Se há alguém na seleção brasileira que possa passar dicas à comissão técnica para o duelo contra a França neste sábado pelas quartas de final do futebol feminino nos Jogos Olímpicos, essa pessoa é Ana Vitória.
Após anos de sucesso pelo Benfica, a meio-campista foi contratada pelo PSG na última temporada e conhece bem cinco das jogadoras da adversária, entre elas a artilheira da competição até agora, Marie-Antoinette Katoto (cinco gols).
Em entrevista exclusiva à ESPN no hotel em que o Brasil está hospedado em Nantes, Aninha riu e brincou quando questionada se passou dicas sobre as rivais francesas: "Me pediram umas coisas assim, mas não posso revelar o que foi".
"Eles (comissão técnica) estudam muito os adversários, já estudaram muito a seleção da França, as jogadoras individualmente também", disse a atleta.
Apesar de ser contratada até 2026, Ana Vitória durou pouco no Paris Saint-Germain e logo foi emprestada ao Atlético de Madrid, que a adquiriu definitivamente antes da Olimpíada.
"Foi bem simples", começou a jogadora sobre por que durou pouco tempo no time francês: "Senti que não estava tendo as oportunidades que eu merecia ter, então surgiu a oportunidade de ir para outro grande e abracei a oportunidade".
"Eles no Atlético são muito receptivos, simpáticos, gentis conosco, desde que cheguei me abraçaram de verdade, tem um carinho muito grande internamente. Um lado humano, preocupação com o indivíduo", completou.
No Stade de Beaujoire, a seleção brasileira encontrará um clima diferente com as anfitriãs jogando. Algo que não assusta Aninha.
"Em Paris, encontramos um estádio bem cheio, mas a maior parte ali era a nosso favor, foi legal sentir aquela atmosfera. Agora é preparar psicologicamente, não será a primeira vez que alguém aqui jogará com torcida contra e estádio cheio, estamos muito focadas no que temos que fazer, é não deixar os fatores externos influenciaram nas nossas ações dentro de campo e focar nas ações que controlamos", disse.
Estreante em Jogos Olímpicos, a meio-campista revelou estar surpresa com o calendário apertado, o que fez Arthur Elias evitar um treinamento em campo na última sexta e priorizar a recuperação das atletas.
"É uma competição muito cansativa. É a primeira Olimpíada e não tinha noção disso. Hoje em dia você não corre menos de 10 quilômetros por jogo, alta intensidade, o futebol está muito exigente. Ainda tem viagem, tivemos o azar pegar o problema nos trens e durar quase um dia inteiro (9h de deslocamento do hotel em Bordeaux ao hotel na capital), chegamos em Paris quase à noite", lembrou.
"E eles avaliam tudo, de repente ir para o campo... O campo que disponibilizaram para nós não era muto legal, muito aberto, quem quisesse poderia ir lá e espionar. Acharam que seria mais proveitoso terminar de recuperar para estarmos mais frescas. Mas não é por que não fomos a campo que não treinamos, assistir a vídeos também é treinar", citou a jogadora.
