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NFL: DK Metcalf, dos Seahawks, superou pescoço quebrado e desconfiança para se tornar uma 'arma letal' na liga

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DK Metcalf fala com seus pés.

Correndo uma rota cruzada dentro da end zone contra o Arizona Cardinals na semana 6, Metcalf, o wide receiver do Seattle Seahawks, observa um passe flutuar perigosamente em direção à end zone. O safety Budda Baker ataca a bola, com quase 100 jardas de grama verde deserta e perfeitamente cuidada à sua frente. Metcalf suspira e sussurra um único comando: "Tudo bem, vá pegá-lo”.

*Conteúdo patrocinado por Mitsubishi, Samsung, C6 Bank e Magazine Luiza

Quando seus pés se encontram na linha de duas jardas, Metcalf já está a 10 de Baker. Quando chega na marca das 30, Metcalf já passou por quase 11 jogadores. Ele chega até a marca de 40 em cerca de 4,5 segundos. E perto das 50, depois que até Russell Wilson abandona toda esperança de pegar Baker, Metcalf está sozinho. Enquanto ele acelera para quase 37 km/h que, segundo ele, ainda está abaixo de sua velocidade máxima, seus braços estão sedentos por ação.

Metcalf, que tem 1,93m e 104kg, chega até Baker e impede o defensor dos Cardinals de marcar um touchdown.

"Como ele me pegou?" Baker grita após o tackle. "Que diabos?"

É uma resposta que Metcalf obteve muito durante essa temporada - um ano tão fora da curva que este esforço em particular, o tackle que Pete Carroll chama de "a jogada do século", pode nem mesmo ser o melhor trabalho de Metcalf. Na semana 2, ele intimidou e envergonhou o CB do New England Patriots, Stephon Gilmore, atual jogador defensivo do ano da NFL. Ele seguiu com recepções de cair o queixo e vitórias contra Dallas e Minnesota, e então ele teve um dos melhores jogos de todos os tempos por um recebedor de Seattle (12 recepções, 161 jardas e dois TDs) contra o San Francisco 49ers.

“Ele tem superpoderes, em certo sentido”, diz Carroll. "O que ele não pode fazer?"

Agora entre os quatro primeiros da NFL em touchdowns recebidos (oito), jardas por recepção (18,1) e jardas recebidas (816), Metcalf foi comparado a um jovem Calvin Johnson, ganhou um novo apelido, "Baby Bron", do próprio capitão dos Lakers, e aumentou as expectativas sobre um retorno ao Super Bowl para os Seahawks. "Parece que ninguém pode impedi-lo, não importa o que façam", diz Metcalf sobre o ar rarefeito que está desfrutando agora. "Parece que você está no topo do mundo."

Dois anos atrás, no início da ascensão de Metcalf, a visão era muito diferente. Depois de uma lesão no pescoço em Ole Miss, vulnerável e assustado, ele ergueu os olhos de uma cama de hospital enquanto os médicos o informavam que ele nunca poderia jogar futebol americano novamente. Eles estavam errados. Poucos meses depois, de fato, Metcalf estourou em cena como a estrela viral (e muitas vezes sem camisa) do Combine de 2019 e a eventual escolha de segunda rodada dos Seahawks. E em Seattle, uma tempestade perfeita de ingredientes criaram um monstro na NFL.


AS ÚNICAS PESSOAS no mundo que não ficaram chocadas com a jogada de Metcalf para cima do defensor dos Cardinals estavam sentadas dentro do estádio naquela noite, nove fileiras atrás do banco dos Seahawks. Enquanto seu primogênito passava voando, Tonya e Terrence Metcalf gritaram para DK, a criança que eles ainda chamam de DeKaylin. O momento, no entanto, parecia justificar a invocação de uma terceira opção: "Lil Muscle", o apelido dado a DK pelos companheiros de equipe de Terrence em Ole Miss, onde ele foi um jogador de linha ofensiva All-American em 2001 antes de jogar sete temporadas no Chicago Bears.

