As Olimpíadas de Paris começam em 10 dias, e quem vive de esporte sabe o quanto é difícil segurar a ansiedade para a maior competição do planeta. O Brasil, representado por mais de 270 atletas na disputa em terras franceses, não foge à regra.
Para preparar a torcida verde e amarela para os Jogos de Paris, o ESPN.com.br decidiu responder à pergunta: como estão todos os brasileiros campeões olímpicos na última edição, em Tóquio-2021?
Em sua última participação nas Olimpíadas, o Brasil conquistou 21 medalhas, das quais sete foram de ouro (mais seis pratas e oito bronzes). Mas aqui vai um spoiler nada agradável: quase metade não vai conseguir "defender" seu título, em Paris.
Ítalo Ferreira
Primeiro campeão olímpico da história do surfe, modalidade que estreou em Tóquio, Ítalo Ferreira é um dos que não vai conseguir defender seu título nas ondas do Taiti. O potiguar de 30 anos segue na elite do surfe mundial e está em 4º lugar do ranking mundial da World Surf League (WSL), mas na temporada passada acabou ficando em 13º na WSL e atrás de quatro brasileiros, então, não carimbou seu passaporte para Teahupo'o porque o limite por país é de três atletas para cada gênero.
Ítalo, no entanto, vai torcer muito para seus compatriotas Filipe Toledo, atual campeão da WSL, João Chianca e Gabriel Medina colocarem, mais uma vez, o Brasil no lugar mais alto do pódio no surfe olímpico. Medina, inclusive, é o grande favorito já que costuma ir bem nas ondas grandes, típicas da região, e foi bicampeão da etapa do Taiti da WSL em 2014 e 2018.
Rebeca Andrade
Rebeca Andrade fez história em Tóquio ao conquistar a 1ª medalha olímpica da ginástica feminina brasileira na história ao levar a prata no individual geral, disputa mais difícil e completa da modalidade. Dias depois, ela brilhou ainda mais ao levar o ouro no salto.
Três anos depois, a brasileira de 25 anos está classificada para sua 3ª Olimpíada da carreira e chega para brigar por até cinco medalhas. No salto, ela é a atual campeã mundial, superando a lenda Simone Biles dos Estados Unidos. No solo e no individual geral, ficou com a prata atrás apenas justamente de Biles.
Ainda no Mundial do ano passado, ela foi bronze na trave, um dos aparelhos mais difíceis do esporte e que teve, mais uma vez, a americana como campeã. Além disso, com Rebeca, a equipe do Brasil também se torna uma das candidatas ao pódio na disputa por equipes. A seleção brasileira foi prata também no último Mundial, mas ficou fora do pódio em 2022.
Ana Marcela Cunha
Ana Marcela Cunha era considerada a grande favorita na maratona aquática nas Olimpíadas de Tóquio e "confirmou" a medalha de ouro na disputa de 10 km no Japão, superando a holandesa Sharon Van Rouwendaal e a australiana Kareena Lee por muito pouco.
Três anos depois, a atual campeã olímpica chega em Paris para defender seu título no Rio Sena, mas com menos "favoritismo" em relação à edição anterior em função da lesão no ombro esquerdo que sofreu em maio de 2022. Alguns meses depois, no final do ano, Ana precisou operar o tendão subescapular.
Em 2023, no Mundial de Esportes Aquáticos de Fukuoka, a baiana de 32 anos ficou com a medalha de bronze nos 5km, mas caiu fora do pódio nos 10 km, a prova olímpica. No início de 2024, no Mundial de Doha, Ana Marcela novamente ficou com o bronze no 5km e em 4º na prova olímpica.
Os resultados nesses mundiais poderiam preocupar. Poderiam. Na última etapa da Copa do Mundo antes de Paris, Ana Marcela Cunha venceu a prova dos 5km na Itália e mostrou que chega, mais uma vez, como uma das favoritas na maratona aquática nas Olimpíadas.
Kahena Kunze e Martine Grael
Kahena Kunze e Martine Grael conquistaram em Tóquio a segunda medalha de ouro consecutiva em Jogos Olímpicos. A dupla brasileira também foi campeã em casa, na Rio-2016, quando venceu regata a regata da medalha na Baía de Guanabara na classe 49er FX da vela.
A paulista e a carioca chegam em Marselha, cidade no sul da França onde será disputada a modalidade nas Olimpíadas de Paris, para tentar entrar em um grupo seleto de lendas do esporte, como Usain Bolt, Kristin Armstrong e Katie Ledecky. Todos esses conquistaram três medalhas de ouro consecutivas e esse é o grande objetivo das brasileiras.
No entanto, a missão não será nada fácil. As velejadoras começaram o ciclo muito bem, subindo ao pódio no Troféu Princesa Sofia de 2022 e 2023, uma das competições mais tradicionais da vela e, no evento teste realizado no ano passado, terminaram em segundo lugar.
Apesar desse começo promissor, o 2º semestre de 2023 e o início desse ano trouxeram alguns resultados que indicam que os ventos podem estar mudando e afastando a dupla brasileira da 3ª medalha de ouro. No Campeonato Mundial de vela do ano passado, Kahena Kunze e Martine Grael terminaram em 12º lugar e no Mundial de 49er e 49erFX, realizado há três meses, elas acabaram em 4º lugar.
Por fim, na última edição do Princesa Sofia, as bicampeãs olímpicas terminaram fora do top 20 e esses resultados fizeram com que a "embarcação brasileira" caísse para sexto lugar do ranking mundial. Mas, com a vaga assegurada com a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago no ano passado, Kahena Kunze e Martine Grael já mostraram que conhecem a rota até o lugar mais alto do pódio.
