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Mercado da NFL: quais times se deram bem? Seis contratações superestimadas e seis subestimadas

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Estamos há quase uma semana no mercado da NFL, e as equipes não perderam tempo em contratar jogadores assim que o ano de 2021 da liga começou. As melhores ofertas de edge rusher acabaram rapidamente, mas os wide receivers tiveram que esperar um pouco mais, e alguns deles fecharam negócios com desconto.

Como em qualquer período de negociação, algumas dessas contratações estão sendo negligenciadas (subestimadas), enquanto outras estão recebendo elogios além da conta (superestimadas). E dada a primeira redução do teto salarial desde 2011, alguns contratos de grande valor enfrentarão um exame mais minucioso nas próximas semanas.

*Conteúdo patrocinado por Ipiranga, Mitsubishi Motors, Samsung Galaxy, C6BANK e Magalu

Com isso em mente, o Pro Football Focus analisa cada posição e destaca as contratações mais superestimadas e subestimadas até agora. Em muitos casos, estamos usando os números reais do contrato e não os números informados, que às vezes são aumentados e nem sempre refletem o dinheiro garantido verdadeiro. Todas as estatísticas são do PFF, que avalia todos os jogadores em todos os jogos.


Seis contratações subestimadas

Cleveland Browns: John Johnson III, S

Os valores: três anos, R$ 184 milhões (R$ 130 milhões garantidos)

Os Browns entraram na offseason com um dos elencos mais completos da NFL, e a adição de Johnson os leva um grande passo mais perto do status de candidato a título. O ex-safety dos Rams terminou a temporada de 2020 como um dos cinco jogadores defensivos mais valiosos da NFL, de acordo com a métrica Wins Above Replacement (WAR, estatística de vitórias a mais que um substituto) da PFF, e ele fez isso enquanto servia como quem chamava as jogadas para a unidade de cobertura número 1 na liga.

Johnson provou ser capaz de desempenhar qualquer papel em qualquer esquema. Ele registrou notas de PFF acima de 80,0 em três de suas quatro temporadas - todas classificadas em 11º ou superior na posição - e a única temporada abaixo foi em 2019, quando jogou apenas seis partidas devido a uma lesão.

Este foi um “golaço” para os Browns e pode ser a melhor contratação da semana.


Cleveland Browns: Troy Hill, CB

Os valores: dois anos, R$ 49 milhões (R$ 24,6 milhões garantidos)

Este contrato nem mesmo faz de Hill um dos 40 cornerbacks mais bem pagos da liga. Ainda assim, nos últimos dois anos com os Rams, ele foi o 14º melhor em coberturas e o 20º no WAR gerado entre todos aqueles na posição.

Cleveland o contratou neste negócio barato por um único motivo: Hill é um slot corner. É a posição mais desvalorizada do jogo, e os Browns reconheceram isso e aproveitaram a oportunidade. Ao filtrar apenas para slot snaps, Hill salta para o número1 na nota de cobertura do PFF.

Com as contratações de dois dos melhores e mais subestimados defensores do mercado, Cleveland poderia ter vencido a semana de contratações.


Los Angeles Chargers: Matt Feiler, OT

Os valores: três anos, $ 21 milhões

Os Chargers precisavam desesperadamente reforçar sua linha ofensiva nesta offseason. A equipe de 2020 testou oito combinações diferentes de titulares, e a linha ofensiva como um todo ainda combinou para uma nota de PFF de 48,6, a segunda pior marca da última década. Eles fizeram uma grande contratação com o ex-center do Green Bay, Corey Linsley, o jogador mais bem avaliado na posição em 2020, e eles seguiram com a adição de Feiler para tentar resolver seus problemas na frente.

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O ex-jogador de linha de Pittsburgh é versátil, mais do que capaz de ser tackle ou guard. Depois de jogar apenas 750 snaps em seus primeiros cinco anos como profissional, ele finalmente começou uma temporada completa como right tackle em 2019 e terminou com a quinta melhor nota de bloqueio de passes na posição. Ele então mudou para a left guard para a temporada de 2020, onde ficou em 12º lugar na classificação de bloqueio de passe.

A adição de Linsley vai ajudar significativamente esta linha ofensiva em 2021, mas Feiler também terá um grande impacto.


Baltimore Ravens: Kevin Zeitler, G

Os valores: três anos, R$ 120 milhões (R$ 87,5 milhões garantidos)

A dispensa de Zeitler dos Giants pode ser atribuída à situação salarial do time, mas ainda é difícil entender o porquê do jogador não ter funcionado. Sua linha ofensiva foi a unidade de bloqueio de passes de menor nota na NFL na temporada passada, e Zeitler foi de longe o seu protetor de passes de maior nota.

O jogador de 31 anos pode não ser mais o mesmo de Cincinnati e Cleveland, mas ainda está em um nível alto. Ele gerou a 15ª maior WAR entre os guards nas últimas duas temporadas e está em oitavo lugar entre right guards no ranking PFF no mesmo período.