"Ele era apenas um bebezinho com bíceps todo em forma", diz Terrence, que apresentou seu pequeno guerreiro à sala de musculação quando DK ainda era praticamente uma criança. "Ele já mostrava muita força quando era criança". Antes que os treinadores de força e condicionamento dos Bears o avisassem sobre o atrofiamento do crescimento de DK - uma preocupação que parece cômica agora - Terrence jura que ‘Lil Muscle’ conseguia fazer 22kg no supino e agachamento com 45kg com apenas cinco anos de idade. Essa é uma afirmação difícil de verificar, no entanto, quando os Bears de 2006 ganhou o jogo do campeonato da NFC, DeKaylin de 9 anos teve poucos problemas para carregar o pesado George Halas Trophy de volta ao armário de seu pai dentro do Soldier Field.

Quando a família voltou para Oxford, Mississippi, Terrence e um DK no ensino médio corriam juntos no Vaught-Hemingway Stadium e depois completavam uma série de corridas de 110 jardas - aproximadamente a mesma distância, coincidentemente, da jogada contra os Cardinals. DK sempre ficava atrás do pai, até fingindo um ataque de asma para ganhar tempo para respirar. E então, quando DK atingiu a sétima série, algo mudou. "Naquele dia, ele me venceu", disse Terrence. "E eu disse a ele: 'Há algo especial em você’”.

Metcalf seguiu seu pai até Ole Miss e, apesar de ter perdido a maior parte de sua primeira temporada com um pé quebrado, recebeu 14 TDs em seus primeiros 21 jogos, com uma média de 18 jardas por recepção. Mas no meio de seu segundo ano de red shirt, durante um jogo chuvoso no Arkansas, Metcalf estava abrindo caminho em um retorno inicial quando um capacete o atingiu sob seu queixo, jogando sua cabeça para trás enquanto torcia violentamente seu pescoço além do ombro. Ele voltou ao campo para outra jogada antes que uma dor forte no braço esquerdo o fizesse cair de joelhos. Mandado para o vestiário para um raio-X, Metcalf passou o resto do jogo sem equipamento e usando um suporte para o pescoço, acreditando que ele tinha sofrido uma lesão até que comum.

Como precaução, no dia seguinte, Metcalf foi a um hospital em Oxford para uma tomografia. Quando os resultados chegaram, ele recebeu uma ligação do treinador da equipe implorando-lhe para "correr direto para a sala de emergência". A porrada danificou sua espinha, lascando um pedaço de sua vértebra C4, que havia ido parar em um nervo do ombro, a milímetros de sua medula espinhal.

Metcalf não tinha uma lesão comum.

Ele estava com o pescoço quebrado.

"Foi quando o médico disse: 'Você pode não conseguir jogar de novo. O futebol americano deve ser a última coisa em sua mente, e você precisa fazer uma cirurgia'", disse Metcalf. "Ele disse que se eu tivesse levado um golpe mais forte, o osso teria perfurado minha medula espinhal e eu teria ficado paraplégico”.

Sentado sozinho na sala de espera do hospital, Metcalf começou a ligar para Tonya, que estava voltando de Little Rock para Oxford, onde ficou com parentes depois do jogo. A cada ligação, a voz de DK ficava mais desesperada enquanto Tonya passava pelo trânsito em direção ao hospital.

"Fora do futebol americano, estou pensando no meu filho e como ele poderia ter ficado em uma cama de hospital em nossa sala de estar pelo resto da vida", diz Tonya, com lágrimas escorrendo pelo rosto com a memória: a agonia de tentar alcançar seu filho durante o momento mais duro de sua vida.

“Chegamos lá, corremos e eu simplesmente o abracei”, diz ela. Com sua mente correndo e desesperada para confortar DK, Tonya deixou escapar: "Filho, está tudo bem, as pessoas quebram o pescoço o tempo todo e voltam”.

Embora seus filhos ainda zombem dela por causa de suas palavras ao lado da cama, Tonya acabou estando certa. DK passou dois dias angustiantes e preocupados com o fim de sua vida no futebol americano. Ele até começou a pensar em estudar gastronomia antes que outro neurocirurgião reexaminasse a tomografia computadorizada e determinasse que, após a cirurgia e meses de reabilitação, DK não correria maior risco quando voltasse ao campo. Processar aquela mudança repentina de sorte ainda parece causar vertigem no jogador dos Seahawks. Especialmente quando eles se lembram de DK após o procedimento, imóvel em sua cama de hospital, com oxigênio e usando uma enorme cinta cervical com sangue das suturas vazando pelas bandagens.