Isaquias Queiroz
Atual campeão olímpico no C1 1000m, Isaquias Queiroz levou um susto no Campeonato Mundial de Canoagem em Duisburg, na Alemanha, no ano passado. O baiano de 30 anos ficou fora do pódio pela primeira vez em sua prova predileta e quase ficou também sem a vaga para as Olimpíadas de Paris (mas que ele poderia conquistas mais tarde no Pan).
De qualquer forma, o desempenho medalha de ouro em Tóquio chamou atenção e tinha uma explicação: Isaquias optou por desacelerar em 2023 para focar na sua família e no seu lado mental. Deixou o Centro de Treinamento de Lagoa Santa, em Minas Gerais, e voltou para Bahia, onde passou uma temporada em Ilhéus, quase uma hora de sua cidade natal Ubaitaba. Lá, continuou treinando, mas se dedicando mais a família, principalmente pelo nascimento de seu segundo filho.
Então, em 2024, voltou a acelerar e retornou à Lagoa Santa para focar nas Olimpíadas de Paris. Isaquias não deve chegar como favorito ao ouro, mas com muita expectativa para subir novamente ao pódio e ampliar sua coleção de medalhas. Após Tóquio, o canoísta detinha, além da conquistada no Japão, duas medalhas da Rio-2016, uma prata (C1 1000m) e dois bronzes (C2 1000m e C1 200m). Tem como objetivo superar Robert Scheidt como maior medalhista da história olímpica brasileira. O ex-velejador conquistou 5 medalhas, sendo duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.
Por fim, há uma chama de esperança para que Isaquias Queiroz consiga defender seu título no estádio náutico de Vaires-Sur-Marne, a 30 km a oeste do centro de Paris e próximo a DisneyLand Paris. O canoísta foi campeão do C1 1000m na etapa da Copa do Mundo de Szeged, na Hungria, a última antes dos Jogos Olímpicos da França. No entanto, a disputa final não teve a participação dos dois últimos campeões mundiais e principais rivais (Martin Fuksa🇨🇿 e Catalin Chirila) do brasileiro pelo ouro.
Hebert Conceição
Campeão no boxe na categoria até 75 kg, o Hebert Conceição foi responsável por uma das lutas mais memoráveis para o povo brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio. O lutador baiano de 26 anos perdeu os dois primeiros rounds da final, mas conseguiu nocautear (algo muito raro no boxe olímpico) seu adversário no final da luta e saiu com a medalha de ouro do Japão.
No ano seguinte, em 2022, Hebert fez sua transição para o boxe profissional e assinou com a Probellum, promotora global de lutas. No entanto, a empresa se tornou um alvo de diversas sanções após um deus donos, o ex-lutador Daniel Kinahan entrar na lista de procurados devido a suspeitas de um envolvimento com um cartel irlandês de tráfico internacional de armas e drogas.
Desde então, Hebert Conceição disputou seis lutas no profissional e venceu todas, com direito a três nocautes. A última delas, inclusive, foi contra o também medalhista olímpico Esquiva Falcão e rendeu a Hebert o cinturão de campeão brasileiro do peso médio, homologado pelo Conselho Nacional de Boxe (CNB).
A categoria de até 75kg saiu do programa olímpico em Paris, mas o Brasil terá boas chances de conquistar uma medalha no boxe masculino na França. Wanderley "Holyfield" Pereira está na disputa do peso até 80 kg e é cotado ao pódio após ser vice-campeão mundial na categoria Peso-médio. Na atual categoria olímpica mais próxima de Hebert, até 71kg, a seleção brasileira não conseguiu classificar um atleta. Wanderson de Oliveira, o "Shuga", foi o mais próximo na disputa, mas acabou não avançando até as finais do Pré-Olímpico e nem dos Jogos Pan-Americanos de 2023.
Futebol masculino
Se Hebert não vai defender o ouro olímpico em Paris por ter escolhido um rumo diferente na carreira, a seleção brasileira de futebol masculino não pode dizer o mesmo. Campeão em Tóquio-2020 e na Rio-2016, o Brasil não conseguiu se classificar após falhar no Pré-Olímpico continental, disputado na Venezuela, no início de 2024. As duas vagas para a América do Sul ficaram para a Argentina e o Paraguai.
A última vez que a seleção canarinha ficou fora do futebol masculino na disputa olímpica foi em Atenas-2004, na Grécia. Além dos outros recentes, o país tinha subido ao pódio em cinco ocasiões, com três pratas (Los Angeles-1984, Seul-1988 e Londres-2012) e dois bronzes (Atlanta-1996 e Pequim-2008).
O futebol masculino olímpico é disputado com um limite de idade de 23 anos, sendo que cada seleção pode levar três atletas acima dessa restrição. Em Tóquio-2020, o time titular brasileiro que venceu a Espanha na final foi composto por Santos, Daniel Alves, Nino, Diego Carlos e Guilherme Arana; Douglas Luiz e Bruno Guimarães; Antony (Gabriel Menino), Claudinho (Reinier), Matheus Cunha (Malcom) e Richarlison (Paulinho). O técnico era André Jardine.
No final desse último ciclo olímpico, quem assumiu a seleção sub-23 foi Ramón Menezes e, mesmo com algumas estrelas, falhou em conquistar a vaga para as Olimpíadas de Paris. No confronto decisivo contra a Argentina no Pré-Olímpico, o Brasil que foi derrotado pelos hermanos estava representado por Mycael, Khelven, Arthur Chaves, Lucas Fasson e Rikelme (Giovane); Andrey Santos, Aleksander, Gabriel Pirani (Bruno Gomes), Maurício (John Kennedy) e Guilherme Biro (Gabriel Pec); Endrick (Marquinhos).
