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Lave, enxágue e repita: Jogadores da NFL ainda trocam camisas, mas é tudo diferente no 2020 da COVID-19

Conteúdo patrocinado por MItsubishi, Samsung, C6 Bank e Magazine Luiza

Nos segundos finais de Kansas City Chiefs x New England Patriots na semana 4 da NFL, o quarterback Patrick Mahomes ajoelhou para consolidar a vitória por 26 a 10.

Quando ele se levantou, vários jogadores dos Patriots foram em sua direção, prontos para demonstrarem respeito ao MVP do último Super Bowl.

Depois de cumprimentar rapidamente os defensores Byron Cowart e Anfernee Jennings, Mahomes se virou e encontrou o cornerback Stephon Gilmore, que estava esperando por ele. Quando Mahomes foi em direção a Gilmore, os dois jogadores fizeram o impensável.

Eles se abraçaram.

Antes um ritual normal de pós-jogo, os abraços durante a pandemia do coronavírus se tornaram algo evitado. Mais tarde, Gilmore testou positivo para a COVID-19 e Mahomes, apesar do contato, não contraiu o vírus.

O contato pessoal após os jogos não é a única vítima da guerra contra a COVID-19. A NFL fez parar a tradição amada pelos jogadores: as trocas de camisas depois das partidas.

A NFL anunciou em julho que a troca de uniformes entre jogadores seria proibido em 2020, e os jogadores responderam rapidamente.

O cornerback Richard Sherman, do San Francisco 49ers, comentou no Twitter (com vários emojis de risada): “É o exemplo perfeito de como a NFL pensa. Os jogadores podem ter contato total durante o jogo, e eles dizem ser seguro. Mas afirmam que não é seguro trocar camisas depois do jogo.”

“É uma bobagem”, comentou o quarterback do Houston Texans Deshaun Watson quando soube da proibição da liga. “Quer dizer que podemos dar tackles uns nos outros por 60 minutos, mas, depois do jogo, não podemos trocar de camisas? Não faz sentido.”

Depois de mais pressão dos jogadores, a liga encontrou uma solução. Dias antes da abertura da temporada 2020 em setembro, a regra definiu que os jogadores poderiam trocar as camisas, mas que isso deveria ser feito pelos responsáveis dos uniformes de cada time. As camisas dos jogadores que querem fazer a troca seriam lavadas, enxaguadas e enviadas por correio.

“É uma ótima oportunidade de ainda poder fazer as trocas”, disse o running back do Las Vegas Raiders Josh Jacobs, que disse para o responsável pelos uniformes, Bob Romanski, que gostaria de trocar camisas com Stefon Diggs, wide receiver do Buffalo Bills, antes do duelo na semana 4.

A defesa dos Bills segurou Jacobs a 48 jardas em 15 corridas, a menor marca dele nas primeiras oito semanas, mas receber uma camisa uma camisa em casa dias depois pode ter ajudado Jacobs a esquecer da derrota por 30 a 23 em Buffalo.

“Honestamente, é como ganhar um troféu quando você recebe a camisa. Quando ela chega, parece um presente numa caixa. É quase como o Natal.”

Um sinal de respeito

Como os rápidos cumprimentos que os jogadores dos Patriots conseguiram de Mahomes depois do jogo, uma camisa assinada pelo seu rival é o maior sinal de esportividade e respeito entre competidores.

Ou, em alguns casos, a troca mostra um reconhecimento de excelência por seus colegas.

Desde suas temporadas de calouros em 2017, os running backs Christian McCaffrey do Carolina Panthers e Austin Ekeler do Los Angeles Chargers são dois de quatro jogadores da NFL que já alcançaram pelo menos 1500 jardas terrestres e 1500 jardas aéreas. Os outros são Alvin Kamara do New Orleans Saints e Todd Gurley II do Atlanta Falcons.

“É preciso haver algo especial por trás disso”, disse Ekeler sobre o processo de escolher com quem trocar as camisas.

"McCaffrey e eu treinamos juntos. Ele era uma grande promessa, e eu era o cara do lado… Austin Ekeler, de uma escola da Divisão II. Eu sempre me comparava a ele e ficava pensando, ‘Ok, como posso me comparar a eles? E isso sempre me ajudou mental e fisicamente.”

Seja qual for o motivo e o relacionamento, os jogadores têm seus próprios protocolos quando o assunto é a transação.

“Se você não teve conversas antes, como por Direct, então precisa conversar antes do jogo, ‘Cara, quero trocar camisas com você, eu topo,’” disse o linebacker do Indianapolis Colts Darius Leonard, que lista Derrick Henry, dos Tennessee Titans, Watson e McCaffrey entre os principais de sua coleção.

“Também há momentos em que você não sabe que vai trocar a camisa com alguém menos conhecido. Você chega e diz, ‘Cara, você fez um grande jogo. Quero trocar a camisa.’ E isso é um sinal de respeito.”

A troca ‘costuma ser natural'

“Você faz parecer que não é!”, disse rindo o defensor do Saints Cameron Jordan quando foi pedido para descrever o processo de troca de camisas. Depois, ele explicou.

“Costuma ser algo natural: ‘Mano, queria essa camisa. Vamos trocar.’

“‘Cara, eu amei seu jogo.’

“‘Mano, vamos trocar de camisa.’”

Jordan é o orgulhoso dono de dúzias de camisas que já foram usadas por algumas lendas do esporte: o tight end Jason Witten, o running back Adrian Peterson e o defensive end Von Miller, para começar. Mas sua grande posse é a última camisa usada pelo ex-defensive end dos Panthers e futuro membro do Hall da Fama Julius Peppers.

Mas por mais simples que a troca de camisas com rivais possa parecer, ainda há regras não faladas.

Os elogios de um lado só não são parte da transação. Caso contrário, as coisas podem ficar… estranhas.

“De vez em quando”, disse Jordan, “um jogador de linha ofensiva pede sua camisa. Como defensor, você não fica inclinado a aceitar essa camisa, mas como homem você meio que precisa.

“Ou você é um cara de practice squad e não jogou nenhum snap. Você chega e pede, ‘Cara, vamos trocar?’”

Jordan deu de ombros levemente, dramaticamente, e pausou. “Agora… você está me deixando em uma situação ruim. Eu não quero a sua camisa. Não te conheço. Acho que vai ser um negócio de um lado só.

“Você não pode chegar até uma lenda dizendo, ‘Me dá sua camisa.’ Há uma ordem nisso.”

Por exemplo, pedir para trocar de camisa com Peppers?

“Ah, eu garanti que tinha as minhas credenciais”, comentou Jordan. “Eu já tinha três ou quatro Pro Bowls.

“Queria garantir que eu não era um qualquer.”