Quando DK acordou após a cirurgia, Terrence sussurrou para o filho: "Nada que ninguém diga a você determina o seu fim. É tudo sobre o que você faz quando se levantar desta cama".

DK respondeu: "Sim, senhor”.

“Eu me encontrei, minha verdadeira vocação na vida, enquanto estava sentado em casa por um mês e usando um colar cervical em uma poltrona reclinável”, diz DK. "Eu disse a mim mesmo: 'Lembre-se desses dias, porque esses dias farão de você quem você é’. Isso me transformou na pessoa que sou hoje, apenas por estar em casa, pensando sobre a vida, sobre como quero ser daqui a cinco meses ou dez anos”.

Três meses depois, os médicos o liberaram para começar a treinar novamente. Mas não para um retorno à SEC, os Metcalfs decidiram - por uma chance na NFL. Foi uma jogada arriscada. Depois dos problemas no pé e no pescoço, os olheiros categorizariam DK como sujeito a lesões. E com menos de duas temporadas de ação, a sorte de DK como profissional se resumiria a uma franquia que não se importava em investir uma escolha alta no draft e alguma paciência em um jogador que ainda precisava de muito desenvolvimento.

O lado positivo: enquanto a maioria dos jogadores universitários tem oito semanas para treinar para o Combine, DK teve três meses inteiros para se concentrar e se preparar mentalmente - e ele fez isso com o vigor e a alegria renovados de alguém que esteve a um milímetro de perder tudo. Após 30 dias no centro de treinamento EXOS na Flórida, com a palavra "milagre" agora tatuada em suas costas, DK enviou a seus pais uma foto para mostrar seu progresso. Sua gordura corporal já estava perto de 2%. Os Metcalfs mal reconheceram o garoto que alguns meses antes estava deitado imóvel na cama do hospital. Um guerreiro ao longo da vida recebeu o superpoder da perspectiva com apenas 21 anos: DK atacou até os treinos mais normais e dolorosos como se fossem um privilégio.

Semanas depois, Metcalf foi coroado a estrela do Combine após uma corrida de 40 jardas de 4,33 ("Eu pensei que ele correria mais rápido, como um 4,29", diz seu pai), uma vertical de 40,5 polegadas e outros feitos impressionantes que atraíram elogios de Patrick Mahomes e Jerry Rice no Twitter. Antes mesmo de deixar o campo no Lucas Oil Stadium após os treinos, Metcalf fez uma chamada de FaceTime emocionante com sua família para comemorar seu primeiro grande passo em direção à NFL. As palavras de Tonya abriram uma janela para os consideráveis desafios mentais que ele enfrentava. Muita pouca experiência universitária. Cirurgia recente da coluna vertebral. Dúvida. Algum reconhecimento nas redes sociais, mas não muito mais do que isso.

"Você merece isso, filho, eu te prometo", disse ela.

DK respondeu: "Sim, senhora"

Junto com as lágrimas, sua performance no Combine também inspirou uma das entrevistas mais estranhas da história do draft. Enquanto as fotos de Metcalf sem camisa se tornavam virais, e para quebrar a monotonia das avaliações dos jogadores, um olheiro de Seattle pressionou Metcalf a também tirar sua camisa antes de se sentar com os Seahawks. Carroll, é claro, não perdeu o trem, tirando imediatamente a camisa também. "Uma visão assustadora", diz Metcalf, rindo. "Ele perdeu alguns dias de abdominais, na minha opinião. Mas ele mostrou o tipo de pessoa que é e o tipo de treinador que é. Foi um momento relaxante. A reunião foi muito bem”.

