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NFL: Os Patriots gastaram R$ 852 milhões em reforços, mas será que vai valer a pena?

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Se a história recente se confirmar, o New England Patriots de 2021 deverá conseguir mais do que as sete vitórias conquistadas na última temporada da NFL. O maior desafio será sustentar isso além deste ano.

Neste domingo, os Jets recebem os Patriots na semana 2 da temporada regular. O fã de esporte vê o duelo pela ESPN no Star+. Confira aqui como assinar para assistir ao melhor do futebol americano.

Considere que de 2016 a 2020, a equipe que gastou mais dinheiro garantido na free agency da NFL subiu em média 5,4 vitórias na temporada seguinte, de acordo com a pesquisa da ESPN Stats & Information. A questão foi a outra temporada, já que as equipes que gastaram mais dinheiro garantido na free agency de 2016 a 2019 tiveram um declínio médio de 5,5 vitórias no segundo ano.

Agora o treinador dos Patriots, Bill Bellichick quebrou o recorde da NFL estabelecido pelo Miami Dolphins de 2020 (147,2 milhões de dólares ou R$ 794 milhões pela cotação da época). Os Patriots garantiram 163 milhões de dólares (R$ 852 milhões) em free agency sem restrições; algo que o proprietário, Robert Kraft, reconheceu ser um negócio arriscado.

É uma abordagem normalmente prevista para as equipes mais desesperadas. Coisa que os Patriots não são.

Mas, saindo de uma inesperada temporada 7-9, embora em um ano de COVID-19, Belichick encheu o caminhão de compras e, desta vez, em um cenário de curto prazo.

"Foi diferente. Foi definitivamente diferente", disse Cris Collinsworth, analista do "Sunday Night Football" da NBC, que estará na cidade para um jogo muito esperado da 4ª semana quando Tom Brady e o Tampa Bay Buccaneers visitam os Patriots.

"Eu acreditava que eles estavam em desvantagem na última temporada por conta de todos os seus opt-outs motivados pela pandemia causada pela COVID e várias coisas que aconteceram, tendo que mudar seu ataque para acomodar o Cam (Newton). Pensei que havia uma sensação de 'vamos recuperar o futebol dos Patriots'".

Os Patriots tiveram oito opt-outs na temporada passada, o maior número da NFL, liderados pelo linebacker Dont'a Hightower. E para Collinsworth, Belichick havia dito que os Patriots não tinham a qualidade que estavam acostumados em 2020, em parte por causa de um teto salarial apertado após terem "esgotado e vencido três Super Bowls" de 2014 a 2019.

Após o reinício do ano passado, New England investiu pesado em jogadores na free agency, em parte por causa de um ponto destacado por Kraft: os drafts recentes não foram tão bons quanto o desejado. Um exemplo disso se refletiu em como o punter Jake Bailey se tornou o primeiro Pro Bowler desenvolvido em casa desde o linebacker Jamie Collins, em 2015.

O mais notável para Collinsworth é o desejo de retornar a um ataque de múltiplos tight ends, uma característica padrão dos times de Belichick que desapareceu em 2020, depois que isso os ajudou a chegar em seis Super Bowls. Assim, os Patriots pagaram caro pelos dois melhores tight ends disponíveis - Jonnu Smith, do Tennessee Titans (quatro anos, 50 milhões de dólares (R$ 260 milhões), e Hunter Henry, do Los Angeles Chargers (três anos, 37,5 milhões de dólares (R$ 196 milhões).

O ideal seria que os Patriots tivessem tight ends que eles draftaram e desenvolveram para formar uma combinação um-dois, semelhante à do início dos anos 2000, quando eles draftaram Daniel Graham e Benjamin Watson, e no início dos anos 2010 com Rob Gronkowski e Aaron Hernandez.


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Mas embora a free agency muitas vezes venha com um aviso de "cuidado ao comprador", os Patriots também consideraram esta oportunidade única neste ano - um reflexo, em parte, do teto salarial decrescente da NFL (o limite de 182,5 milhões de dólares - R$ 954 milhões - por equipe para 2021 foi uma diminuição de 8% em relação à temporada passada) - que reduziu a concorrência de outras equipes.

Os Patriots estavam operando com um superávit depois de terem ficado sem vários jogadores em 2020, e Kraft citou isso como prova de que a equipe estava tentando "tirar proveito das deficiências no mercado".

