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NFL: 'Meio brasileiro', kicker dos Colts é filho de pernambucana, torce pelo Náutico e tem Ronaldinho como ídolo

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Nos Colts, Rodrigo Blankenship conta como é substituir Vinatieri: 'Me inspirei nele, é o maior de todos os tempos' (1:23)

Filho de brasileira, sensação dos Colts conversou com o ESPN.com.br (1:23)

Na semana 1 da temporada da NFL, o Indianapolis Colts pela primeira vez em 15 anos iniciou uma jornada na liga sem que o kicker titular fosse o lendário Adam Vinatieri, tido como o maior de todos na posição. No lugar da tradicional camisa 4, estava o número 3 estampado nas costas de quem estava chutando kickoffs e field goals. Por dentro do capacete, um incomum par de óculos para jogadores de futebol americano. O "Blankenship" escrito na parte de trás do ombro dá a impressão de se tratar de um atleta norte-americano.

Mas o primeiro nome "Rodrigo" mostra que ali pode ter alguma influência de terras verde-amarelas por conta de um nome bem popular por aqui.

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E de fato é assim. Rodrigo Blankenship, kicker titular dos Colts, tem mãe brasileira. "Ela é de Recife, ela cresceu lá. A família dela mora lá. Ela veio para os EUA para fazer faculdade e começou essa parte da vida dela aqui. Muitos dos meus parentes maternos ainda moram no Brasil. Quando eu era mais jovem, nós íamos todo ano ver minha família. Nas férias e no Natal. Quando eu entrei no colegial, os voos ficaram mais caros e não conseguíamos ir tanto quanto gostaria. Eu fui uma ou duas vezes no colegial e outra vez na faculdade também. É sempre legal voltar para minhas raízes e ver minha família, relaxar", contou o atleta de Indianapolis, à ESPN.

"Eu amo feijoada, amo picanha, amo pãozinho de queijo. Amo muitas comidas brasileiras. Eu sempre tento ir num restaurante brasileiro que tenha esse tipo de coisa. Eu amo muitas comidas brasileiras. E tendo minha mãe em casa, ela sempre fazia. Era muito bom", completou.

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O sangue brasileiro de Blankenship não engana. Ele jogou futebol durante a infância e mudou para o esporte da bola oval já no ensino médio. Rodrigo, ao lado do pai, acompanhou muito o "soccer" e tem até um time favorito no Brasil.

"Acho que meu time favorito do Brasil provavelmente é o Náutico. Quando eu era criança no Brasil eu ia treinar nas categorias de base deles. Então eu amo o Náutico por ter jogado lá. Meus ídolos do futebol na infância…acho que o primeiro jogador que eu realmente segui de perto foi Ronaldinho. Eu amava vê-lo jogar, especialmente no Barcelona. Eu gostava dele, do Samuel Eto’o, Victor Valdés. O Barcelona reinou de forma suprema quando eles estavam lá. Então eu diria que Ronaldinho foi um grande ídolo para mim".

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Apesar de declarar amor pelo Náutico, Blankenship uma vez apareceu em um post nas redes sociais com a camisa do Fortaleza, mas ele explicou o motivo por trás disso.

"Eu sabia que era a camisa deles, mas eu acho que usei porque era o fim de semana de 4 de julho e era vermelha, branca e azul. Usei por isso e estava todo vestido de vermelho, branco e azul por causa do feriado. Mas vi que algumas contas do Instagram brasileiras começaram a repostar com o Fortaleza e eu falei ‘cara, olha isso’. Cresci jogando futebol e isso me levou ao futebol americano. Eu acompanhei futebol internacional por muito tempo. Eu e meu pai somos fãs de futebol, sempre acompanhamos o do Brasil e da Espanha. Então sempre segui esses times brasileiros".

Blankenship, que estudou Jornalismo na faculdade da Georgia, explicou o momento em que decidiu fazer a transição da bola redonda para a oval.

"Desde cedo meu pai notou que eu tinha uma perna forte mesmo sem musculação. Dava pra ver isso chutando a bola de futebol. Um dia ele quis ver se eu conseguia chutar a bola de futebol americano só por diversão. Ele disse ‘se você for bom, podemos investir nisso. Se não, você já tem o futebol que você ama e podemos continuar nisso’. Ele me levou para o campo, colocou a bola no ‘holder’ e falou ‘chute como se fosse uma cobrança de falta ou tiro de meta e veja o que acontece’. Eu chutei e foi muito bom e não olhamos mais para trás dali em diante. Comecei a ir para camps de kickers na sexta, sétima, oitava série para receber instruções de como chutar melhor e começou ali".

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A semana 4 será emblemática para o país. Isso porque os Colts de Blankenship enfrentam o Chicago Bears, de Cairo Santos, até hoje o único brasileiro a jogar na NFL.

"Eu conheci o Cairo há um tempo. Nós temos um técnico de chute em comum, o Mike McCabe. Ele estava fazendo um camp na Flórida, eu estava na oitava ou nona série. Cairo veio para ser um instrutor convidado. Então eu conheci ele lá, foi bem legal".

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Os Colts têm muitos fãs no Brasil desde os tempos de Peyton Manning. Agora, com um "meio brasileiro" lá, a admiração pela franquia em solo nacional deve seguir por mais alguns anos.

Mas Blankenship sabe que seu trabalho não é fácil, ainda mais chegando diretamente após a aposentadoria de Vinatieri. Mas ele não quer repetir os passos de seu antecessor, quer trilhar o seu próprio.

"Obviamente você pode falar que Adam é o melhor kicker da história da NFL Não é fácil. Eu tenho respeito por ele, pelo que ele fez. Eu me inspirei nele, tentando pegar a técnica dele, como ele chuta, tentando incorporar isso no meu jogo. Mas não fico pensando muito nisso porque se você ficar na cabeça com o pensamento de que está tentando substituir o maior de todos os tempos, isso quase te leva ao fracasso. Porque se o maior de todos já veio, você se coloca num nível abaixo, então não quero fazer isso, não quero me colocar na rota do fracasso. Então não tenho esse pensamento. Penso em estabelecer minha própria identidade, meu próprio legado, não tentar ser o cara que segue os passos dele. Só quero ser eu mesmo".