"Há um outro nível de jogo que pensamos que podemos atingir, eu e ele. Queremos ter uma relação do tipo Joe Montana-Jerry Rice" Russell Wilson

Ser o grande vitorioso daquele Combine levou Metcalf ao topo da lista dos especialistas. Também lhe rendeu um convite para a primeira rodada do draft. Mas havia dúvidas: as equipes estão sempre com medo de escolher o próximo Mike Mamula, uma sensação do Combine e uma escolha de primeira rodada em 1995, que foi uma decepção colossal para os Eagles. A palavra sussurrada era "difícil": é uma linguagem de olheiro para um jogador que precisa ser trabalhado, que tem dificuldades com qualquer coisa além de rotas previsíveis em linha reta.

Tudo isso conspirou para fazer de Metcalf o Aaron Rodgers do draft de 2019. Com câmeras coladas na família, DK esperou o dia todo em Nashville sem ouvir seu nome ser chamado. Em vez de ficar por aí para mais torturas televisionadas no dia 2, naquela noite a família dirigiu quatro horas de volta a Oxford - em silêncio total. No momento em que os Seahawks ligaram antes de selecioná-lo com a última escolha da segunda rodada, um Metcalf emocionalmente esgotado, em lágrimas, perguntou a Carroll: "Por que vocês esperaram tanto, cara?"

Por um tempo, Metcalf usou essa “queda” no draft como motivação, até mesmo escrevendo o número (64) em seu novo armário em Seattle. É uma coisa difícil de processar, ser rejeitado 63 vezes seguidas, quase todas passando ao vivo, por aquilo que você ama mais do que qualquer outra coisa no mundo. Mas o primeiro passo na transformação de Metcalf foi a rapidez com que ele foi capaz de aceitar o quão sortudo ele tinha sido por essa “queda”. Cinco escolhas depois, ele seria um jogador do Jacksonville Jaguars. Seis escolhas antes, ele seria dos Cowboys, pegando passes de um futuro apresentador de podcast.

Em vez disso, Metcalf foi parar exatamente onde deveria, uma família: um quarterback que lidera como um irmão mais velho, um treinador de jogadores da nova era que o motiva como um pai e um vestiário cheio de mentores que o protegem como mães. "Eu vim parar no local perfeito”. Na verdade, ele flutuou até lá.


A conexão entre um QB e seu WR é tão vital na NFL atual. Os rituais que unem quarterbacks e recebedores são mais importantes do que nunca. Desde que Metcalf foi escolhido, ele passou incontáveis horas em San Diego, L.A. e Seattle, geralmente começando às 5:20 da manhã, aperfeiçoando e expandindo seu repertório de rotas sob o olhar atento de Wilson. "Não há fórmula secreta. É preciso tempo, repetições, e ter a intenção de melhorar", disse o tight end de Seattle, Greg Olsen, de 35 anos, que foi draftado pelo Chicago Bears em 2007 e jogou ao lado de duas gerações de Metcalfs. “DK quer aprender a todo tempo”.

Wilson e Metcalf passaram tanto tempo juntos que os dois jogadores dizem que em algum momento se tornaram mais irmãos do que companheiros de equipe. "Ambos estamos tentando descobrir a chave para a grandeza", diz Wilson. Então, quando a COVID-19 chegou, e com sua esposa, Ciara, que esperava um bebê em julho e não pôde deixar o lugar onde eles passam a off season, Wilson convidou Metcalf para se juntar a eles no extremo sul da península de Baja. E foi lá, depois que a dupla levou a ligação QB-WR a um nível totalmente novo, que Metcalf começou a destravar o seu potencial impressionante.

Metcalf nunca tinha estado fora dos EUA, mas ele sabia exatamente o que levar na mala para umas férias com Wilson.

"Trouxe suas chuteiras?" Wilson perguntou assim que pousou.

"Claro", respondeu Metcalf. "Trouxe meu capacete também”.

Entre o golfe e os treinos, Metcalf revelou a seu novo irmão mais velho sua única deficiência atlética: ele tinha pavor de água e não sabia nadar. Quando DK tinha 4 anos, sua mãe o colocou em aulas de natação, mas no primeiro dia, com Tonya filmando tudo, DK seguiu alguns nadadores mais avançados direto para a piscina. Depois de um grande mergulho, as outras crianças ressurgiram e começaram a remar. DK afundou. E ele permaneceu no fundo da piscina, olhando para a superfície, intrigado, por vários segundos antes de Tonya largar a câmera e pular para resgatá-lo. Ela tentou novamente quando DK tinha 8 anos, mas ele não conseguia. "Ele nunca mais voltou", diz ela. "Ele simplesmente não conseguia superar esse medo”.

