Ana Sátila, brasileira de destaque na canoagem slalom, não faz mais parte do Botafogo. Com uma carreira de quatro participações em Olimpíadas e cinco medalhas em Mundiais, a atleta criticou a falta de apoio do clube carioca à modalidade.
“É muito triste. Foi uma realidade que eu precisei presenciar, foi uma vontade minha estar num clube para que a gente começasse ali a desbravar algo que não havia na canoagem ainda”, disse.
“Essa experiência infelizmente não foi boa e hoje eu acho que tenho até a obrigação de alertar os atletas que ainda estão ali presentes para realmente falar. O atleta tem que ser valorizado, ainda mais no nosso país e ainda mais nesse momento”, completou Sátila, em entrevista ao ge.
Ana Sátila entrou no Botafogo no segundo semestre de 2023. A atleta conta como Durcesio Mello, presidente do clube entre 2021 e 2024, foi importante em sua chegada.
“Dois anos atrás, eu entrei para o Botafogo com uma expectativa de mudança muito grande, sabe? Como estava no Rio, treinando, fazia muito sentido estar em um clube carioca que queria incentivar, que queria apoiar o esporte, né? Eu fui convidada a entrar no Botafogo. Conheci um cara que ele é fenomenal, Durcesio Mello”, conta.
“Não tinha investimento, quando eu entrei, ele sentou comigo e falou: ‘Eu não consigo te pagar, mas a gente quer. Então confia em mim que eu vou atrás, eu vou tentar. Você não vai ter salário, você não vai ter investimento. Se tudo der certo, uma camiseta, um uniforme’. Então, era com isso que eu entrei no Botafogo. E eu tava feliz”, completou.
A atleta comenta que o fim da gestão de Durcesio Mello foi decisiva para o esquecimento do esporte olímpico no clube.
“O Durcesio precisou sair do Botafogo, entrou o novo presidente. A partir de aí, o esporte olímpico foi esquecido, ele foi deixado de lado totalmente, não só a canoagem. Até o remo, que é um esporte tradicional do Botafogo”, disse.
“O pessoal é constantemente prejudicado, e o clube não paga um salário digno, a gente tá falando 200, 300, 500 reais para os atletas, para ter uma cobrança, sabe, absurda, algo assim passível de um uma condenação, um assédio moral, dentro do clube. Isso eu vi estando lá. Isso eu tô falando porque eu vi lá”, completou a canoísta.
Por meio de João Gualberto Teixeira de Mello, vice-presidente de remo do Botafogo, o clube afirma que não consegue investir em todos os esportes olímpicos e, por isso, foca em determinadas modalidades.
“No meu caso, o remo olímpico e o remo de praia (nova modalidade olímpica já em Los Angeles 2028) estamos reestruturando o departamento, apostando na base (seremos campeões da categoria Júnior B, de 15 e 16 anos) e reequipando o departamento com máquinas de remo indoor (remoergômetros) e novos barcos”, disse.
“O basquete, pelo que sei também está recebendo toda a atenção do clube. Não podemos, é fato, querer disputar todos os esportes amadores, dada a escassez de recursos. Preferimos nos concentrar em poucos, nos quais possamos fazer boa figura”, completou João em comunicado feito ao ge.
Ana Sátila participou das Olimpíadas de Londres 2012, Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024. Seu melhor resultado foi o quinto lugar na canoagem slalom C1. A canoísta foi medalhista de ouro no Mundial de Canoagem Slalom do Rio de Janeiro, em 2018, na categoria Extreme K1. A attelta também acumula cinco ouros nos Jogos Pan-Americanos.
