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NFL: Tua Tagovailoa está preparado para se tornar a maior estrela de Miami depois de Dan Marino?

Mergulhos em piscinas. Momentos emocionantes de felicidade. Lágrimas de alegria. Dezesseis palavras proferidas pelo comissário da NFL, Roger Goodell – "Com a quinta escolha no draft da NFL de 2020, o Miami Dolphins seleciona Tua Tagovailoa" – provocaram tudo isso e mais: a crença de que o futuro dos Dolphins será brilhante.

Durante o último mês, um rumor cresceu de maneira exponencial em todo o país, mas especialmente no sul da Flórida, que pode ser resumido como a “Tua Mania”. Um vídeo de 11 minutos feito por um torcedor e publicado no YouTube oferece uma visão.

"Tua está no topo – eu nunca vi nada parecido com uma escolha de draft aqui. Não há nem um segundo colocado próximo", disse Joe Rose, comentarista e apresentador de rádio dos Dolphins, que jogou pela franquia ao lado do quarterback Dan Marino de 1983 a 1985. "Temos uma estrela do rock em Tua. Essa equipe vem sendo medíocre há muito tempo. Faltava aquele poder estelar de Dan Marino, o poder estelar de Ricky Williams. Tua é o próximo cara desta lista".

Apesar do amor, é muito cedo para já coroar Tagovailoa. Ele nem sequer jogou um jogo da NFL. Sua chegada é definida pela esperança e pelas expectativas.

Mesmo em seu primeiro mês como QB do Dolphins, fica claro que, se Tagovailoa corresponder às expectativas, ele será o rosto dos esportes do sul da Flórida por um bom tempo.

Como Tagovailoa administrará a pressão, as expectativas, a positividade avassaladora, a eventual negatividade e tudo o que vem com ser considerado a próxima grande novidade de uma cidade faminta por sucesso nos esportes?

"A melhor coisa para Tua é que Dan Marino se aposentou há 20 anos", disse Warren Moon, quarterback do Hall da Fama. "Então, não é como se ele estivesse vindo após uma lenda como aconteceu com Aaron Rodgers, que veio logo depois de Brett Favre nos Packers. Ele só precisa ser ele mesmo. Ele não pode ser Dan Marino. Seja você mesmo e confie nas pessoas ao seu redor."

“Será a cidade dos Dolphins”

Um Mount Rushmore de atletas que lideraram equipes profissionais do sul da Flórida provavelmente começa com Marino e Dwyane Wade, do Miami Heat, mas as expectativas iniciais não eram tão altas para as duas lendas.

Wade lembra que só depois de liderar o Heat ao seu primeiro campeonato em 2006, ele se tornou o rosto dos esportes do sul da Flórida. Ele voltou para Miami e entrou em seu conversível com um amigo. Os torcedores o avistaram e correram para frente do carro. Ele não conseguiu dirigir mais.

"Olhei para meu amigo e disse: 'Isso é diferente'", contou Wade. "Eu gostei. Mas eu sabia que nunca mais seria normal nessa cidade a partir daquele momento. Eu tive que me acostumar a ser uma celebridade. As vantagens eram ótimas, mas a não privacidade nem tanto".

A "Wade County" havia nascido. Sua presença continua grande em Miami, mas desde que ele se aposentou após a temporada 2018/19 da NBA, existe um vazio de um grande astro que esteja ativo.

É aí que Tagovailoa entra.

"Ele é um jogador incrível. Miami, especialmente na posição QB, realmente precisa disso. Eles precisam de um líder. Eles precisam de um jogador assim", disse Wade. "As pessoas precisam realmente acreditar em você. Miami precisa disso. Os Dolphins precisam disso. Mesmo sendo torcedor dos Bears, eu estava torcendo para que eles o pegassem, porque os Dolphins precisam voltar para onde o basquete está."

O conselho de Wade para Tagovailoa se concentra em como lidar com a fama; o futuro ala do Hall da Fama diz que costuma lidar com a ansiedade quando sai de casa. Ele sentiu a necessidade de ser sempre o D-Wade, mesmo quando ele queria apenas ser Dwyane. Wade disse que, embora não devesse "salvar a franquia", depois de se tornar o favorito da torcida, ele teve que "descobrir como aproveitar aquilo que você lutou para conquistar, mas manter um nível de sanidade ao mesmo tempo".

Wade está otimista de que Tagovailoa levará os Dolphins para um lugar que eles nunca alcançaram enquanto ele estava com o Heat.

"Se os Dolphins melhorarem, essa será a cidade deles. Fizemos o máximo possível para tornar Miami uma cidade de basquete, e o Miami Heat está lá para ficar. Mas não nos enganemos: a Flórida é um estado do futebol americano", disse Wade. "Mas aqueles caras do Heat – Bam [Adebayo], Tyler Herro – vão batalhar com ele por isso. Ele tem que ganhar.

