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De cirurgias no joelho a 'rival de Simone Biles': como Rebeca Andrade virou a maior medalhista do Brasil em Olimpíadas

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ORGULHO DO BRASIL! A história de superação de Rebeca Andrade até fazer 'chover' em Paris (2:22)

Brasileira conquistou a medalha de prata no individual geral (2:22)

Antes mesmo de pisar em Paris, Rebeca Andrade tinha reservado um lugar único na história do Brasil nas Olimpíadas. Foi ela a primeira mulher do país a ganhar a medalha de ouro na ginástica artística, há três anos, em Tóquio. Mas o desempenho nos Jogos de 2024, com a medalha de prata no individual geral, a colocou em um patamar ainda maior.

A "menina" que surgiu em Guarulhos se isola agora como a brasileira com mais medalhas olímpicas, a quarta na carreira, uma acima de Mayra Aguiar e de Fofão. À prata desta quinta-feira (1º), somam-se o ouro no salto e a prata no individual geral em Tóquio 2020, além do bronze por equipes em Paris. Uma bela história, mas que, como a de todo atleta de alto rendimento, nem sempre foi só de alegrias.

Rebeca viveu sua infância na região metropolitana de São Paulo, onde deu seus primeiros passos no esporte que viria a consagrá-la. Como é de praxe com todas as ginastas de sua geração, a primeira inspiração de Rebeca foi Daiane do Santos, uma adoração que virou apelido: "Daianinha de Guarulhos".

Os treinos na cidade-natal duraram até 2010, em um projeto social que atende crianças e jovens entre 7 e 17 anos em Guarulhos. Rebeca, por dificuldades financeiras da família, chegou a parar de praticar diversas vezes, mas contou com o apoio de seus técnicos para manter o sonho vivo.

A vida da campeã olímpica mudou a partir de 2012, quando surgiu a oportunidade de treinar no Flamengo. Foi na Gávea que Rebeca apareceu para o Brasil pela primeira vez, ao vencer o Nadia Comaneci Invitational e se tornar campeã brasileira com apenas 13 anos.

Mas novas lombadas atrapalharam a futura estrela. Entre os 16 e 20 anos, Rebeca passou por três cirurgias no joelho. A primeira a tirou dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, em 2015, a seguinte comprometeu sua participação no Mundial de 2017, enquanto a terceira, já em 2020, parecia o fim.

Rebeca Andrade pensou em desistir. Por sorte, dela e do Brasil, não o fez. E a recompensa apareceu na sequência.

O brilho em Tóquio

Depois das três cirurgias, a atleta do Flamengo retornou ao tablado em 2021 para ganhar o mundo. De volta no Pan-Americano de Lima, ela se classificou para as Olimpíadas de Tóquio e mudou sua vida em solo japonês.

No individual geral, Rebeca liderou a final por boa parte do tempo, mas dois pequenos erros no solo fizeram com que ela terminasse com a prata, a primeira medalha olímpica de uma mulher brasileira na história da ginástica artística.

E a situação melhoraria: no salto, ela quebrou um novo recorde ao se tornar a primeira medalhista brasileira de ouro na ginástica, com uma média de 15.083.

Campeã olímpica, ela ainda faturou outro ouro, no Mundial de Kitakyushu em 2021. Nascia ali uma estrela. E um medo.

A maior rival de Simone Biles

Desde então, Rebeca Andrade conseguiu um feito que parecia impossível: rivalizar com Simone Biles. Considerada por muitos a maior ginasta de todos os tempos, a americana é extremamente dominante e nunca pareceu ter seu reinado, que começou lá em 2013, ameaçado.

Até os últimos anos.

Na Copa do Mundo de 2023, Rebeca superou Biles no salto, maior especialidade de ambas, e venceu a medalha de ouro. Pela primeira vez, Biles se viu ameaçada.

E quem diz isso é a própria americana, que admitiu em um documentário sobre sua trajetória que "Rebeca Andrade é a atleta que mais me assusta".

Em Paris, as duas chegaram como as grandes estrelas, a grande rivalidade da ginástica artística mundial. E, até aqui, as duas só tem se engrandecido.