De alguma forma, porém, Wilson conseguiu persuadir Metcalf a entrar na piscina rasa de sua casa de férias perto de El Dorado, usando técnicas adquiridas diretamente do próprio Michael Phelps. Segundo os instrutores de natação, "Deus é a segunda melhor opção, na minha opinião", diz Metcalf. Usando óculos emprestados, Metcalf seguiu as instruções de Wilson para se sentir confortável soprando bolhas debaixo d'água. Uma vez que Metcalf estava relaxado - e confiante de que Wilson estava de costas - a progressão foi muito parecida com a do campo de futebol: sua capacidade atlética assumiu e ele parou de pensar demais, sendo aliviado pela gravidade, indo para frente em vez de afundar. "Em alguns anos", diz Metcalf, "vou tentar derrubar Michael Phelps”.

Para Metcalf, o extenso encontro com Wilson no México também foi uma grande bênção. Há um outro nível de jogo que pensamos que podemos atingir, eu e ele”, disse Russell Wilson. “Queremos ter uma relação do tipo Joe Montana-Jerry Rice”.

Passamos muito tempo a sós treinando, e isso definitivamente apareceu de muitas maneiras diferentes até agora”.

Em uma de suas sessões de passes, filmada habilmente por Ciara, Metcalf corre um fade para a linha lateral, acomodando-se em um espaço aberto criado entre as zonas em um esquema Cover 2. Em vez de continuar para a linha lateral ou voltar para buscar a bola, Metcalf para e mais uma vez instrui seus pés: elevar. Antecipando essa jogada, Wilson coloca a bola onde apenas Metcalf pode pegá-la. Se eles não estiverem na mesma página, a bola passaria 1,5 metro acima da cabeça de Metcalf. Em vez disso, Metcalf sobe e faz a recepção.

Avancemos para a semana 5, durante a vitória contra o Minnesota Vikings. Perdendo por 26-21 com 1:21 para jogar, os invictos Seahawks estavam enfrentando uma 4ª descida para 10 jardas valendo a partida. Wilson e Metcalf conseguiram uma conexão de 39 jardas em uma jogada como aquela que Ciara filmou no México. Na verdade, várias das jogadas que eles fizeram remetem ao tempo que passaram juntos no México. Como Olsen disse, não há varinha mágica para se tornar um recebedor pro-bowler - trata-se de muitas repetições e uma quantidade quase entorpecente de estudo.

"Tive a sensação de que ele iria jogar a bola para mim", disse Metcalf. "O que estava acontecendo era: vou deixar a bola vir até mim ou vou atacar a bola? Porque no ano passado, eu sempre deixava a bola chegar. Então, eu dizia para mim mesmo que era um ano de crescimento, que ele confiava mais em mim nessa situação. E tudo vem dos treinos no México”.

Depois de ouvir histórias de terror de seu pai sobre a forma como os novatos da NFL eram frequentemente tratados, DK diz que entrou em seu primeiro training camp Seahawks "preparado para lutar – só para que todos soubessem que ninguém iria tratá-lo mal”. Mas muita coisa mudou na NFL desde que seu pais jogou, especialmente sob o comando de um treinador como Carroll, que permite a música durante os treinos, incorpora ioga, meditação e está constantemente pregando sobre o poder da atenção plena e energia positiva do grupo.

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No sistema de Carroll, os veteranos não ameaçam os novatos, eles os orientam. Mesmo às terças-feiras, normalmente os dias de folga dos jogadores, DK treina com o cinco vezes all-pro linebacker Bobby Wagner. Eles começam às 7 da manhã com Kendrick Lamar como trilha sonora e fazem algumas abdominais e um treino leve de perna, e então Wagner analisa os vídeos do último jogo. "Falamos sobre coisas da vida", diz Metcalf. "Ele fala sobre livros que quer que eu leia, que ainda não li. Ele fala sobre como cuida de sua família e como economiza seu dinheiro. São lições de vida que o Bobby me dá”.

