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Cheerleaders acusam dono do time de Washington da NFL de pedir 'gravações obscenas'

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Um ex-executivo do Washington Football Team (ex-Washington Redskins) instruiu os funcionários a criarem um vídeo dos bastidores para o proprietário Daniel Snyder, com imagens de líderes de torcida (cheerleaders) parcialmente nuas tiradas de uma sessão de fotos de maio de 2008, segundo o jornal Washington Post.

Brad Baker, que já trabalhou para o ex-vice-presidente sênior Larry Michael, disse ao Post em uma entrevista que Michael pediu para membros de sua equipe fazerem o vídeo para Snyder. Michael negou as acusações quando contatado pelo veículo.

"Larry disse algo no sentido de, 'Temos um projeto especial que precisamos fazer para Snyder hoje: ele precisa de nós para obter as boas partes do vídeo dos bastidores da filmagem das líderes de torcida'", disse Baker.

Snyder emitiu um comunicado na tarde de quarta-feira dizendo que "desconhecia" as acusações na matéria do Post e negou qualquer conhecimento de "vídeos de 10 anos atrás".

“Eu não solicitei sua filmagem e nunca o vi”, disse Snyder, acrescentando que o jornal se recusou a fornecer cópias dos vídeos para a equipe “para serem avaliados e autenticados por especialistas forenses”.

Um dos homens que Baker disse estar envolvido na produção do vídeo, Tim DeLaney, contestou a alegação.

"Nunca me pediram para criar um vídeo assim, e não tenho conhecimento de algo parecido", disse DeLaney, então vice-presidente de produção de Washington e agora vice-presidente de transmissão e conteúdo digital para o Arizona Cardinals.

"Eu certamente teria me lembrado desta conversa se tivesse acontecido", assegurou.

O jornal também noticiou que uma ex-líder de torcida, Tiffany Bacon Scourby, disse que Snyder sugeriu em um evento de caridade em 2004 que ela se juntasse a "seu amigo próximo" em um quarto de hotel para "que pudessem se conhecer".

Snyder disse em sua declaração que Scourby nunca falou sobre o suposto incidente de 2004 em qualquer momento dos últimos 16 anos". Snyder disse que Scourby ainda é uma voluntária das líderes de torcida do time.

"Quero afirmar de forma inequívoca que isso nunca aconteceu", disse Snyder.

A matéria do Post também detalhou o que várias mulheres disseram viver em uma cultura na qual eram objetificadas.

Várias mulheres contaram sobre um "grupo de apoio" online informal para ex-funcionários da equipe. Brittany Pareti, que trabalhou em Washington de 2007 a 2012, falou o seguinte sobre a cultura.

"Era como carne fresca para uma matilha de lobos cada vez que uma nova leva chegava. Era como uma casa de fraternidade, com homens alinhados no saguão vendo mulheres entrando e saindo”.

Um e-mail enviado em 2017 por Julie Kalmanides, a única funcionária de recursos humanos da equipe na época, dizia: "Também foi solicitado que, se possível, as mulheres não estivessem presentes enquanto os jogadores estivessem aqui”. Kalmanides disse ao Post que executivos escreveram o e-mail e que ela o distribuiu.

25 mulheres falaram ao jornal sobre experiências de assédio sexual enquanto trabalhavam para a franquia. A maioria falou sob condição de anonimato por causa de acordos de sigilo ou medo de algum tipo de retaliação.

"Condenamos veementemente o comportamento não profissional, perturbador e abominável que foi descrito na matéria. É totalmente inconsistente com nossos padrões e não tem lugar na NFL", disse o comissário Roger Goodell em um comunicado na noite de quarta-feira.

As últimas revelações vêm em meio ao compromisso declarado de Snyder em melhorar a cultura da equipe após alegações de assédio sexual e uma cultura tóxica no local de trabalho de 2006 a 2019.

Em julho, uma carta, obtida pela ESPN, foi assinada por Snyder e sua esposa, Tanya, e enviada a cada membro da organização. Nela, os Snyders pediram desculpas em nome da equipe e pediram a ajuda de todos "para construir uma cultura melhor".

Snyder disse na quarta-feira que assume "total responsabilidade" pela cultura da franquia e que o comportamento descrito no artigo do Post "não tem lugar em nossa franquia ou em nossa sociedade".

"Mesmo antes da matéria sair, comecei a tomar todas as medidas necessárias para garantir que o Washington Football Team seja uma organização diversificada, inclusiva e que respeite todos", disse Snyder.

"Admito que fui muito negligente como proprietário e permiti que outros tivessem o controle do dia-a-dia de nossa organização. Daqui para frente, estarei mais envolvido, e já fizemos grandes mudanças na forma que contratamos funcionários para impulsionar a transformação cultural dentro e fora do campo. Além disso, estamos montando uma equipe de consultores externos para investigar essas alegações e criar um plano para que nossa cultura possa ser transformada”.

O Washington Football Team também emitiu um comunicado na quarta-feira, dizendo: "Nossa prioridade é criar uma cultura onde nossos funcionários - dentro e fora do campo - sejam respeitados e capacitados.

"Nossa primeira preocupação é com a segurança de nossos funcionários, e incentivamos todos aqueles que passaram por experiências semelhantes, agora ou no passado, a relatá-las imediatamente. Já estamos tomando uma série de medidas para nos responsabilizarmos. Continuamos focados na construção de uma organização onde todos os funcionários se sintam valorizados e participem na definição da nova direção da nossa franquia”.

A NFL disse que esperaria que um escritório de advocacia revisasse a cultura da franquia antes de tomar qualquer ação.

"Uma investigação independente sobre essas questões está em andamento, liderada por um advogado altamente experiente recomendado por nosso escritório", disse Goodell em seu comunicado na quarta-feira. "Continuaremos monitorando o progresso da investigação e vamos garantir que a franquia e seus funcionários cumpram sua obrigação de cooperar com os investigadores. Se em algum momento a franquia ou qualquer pessoa com relacionada à franquia não o fizer, o advogado informará prontamente nosso escritório e nós tomaremos as medidas cabíveis”.