Assim, o proprietário que pagou 172 milhões de dólares para comprar a equipe em 1994 quase igualou esse total em gastos com free agents nesta offseason.

Além dos tight ends Smith e Henry, as outras grandes contratações foram o linebacker Matt Judon (quatro anos, 54,5 milhões de dólares - R$ 284 milhões); o defensive back Jalen Mills (quatro anos, 24 milhões de dólares - R$ 125 milhões); o defensive tackle Davon Godchaux (dois anos, 15 milhões de dólares - R$ 78 milhões); o linebacker Kyle Van Noy (dois anos, 12 milhões de dólares - R$ 62 milhões); e os receivers Nelson Agholor (dois anos, 22 milhões de dólares - R$ 114 milhões) e Kendrick Bourne (três anos, 15 milhões de dólares - R$ 78 milhões).

"A free agency pode ajudar ou prejudicar você", disse Gil Brandt, executivo do Dallas Cowboys, que foi nomeado ao Hall da Fama do Futebol Americano em 2019. "Um cara pode engordar na free agency e não jogar da mesma forma que jogava quando queria mais dinheiro".

"Mas eu ainda acho que (Belichick) pode construir uma equipe através de escolhas de draft e free agency. Agora, é muito mais difícil montar uma equipe apenas com escolhas de draft quando se está escolhendo o 26, 27, 28, 30 - bem lá embaixo, como estava. Portanto, isso pode te levar a se concentrar em free agents".

Abordagem arriscada

O Philadelphia Eagles de 2011 é a equipe frequentemente mencionada quando se trata dos perigos de construir uma equipe através da free agency.

Eles foram campeões da NFC Leste no ano anterior, terminando com campanha de 10-6, Michael Vick de QB e perdendo para o Green Bay Packers nos playoffs. O Philadelphia adquiriu o cornerback Nnamdi Asomugha (cinco anos, 60 milhões de dólares), o defensive end Jason Babin (cinco anos, 28 milhões de dólares), o cornerback Dominique Rodgers-Cromartie (adquirido em uma troca com o Arizona), o defensive tackle Cullen Jenkins (cinco anos, 25 milhões de dólares) e o quarterback Vince Young (um ano, até 5,5 milhões de dólares), entre outros.

Young, claro, havia se referido a eles como a "Equipe dos Sonhos" – algo que pairou sobre os Eagles durante toda a temporada até que se frustrou com um início de 1-4, precisando vencer seus quatro jogos finais para conseguir ficar em 8-8 no fim.

Mas, mais recentemente, as equipes que adotaram uma abordagem agressiva em free agency muitas vezes experimentaram uma melhora imediata considerável.

O New York Giants de 2016, que garantiu um alto valor de 107 milhões de dólares (R$ 347 milhões pela cotação da época) em free agency na pré-temporada com seus alvos principais Olivier Vernon (pass-rusher), Janoris Jenkins (cornerback) e Damon Harrison (defensive tackle), melhorou para 11-5 vindo de 6-10 em comparação com a temporada anterior. Ben McAdoo estava em seu primeiro ano como treinador, substituindo Tom Coughlin.

O mesmo aconteceu com o Jacksonville Jaguars de 2017. Eles trocaram de treinador, com Doug Marrone assumindo o lugar de Gus Bradley, e foram os que mais gastaram na liga, cerca de 71,6 milhões de dólares (R$ 224 milhões pela cotação da época) garantidos em free agency, encabeçados pelo defensive lineman Calais Campbell, o cornerback A.J. Bouye e o safety Barry Church. Eles saltaram para 10-6 de uma temporada de 3-13.

O Chicago Bears de 2018, o New York Jets de 2019 e os Dolphins de 2020 mantiveram a tendência de que as equipes que mais gastam consigam um sucesso imediato por seu investimento financeiro.

Os Bears de 2018 garantiram 102 milhões de dólares (R$ 418 milhões pela cotação da época) em free agency - com destaque para o wide receiver Allen Robinson II - e fizeram 12-4 após uma temporada 5-11. Esse também foi o ano em que Matt Nagy substituiu John Fox como treinador.