O bloqueio de corrida de Zeitler também será um grande trunfo para o ataque de Baltimore, já que ele ocupa o 13º lugar entre todos os guards em taxa de bloqueio de corrida desde 2019. Ben Powers e Tire Phillips viram cada um 100 bloqueio de corrida como right guard para Baltimore em 2020 e ficaram em 32º e 44º, respectivamente, no ranking de bloqueio de corrida (entre 46 qualificados).


Cincinnati Bengals: Mike Hilton, CB

Os valores: quatro anos, R$ 131 milhões (R$ 32 milhões garantidos)

Como mencionamos, os slot corners são subestimados na NFL. Nickel (formação com 5 defensive backs, sejam cornerbacks ou safeties) se tornou a nova base para uma defesa, e defender o slot é provavelmente mais difícil do que cobrir o lado de fora. De acordo com o nosso modelo WAR, os slots corners provaram ser tão valiosos quanto os outside corners, e Cincinnati acaba de fechar um ótimo negócio com Hilton.

Após não ser recrutado no seu Draft, Hilton não jogou nenhum snap em 2016. Mas ele teve a oportunidade de jogar nickel pelo Pittsburgh em 2017 e desde então se estabeleceu como um dos melhores jogadores da posição. Hilton está em terceiro lugar entre os defensive backs avaliados no ranking de cobertura de slot (87,5), interceptação de passes (44) e desvios de passe (27) nos últimos quatro anos.


New York Jets: Corey Davis, WR

Os valores: três anos, R$ 205 milhões (R$ 145 milhões garantidos)

Esta contratação pode acabar sendo muito boa para um time que há muito tempo tem sofrido na posição. Os Jets não tiveram um único wide receiver terminando entre os 10 primeiros na posição de receiver na última década, e apenas três vezes um WR chegou ao top 25 (Eric Decker em 2014 e 2015; Brandon Marshall em 2015).

Davis está saindo de uma temporada com os Titans na qual terminou em oitavo na posição em nota de receivers com 87,2 e foi quinto em jardas geradas por rota percorrida com 2,58.

Nos dois anos anteriores, apenas 63% de suas recepções foram bem sucedidas, de acordo com nosso processo de recebimento de bola, que ficou em 97º lugar entre 104 wide receivers avaliados. Apesar disso, Davis ainda conseguiu transformar 26,7% de suas recepções totais em um ganho de mais de 15 jardas (nono lugar) nesses dois anos.

Seis contratações superestimadas

Tennessee Titans: Bud Dupree, EDGE

Os valores: cinco anos, R$ 450 milhões (R$ 190 milhões garantidos)

Dupree é uma das apostas mais arriscadas na classe 2021 de free agent. Antes de sair com uma lesão no ligamento cruzado anterior, em dezembro passado, Dupree estava entalhando sacks por todos os lados. É uma estatística atraente pela qual as equipes vão pagar, como ficou evidente na semana passada, mas nem todo sack é igual. Dupree viu mais de 60% de suas pressões em 2020 virem de cortesia para situações livres ou sem bloqueio - de longe a maior taxa na posição - e gerou uma nota modesta de 61,2 para pass-rush que ficou em 71º no ranking entre 105 avaliados.

Essa tem sido a história de sua carreira. Todas as seis temporadas da NFL de Dupree, exceto uma, terminaram com ele ganhando uma nota abaixo de 62,0. Ele pode se gabar de ser veloz, mas não ganha consistentemente em situações reais de um contra um. Sua saída do Pittsburgh provavelmente deixará isso claro.


New England Patriots: Nelson Agholor, WR

Os valores: dois anos, R$ 120 milhões (até R$ 140 milhões; R$ 87,5 milhões garantidos)

Agholor está sendo pago presumindo que ele pode replicar sua produção de 2020 e mais um pouco. Os Raiders o usaram de uma maneira muito diferente da que os Eagles usaram, que o recrutaram na primeira rodada em 2015. Agholor passou de se posicionar predominantemente nos slots e foi para o lado de fora, onde viu rotas cruzadas profundos e lançamentos verticais no ataque de Jon Gruden. Ele era uma ameaça de jogadas explosivas em Vegas. As más recepções atormentaram o velocista (taxa de drops de 15% foi a sexta pior), e enquanto ele acumulou 21 recepções de mais de 15 jardas, 13 delas vieram em só quatro jogos.

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Mesmo supondo que os Patriots possam obter o melhor resultado dessa aposta arriscada em 2021, Agholor tem um salário muito alto em relação aos seus companheiros. Ele ficou em apenas 45º lugar entre 99 classificados em 2020, apesar de ser facilmente sua temporada mais produtiva da NFL. Já vimos o suficiente dele para saber que tipo de receiver ele é; nos cinco anos anteriores a 2020, ele classificou-se em 73º lugar entre 74 wide receivers avaliados.