Em menos de um ano, Metcalf passou de um novato robótico - com essencialmente três rotas em seu repertório (fade, slant e cross) e sem a técnica para disfarçar seu caminho ou usar sua força de mão ridícula para criar separação – para um trator. Um verdadeiro trator. Ele é um ingrediente importantíssimo no esquema #LetRussCook do coordenador ofensivo Brian Schottenheimer - não é uma tarefa pequena para um ataque enfrentado a cada semana com o fardo monumental de tentar marcar mais pontos do que a defesa anêmica dos Seahawks vai permitir. E em nenhum lugar sua chegada foi mais clara do que durante o confronto da Semana 2 de Seattle contra New England.

Enfrentando Gilmore, um dos melhores defensores da liga, Metcalf dá o tom no primeiro snap - com uma homenagem ao seu pai, bloqueando Gillmore. “Eu sabia que tentaria colocar a cabeça dele no chão”, diz Metcalf.

Já fisicamente superado em sete centímetros e 13kg, Gilmore fica ainda mais atrasado quando, na 2ª para oito jardas na linha de 46 jardas do campo de Seattle, Metcalf se alinha no slot. A maior parte do filme que Gilmore estudou teria mostrado Metcalf como um novato alinhado fora dos números. Desse ponto, era certeza que ele iria correr um fade ou um slant - rotas menos técnicas e mais físicas. Quando se alinhou no interior em 2019, Metcalf se limitou a fazer rotas cruzadas, algo facilmente percebido por seus marcadores.

Mas as coisas estão diferentes este ano.

"Sinto que confiança é a palavra para esse assunto", diz Metcalf. "Confiança em mim mesmo. Confiança no trabalho que eu tive durante as férias. Confiança de que toda vez que a bola estiver no ar, vou cair com ela. Confiança de que posso fazer qualquer jogada no campo, seja para receber um passe ou para bloquear alguém”.

Após o snap, não dá mais para saber o que ele vai fazer. Agora, reconhecendo que os Patriots estão na cover 1 (apenas um safety no fundo do campo), Metcalf corta por dentro sabendo que tem que fazer duas coisas com a cabeça e as mãos enquanto se move em alta velocidade: primeiro, ameaçar a rota profunda apenas o suficiente para congelar o safety e, segundo, fazer com que Gilmore morda a isca.

Com o safety paralisado e Gilmore rastejando, Metcalf diz ao seu obediente pé esquerdo para plantar, e em uma demonstração de agilidade e poder de tirar o fôlego, ele muda instantaneamente de direção, separando-se de um Gilmore atordoado enquanto se dirige para o poste da end zone. Russell faze o passe, mas ele vem curto, então o trabalho de Metcalf não está concluído. Primeiro, ele tem que "empilhar" Gilmore – um movimento que requer muita força física - antes de receber a bola, tirando Gillmore de suas costas para um touchdown.

Este touchdown, contra o melhor cornerback da liga, é tão técnico, cheio de nuances e explosivo quanto o percurso de corrida pode ser. É a resposta de Metcalf às mensagens de texto que seu pai o envia quase todos os dias: seja lendário. "Ele é um tipo especial de jogador", diz Olsen. "E há muito espaço para crescimento. Ele provavelmente está apenas começando, e isso é um pensamento assustador”.

É algo que Wilson já contemplou, é claro. Metcalf recentemente recebeu uma mensagem de seu QB que dizia: Peyton Manning e Marvin Harrison têm o recorde de mais touchdowns por uma dupla de QB-WR com 114. Mesmo no ritmo atual, Metcalf e Wilson levariam cerca de 10 temporadas para perseguir e superar esse recorde. "Eu tenho isso na minha mente toda vez que vou jogar, toda vez que vou treinando", diz Metcalf. "Esse é o recorde que deve ser derrubado por nós. É isso que queremos”.

Com Metcalf perseguindo algo, pergunte a Budda Baker o que acontece a seguir...