Os Jets de 2019 gastaram 131 milhões de dólares (R$ 539 milhões pela cotação da época) garantidos - nem todos sabiamente -, mas ainda assim saltaram para 7-9 depois de uma temporada de 4-12. Semelhante aos anteriores, eles estavam em transição com Adam Gase assumindo o lugar de Todd Bowles como técnico.

E os Dolphins da última temporada, depois de gastarem 147 milhões de dólares (R$ 793 milhões pela cotação da época) garantidos, saltaram de 5-11 para 10-6 na segunda temporada de Brian Flores como treinador.

Embora os grandes investimentos tenham proporcionado uma solução rápida para essas equipes, o plano não teve longevidade.

Com o destino dos Dolphins a ser determinado, as outras equipes não obtiveram sucesso no segundo ano.

  • Os Giants de 2016 caíram de 11-5 para 3-13

  • Os Jaguars de 2017 caíram de 10-6 para 5-11

  • Os Bears de 2018 caíram de 12-4 para 8-8

  • Os Jets de 2019 caíram de 7-9 para 2-14

Essas quatro equipes somam 10 temporadas desde o ano em que lideraram a liga em pagamentos garantidos, e essas 10 temporadas renderam uma participação nos playoffs e um histórico combinado de 48-112.

O Denver Broncos de 2014 é uma das últimas equipes a verem o resultado de seus investimentos em free agents no segundo ano. Eles fecharam contrato com DeMarcus Ware, o cornerback Aqib Talib, o receiver Emmanuel Sanders e o safety T.J. Ward naquele ano. Todos foram nomeados para pelo menos uma lista do Pro Bowl após chegarem a Denver, e em sua segunda temporada lá, os Broncos ganharam o Super Bowl 50.

O que poderia ajudar os Patriots a serem mais parecidos com esses Broncos do que outras equipes que gastaram muito dinheiro recentemente?

"É o Belichick. Ele me lembra muito (Tom) Landry. Acho que ambos são gênios", disse Brandt.

"A questão é a seguinte: você tem que sentir, e ele tem uma sensação com os jogadores que ele escolheu e o que ele precisa. Um bom exemplo é Stephon Gilmore (o cornerback contratando como free agent em 2016 por cinco anos, 65 milhões de dólares (R$ 211 milhões pela cotação da época). Ele deve ter tido uma sensação muito boa com o cara, e que ele tinha os atributos que não deixavam o seu desempenho cair. No final, ele tem boas informações".

Potencialmente, a campanha de 2021 é promissora também por causa de um bom draft que inclui a escolha de primeira rodada Mac Jones, que derrotou Newton (já dispensado) para ganhar o cargo de quarterback titular.

Movendo as novas peças

Belichick está satisfeito com os free agents dos Patriots até o momento.

"Eles fizeram um bom trabalho. A maioria deles já estava aqui na offseason. Os poucos que não estiveram foram fortes participantes assim que chegaram ao camp de treinamento e ao minicamp", disse ele.

Esse era um ponto que Kraft tinha destacado; como a falta de uma pré-temporada tradicional prejudicou o desenvolvimento dos jogadores mais jovens na última temporada. Com as coisas se aproximando do normal este ano, mesmo com os protocolos COVID-19 em vigor, esses jogadores mais jovens - e as grandes contratações de free agent - tiveram uma transição mais suave e se desenvolveram em programas durante a offseason, atividades organizadas do time e minicamps obrigatórios.

Um exemplo disso é com Judon, que chegou a New England depois de cinco anos com o Baltimore Ravens e foi indiscutivelmente o melhor defensor do time na pré-temporada. Ele disse no evento anual Patriots Premiere que todos da equipe o acolheram, permitindo que ele fosse ele mesmo.

É preciso mais tempo para ver como todas as peças se encaixam, mas o momento positivo foi construído pensando na temporada atual. É verdade que Belichick não está fazendo nenhuma previsão.

"Temos muitas coisas que precisam ser ajustadas, de jogadores que não estavam na equipe no ano passado por qualquer razão - sejam eles opt-outs, novatos, ou vieram de outras equipes da NFL - para se juntarem aos jogadores que estavam aqui no ano passado", disse ele.

"Serão feitas mudanças à medida que começamos a temporada em relação a onde estávamos no final do ano passado".

E muito dinheiro garantido investido. Mais do que nunca.

Portanto, agora vem a parte difícil – alinhar a expectativa por sucesso a curto prazo com o sucesso a longo prazo.