Esta foi uma das várias contratações inflacionadas pelos Patriots no início período como de free agency.


Los Angeles Rams: Leonard Floyd, EDGE

Os valores: quatro anos, R$ 350 milhões (R$ 175 milhões garantidos)

Os Rams tinham um espaço limitado no teto salarial disponível nesta offseason, decidindo usar o que fosse possível para renovar com Floyd em vez do safety John Johnson III. Considerando que Johnson gerou 8,9 vezes mais PFF WAR do que Floyd em seu melhor ano em 2020, esta foi uma decisão ousada.

Como Dupree, a campanha de Floyd em 2020 foi inflada por um total de sacks impressionante em situações sem bloqueio ou após ajuda numa linha que apresenta discutivelmente o melhor jogador que a NFL já viu, Aaron Donald. Floyd empatou em quinto lugar na temporada no total de sacks, mas terminou em 61º na taxa de pass-rush. Isso provavelmente continuará enquanto Donald estiver dominando, mas os Rams não precisavam investir todo esse dinheiro para mantê-lo. Muitos outros edge rushers mais baratos no mercado poderiam ter os mesmos números em tais condições.

Esse é exatamente o cenário que se desenrolou com Dante Fowler Jr como free agent no ano passado. Seus 15 sacks (sem meio sack) em 2019, em sua única temporada com os Rams, lhe valeram um contrato muito bom com Atlanta. E nos Falcons em 2020, os números do pass-rush de Fowler caíram consideravelmente, levando-o a sofrer um corte de pagamento na semana passada.


Jacksonville Jaguars: Rayshawn Jenkins, S

Os valores: quatro anos, R$ 190 milhões ($ 87,5 milhões garantidos)

Os Jaguars desembolsaram muito dinheiro para Jenkins, que deveria ter conseguido um contrato na ordem de 3 milhões de dólares (cerca de R$ 16 milhões) em um ano, de acordo com as projeções da PFF. Sem mencionar que Jacksonville tinha dinheiro mais do que suficiente para tentar a um safety muito interessante, como John Johnson III.

Jenkins desempenhou vários papéis com os Chargers, e o novo regime de Jacksonville estava procurando versatilidade na posição. Dito isso, Jenkins nunca "surpreendeu" quando estava em campo, independentemente da posição.

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Em 2019, quando ele jogava principalmente como free safety, ele ficou em 39º entre 52 avaliados pelo ranking da PFF. Ele então mudou para uma função mais próxima da linha para a temporada de 2020, caindo para a 50º no ranking da PFF na posição. Sua defesa de corrida também está no final do ranking; entre 73 safeties avaliados desde 2019, Jenkins fica apenas em 63º no ranking.


Cincinnati Bengals: Trey Hendrickson, EDGE

Os valores: quatro anos, R$ 328 milhões (R$ 87,5 milhões garantidos)

Assim como os outros dois edge nesta lista, Hendrickson ganhou um grande prêmio por seu total de sack em 2020. No entanto, a nota de pass-rush da escolha da terceira rodada de 2017 empatou em 41º entre 77 edges em suas quatro temporadas com o Saints.

Hendrickson ostenta 23 sacks em seu currículo na NFL, e 14 deles vieram na temporada passada, ficando atrás apenas de T.J. Watt. Mas desses 14 sacks, 11 estavam em uma situação livre ou sem bloqueio, que é o maior número de PFF registrado por alguém em uma única temporada na última década.

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Pior ainda, Cincinnati poderia ter usado o dinheiro que alocou a Hendrickson para manter um dos seus, como o edge Carl Lawson - que fechou um contrato de 45 milhões de dólares (R$ 245 milhões) com os Jets por três anos. Lawson classificou-se em nono no ranking de pass-rush e terceiro em taxa de vitórias na temporada passada com o Bengals, e também gerou cinco vezes mais WAR do que Hendrickson.


Las Vegas Raiders: Kenyan Drake, RB

Os valores: dois anos, valor máximo de R$ 79,5 milhões (R$ 60 milhões garantidos)

Não é segredo que o PFF valoriza os running backs de maneira diferente dos times da NFL e até mesmo do fã de futebol americano em geral. É uma das posições mais supervalorizadas em campo, mas os Raiders estão pagando a Drake uma boa quantia por ano, e ele nem mesmo vai ser o destaque em seu ataque.

Os Raiders foram atraídos pela capacidade de Drake de produzir no jogo de passes. Embora ele certamente tenha tido a oportunidade de fazer jogadas como recebedor de passes ao longo de sua carreira de cinco anos com os Dolphins e Cardinals, suas notas não correspondem à expectativa. Drake está ranqueado em 51º entre 57 running backs avaliados em nota de recepção desde que entrou para a NFL em 2016, um fator importante para que sua melhor posição no ranqueamento WAR em temporada única na sua carreira fosse a 24º posição em 2018.