Capitã da seleção brasileira de vôlei, Gabi assumiu a responsabilidade após mais uma derrota para os Estados Unidos. Dessa vez, por 3 a 2 em um jogo duríssimo, que acabou com o sonho do ouro nas Olimpíadas de Paris.
A camisa 10 disse que seu desempenho no início da partida acabou desestabilizando as mais novas da equipe.
''Antes de mais nada é dizer que eu tenho noção que grande parte da responsabilidade dessa derrota passa por mim, por não ter começado bem efetivamente no ataque. Não consegui ajudar no contra-ataque, ser eficiente. E sendo uma referência para o time, acaba desestabilizando um pouco as mais novas'', começou por afirmar.
''Me cobro muito. Ninguém precisa falar o que eu fiz e o que não fiz. Tenho noção do que deixei a desejar, completamente noção de que a responsabilidade passa pelas minhas costas'', seguiu.
O Brasil tinha uma lista de “vinganças” a serem feitas em Paris e conseguiu passar por Japão e Polônia, algozes da última Liga das Nações. Mas a maior vingança de todas, que seria contra as americanas, acabou não vindo.
A seleção dos Estados Unidos é a que mais tem atrapalhado os planos do Brasil nos últimos anos. As norte-americanas chegaram a ficar cinco anos invictas no confronto, com direito a duas vitórias em finais de Liga das Nações e - a mais doída de todas – a decisão do ouro olímpico em Tóquio, em 2021.
''Não acho que (os EUA) sejam um bicho-papão. Acho que a gente perdeu oportunidades. Demorou a entender que estavam girando com velocidade na ponta, estávamos com dificuldade de marcar algumas jogadoras. O bloqueio também não funcionou como antes, mas não teve lucidez para encaixar nosso jogo'', analisou Gabi.
''Hoje ficou claro que a gente teve total oportunidade de uma partida diferente. A gente começou muito mal, talvez na vontade de fazer as coisas acontecerem, perdeu lucidez ali no começo. Mas durante a partida perdeu contra-ataques e bolas bestas, uma certa falta de comunicação. Isso precisa ajustar para a medalha de bronze, para ter mais lucidez e clareza para aproveitar os momentos decisivos'', completou.
''Tem que doer na gente, vai ser muito difícil dormir, mas a gente tem dois dias para recuperar mentalmente. Essa disputa de bronze vai ser mais um jogo mental do que físico, tático e técnico. É se unir porque a gente não merece de forma alguma voltar para casa sem medalha'', afirmou a capitã.
Agora, a seleção volta à quadra no sábado (10), às 12h15 (de Brasília) na disputa do terceiro lugar. O adversário das brasileiras será quem perder do duelo entre Itália e Turquia. E, no que depender de Gabi, não vai faltar vontade para subir ao pódio em Paris.
''Perdemos para um grande time. Essa equipe não merece sair daqui sem medalha. Por tudo que a gente construiu, merece sair com essa medalha, então agora vai jogar com muita, muita, muita, muita raiva, com muita vontade. Brasil merece essa medalha de bronze'', declarou.
''Sei que sou uma referência para as meninas, então vou estar muito forte fisicamente, técnica, tática e também emocionalmente. Para começar a partida melhor e sair com a medalha de bronze'', completou.
