Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, vão deixar as Olimpíadas de Paris 2024 com medalhas, após garantirem ao menos um bronze em suas respectivas categorias no boxe. As duas, no entanto, tem a trajetória nos Jogos marcada por uma grande polêmica de gênero – e muita desinformação.
A raiz da questão está no fato de as duas terem sido desclassificadas do Mundial de boxe de 2023, organizado pela Associação Internacional de Boxe (IBA, na sigla em inglês). Segundo a organização, as duas não atendiam ao "critério de elegibilidade para participar na competição feminina".
"Essa decisão, tomada após uma análise meticulosa, foi extremamente importante e necessária para manter o nível de justiça e mais ainda a integridade da competição", explicou a IBA, em comunicado após o tema ganhar relevância diante da participação de ambas nas Olimpíadas.
"Importante notar, as atletas não passaram por um exame de testosterona, mas realizaram um teste separado e reconhecido, cuja especificações seguem confidenciais. Esse teste conclusivamente indicou que as duas atletas não atendem ao critério necessário de elegibilidade e têm vantagens competitiva sobre outras competidoras mulheres", acrescentou a organização.
A decisão em questão da IBA aconteceu em março de 2023, com base em testes realizados em Imane Khelif e Lin Yu-ting em 2022 e 2023. Desde então, contudo, a organização, presidida pelo russo Umar Kremlev, perdeu o status de responsável mundial pela modalidade, por denúncias relacionadas a falta de transparência financeira e também contra seus dirigentes.
Essas diferenças com o COI ficam claras quando a entidade responsável pelas Olimpíadas se manifesta sobre a questão das duas boxeadoras. Uma dessas explicações, de por que não reconhecer os testes realizados em Imane Khelif e Lin Yu-ting, foram dadas novamente neste domingo (8).
Porta-voz do comitê, Mark Adams deixou claro que a entidade não vê confiabilidades nos testes da IBA. “Aqueles testes não são legítimos”, afirmou, confirmando que o COI recebeu uma carta da associação de boxe informando sobre a situação das duas boxeadoras.
"A concepção do teste, como o teste foi compartilhado, como o teste se tornou público é tão falho, que é impossível aceitar. Não significa que não pode haver um processo no futuro, nós podemos discutir isso. Mas com a credibilidade da IBA, como é, não há credibilidade nesses testes ou nos métodos sob os quais esses testes foram realizados", encerrou o representante do COI.
Tanto Imane Khelif, na categoria até 66kg, quanto Lin Yu-ting, até 57kg, estão nas semifinais, o que significa que elas já têm assegurada a medalha de bronze, podendo avançar para a decisão e lutar pelo ouro – a argelina compete na terça-feira (6), e a taiwanesa, na quarta (7).
As duas boxeadoras já haviam disputado as Olímpiadas de Tóquio 2020 e saíram sem medalhas. Imane Khelif chegou às quartas de final da categoria até 60kg, mas foi derrotada pela irlandesa Kellie Harrington, que acabou com o ouro derrotando a brasileira Bia Ferreira. Lin Yu-ting, por sua vez, perdeu para a filipina Nesthy Petecio no mesmo peso que o atual.
Em Paris, Imane Khelif atraiu os holofotes logo em seu primeiro combate, quando venceu a italiana Angela Carini em apenas 46 segundos, após a rival abandonar. Nas quartas de final, no sábado (3), o triunfo veio sobre a húngara Anna Luca Hamori, assegurando o lugar no pódio.
Já Lin Yu-ting abriu sua campanha com vitória unânime sobre Sitora Turdibekova, do Uzebequistão, e, neste domingo (4), superou a búlgara Svetlana Kamenova Staneva.
