novo presidente da confederação. Ele é um cara que sempre foi do esporte, era técnico na ocasião. Visto por atletas com mais respeito por conta disso.
Só que Júnior não conseguiu agir como queria de imediato. A confederação estava completamente quebrada, sem dinheiro de patrocinadores e sem repasse do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que ainda faz uma espécie de intervenção na entidade.
Mesmo assim, começou a trabalhar. E tomou uma decisão: transformar a lenda do esporte Natália Falavigna em dirigente.
“A Confederação vinha em um panorama muito difícil, a gente se surpreendeu o tamanho do estrago. Mas a gente não temeu as adversidades. O Júnior é um bom líder, deu espaço para a gente trabalhar e tomar as decisões, mesmo que elas fossem difíceis. Começamos a reconstruir normas, regulamentos, critérios. Começamos a juntar peças e dar uma cara para a seleção”, diz Natália.
“Sou responsável por toda a parte técnica: eventos, regulamento, resultados, planejamento técnico e também algumas coisas administrativas, como logística de viagens. Meu desafio agora é economizar, pensar em uma ação, comprar o maior número de passagem em menor tempo...”, brinca, explicando o que faz.
Na visão dos próprios atletas, um dos grandes trunfos da confederação foi montar uma comissão técnica interdisciplinar fixa, com acompanhamento completo da seleção.
Mas isso tudo, claro, não foi fácil. Afina de contas, Natália tem apenas 35 anos e pouca experiência fora dos tatames. O segredo dela foi saber disso: Falavigna quis saber o que os atletas achavam importante mudar, foi atrás de exemplos em outros lugares e encontrou o judô como grande inspiração.
“Conversei muito. Primeiro conversamos com os atletas, vimos tudo que queriam falar. Elaboramos um planejamento a partir dali, vimos aonde queríamos chegar a partir daquele momento. Eu fui atrás e procurei várias modalidades. Fiquei um tempo do lado do Ney (Wilson, coordenador do judô) e vi o que fizeram para estruturar o esporte”, diz.
O judô sempre foi o exemplo de sucesso no Brasil, com várias medalhas olímpicas, pan-americanas e mundiais. E também pela constante renovação de atletas sem fazer com que o país deixe de ser uma potência.
Com ele de exemplo – e muito trabalho interno -, o taekwondo conseguiu os melhores resultados da história. No Mundial desse ano, já haviam sido cinco medalhas. No Pan, fez ainda melhor.
Só que o objetivo está longe de ser cumprido. E o sonho é bem maior.
“O taekwondo sempre teve atletas em potencial, mas precisava organizar a casa. Daqui 10 anos quero continuar batendo cada vez mais metas. Estamos caminhando para nos tornar referência, administrativa e de resultados. Eu sonho com o taekwondo chegar no que é o judô”, diz Natália.
