Caio Bonfim escreveu seu nome na história do esporte olímpico brasileiro ao ganhar a primeira medalha da marcha atlética, que faz parte do programa do atletismo. Além da prata no individual masculino, Caio também competiu no revezamento misto com Viviane Lyra em Paris, e os dois terminaram na 7ª colocação da prova inédita nas Olimpíadas.
Os marchadores, em conjunto, percorreram pouco mais de 42km, se alternando mais ou menos a cada 10km. Ou seja, Caio Bonfim abriu a prova, marchou por 43 minutos, depois "esperou" mais 45 minutos e voltou para percorrer seus últimos 10km. O brasileiro de 33 anos terminou exausto.
Para aguentar uma "maratona" dessas, Caio Bonfim e Viviane Lyra tiveram menos de uma semana para se recuperar das provas individuais, de 20km, realizadas na última quinta-feira.
"Fizemos um trabalho lá no Time Brasil, nós temos um staff absurdo. Então, temos uma equipe médica, de fisioterapia, e fisiologia, que vai colhendo pra saber os processos inflamatórios. Então, a gente faz banheira de gelo, massagem e todo esse acompanhamento pra gente chegar inteiro aqui.", disse Caio logo após a prova.
Além do desafio de se recuperar da prova individual, os dois marchadores tiveram que caprichar no "pit stop", ou melhor, o tempo de espera enquanto o outro marchava nessa prova inédita.
"Fizemos dois tipos de recuperação, muscular e fisiológica. Então, primeiro a gente fez gelo lá com a fisioterapia e área médica para recuperar e esfriar o corpo. Depois, vamos reaquecer e, durante isso, a gente foi tomando umas 'picadinhas' no dedo para poder ver a parte fisiológica, como glicemia e lactato.", explicou Viviane
"Então, a gente passou a recuperar e ativar de novo o metabolismo para entrar de novo na prova. A gente fez esse acompanhamento, estava excelente, inclusive a hidratação. Então, a gente encaixou tudo direitinho. Eu me senti bem também e recuperei ali rápido, aqueci de novo e entrei pra segunda etapa.", concluiu a brasileira de 31 anos.
Todo essa atenção com a parte física não é realizado durante a prova, mas ao longo da carreira dos atletas. Caio Bonfim detalhou como sua preparação o ajudou a chegar no pódio da prova individual e também aguentar essa "maratona" nas Olimpíadas de Paris.
"É um trabalho de vida inteira. Fisioterapia e osteopatia são focadas em prevenção de lesão, fortalecimento e recuperação pós-treino. Aí, eu tenho o personal que é fortalecimento, prevenção de lesão e melhorar a performance. Por mim, o treinamento que é feito pelo meus pais, focando em performance, alto rendimento e técnica.", explicou o medalhista olímpico.
"Então, esse grupo todo aí trabalhando junto pra que chegue aqui no auge. "Eu fiz trinta e oito alguma coisa no 10km (finais), é muito forte, nunca tinha feito isso."
Essa equipe multidisciplinar de Caio o acompanha desde muito tempo. Os pais, desde que o marchador nasceu, e o fisioterapeuta Tiago Fonseca, que trabalha com ele há 9 anos. Seu foco é justamente a prevenção de lesões e aumentar a recuperação entre treinos e competições.
Além disso, o fisio também contribui tecnicamente para a melhora de performance da marcha, principalmente por meio dos exercícios de estabilização de quadril e coordenativo de ativação da musculatura de membros superiores e da escápula.
“A marcha atlética possui várias peculiaridades em termos físicos. Ela exige muito da parte técnica e, principalmente, uma capacidade de estabilização articular de quadril. Por isso, há uma demanda aumentada nessa área dos quadris e também na região lateral do joelho, o que exige bastante da musculatura, especialmente dos glúteos médio e máximo”, explicou Tiago, em declarações enviadas à reportagem através da SONAFE Brasil (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e Atividade Física).
Os trabalhos de Caio Bonfim com o fisioterapeuta são realizados semanalmente em Brasília, uma vez que o marchador treina em Sobradinho, cidade-satélite da capital federal, onde seus pais mantém o Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO).
“Durante o nosso acompanhamento, fazemos exercícios de mobilidade, flexibilidade e de recuperação entre treinos. Nos demais dias, que são direcionados para desenvolver a parte de fortalecimento, ele realiza ativações, conforme orientamos para serem realizadas no dia a dia”, completa o integrante da equipe multidisciplinar do medalhista olímpico.
A prata de Caio Bonfim também foi muito comemorada por Tiago Fonseca, que se sentiu subindo ao pódio com o medalhista olímpico.
“O momento pós-prova foi incrível, de muita felicidade, orgulho e, principalmente, gratidão por ter alcançado aquele resultado e estar desfrutando de um trabalho que não foi só de agora, mas sim de muitos anos. Então, é a coroação de um projeto que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos 18 anos, com a formação completa dele desde a base”.