"Você se coloca nessa conversa se estiver fazendo algo ótimo, algo que as pessoas nunca viram antes e, obviamente, vencendo jogos".

Marino era um "astro do rock"

Tagovailoa passou em seu primeiro teste ao não usar o seu número na faculdade (13) – o mesmo de Marino em Miami. Em vez disso, Tagovailoa está pavimentando seu próprio caminho, tornando-se o primeiro QB dos Dolphins usar o número 1.

"Entendo que o número 13 está aposentado, e corretamente. Dan Marino é o GOAT. Ele é como o prefeito da cidade, e eu tenho muito respeito por ele", disse Tagovailoa. "Eu só quero ter a oportunidade de competir".

Todos os QBs que chegaram a Miami receberam alguma menção a Marino, e Miami teve 21 QBs titulares desde que o membro do Hall da Fama se aposentou em 2000. Os Dolphins não tiveram um QB no Pro Bowl desde então, a pior sequência da NFL.

Portanto, embora as expectativas possam parecer difíceis para um quarterback de 22 anos que vem de uma lesão grave no quadril, Miami não é qualquer cidade tomada por sua franquia da NFL. Ele está chegando a um time sedento por uma estrela na posição de QB, e os torcedores estavam esperando por Tagovailoa por mais de um ano.

"Quando cheguei lá, o Miami Dolphins era a cidade e o time de Dan Marino. Ainda é assim", disse Ricky Williams, ídolo dos Dolphins. "Eu era running back, mas ninguém chegou perto de superar o sucesso que Dan teve em Miami como quarterback. Tua tem o potencial – até mais do que eu – de ser uma grande parte do que significa ser um Miami Dolphin por um longo tempo".

Williams teve uma grande carreira como a cara dos Dolphins. Jason Taylor, Zach Thomas e Ryan Tannehill também. Mas nenhum deles teve a força que Tagovailoa tem agora.

Rose, da rádio dos Dolphins, diz que se lembra das expectativas em torno de Marino sendo relativamente moderadas quando este chegou. Os Dolphins, após uma derrota no Super Bowl XVII, escolheram Marino com a 27ª escolha geral quando ele caiu para eles no draft de 1983.

No final de sua temporada de MVP em 1984, Marino era um superstar.

"Quando fomos para Nova York, me lembro dos telefonemas que recebemos em nosso quarto de hotel. Vi estrelas e celebridades aparecendo. As pessoas queriam estar com esse cara", disse Rose. "Nós não tínhamos as redes sociais, então dava para se esconder mais. Ele era muito grande. Ele era um astro do rock".

Marino é o padrão, mas Tagovailoa não precisa atingir esse nível para ser lembrado na história dos Dolphins. Como Moon e Wade enfatizaram, ele apenas precisa se concentrar em ser ele mesmo.

Trabalhar, ganhar respeito e então construir sua marca

Moon sabe de tudo sobre chegadas altamente antecipadas. Após cinco títulos Grey Cup na Canadian Football League, Moon assinou com o Houston Oilers e se tornou o jogador mais bem pago da NFL em 1984.

Com estrelas como o running back Earl Campbell e o linebacker Robert Brazile já em Houston, Moon estava consciente de que os veteranos acreditavam que ele se achava muito. A resposta de Moon foi trabalhar duro, incluindo levantar pesos com jogadores da linha ofensiva.

"Quando as pessoas entravam nas instalações, eu já estava lá. Quando as pessoas saiam, eu ainda estava lá", disse Moon. "Sim, eu recebi muita atenção, mas eles viram minha ética de trabalho. Quando entrei em campo, eles começaram a ver que eu realmente podia jogar. O que você está tentando fazer é ganhar respeito e acho que Tua vai conseguir isso também por causa de sua ética de trabalho ".

Mostrar ética no trabalho e criar um relacionamento com os companheiros de equipe pode ser mais desafiador para Tagovailoa nesta offseason, já que a NFL segue com restrições por conta da pandemia de coronavírus. Mas Tagovailoa conseguiu falar com muitos de seus companheiros de equipe por meio de mensagens e ligações.

O outro equilíbrio que Tagovailoa terá que controlar é a atenção que ele recebe de patrocinadores, com o conselho de Moon de "entrar lá com a cabeça baixa e trabalhar".

Tagovailoa, que assinou um contrato de quatro anos e 30,3 milhões de dólares, tem acordos de patrocínio com Adidas, Hulu, Muscle Milk, Verizon, Wingstop, Gillette, Lowe's, Bose e Call of Duty. Recentemente, ele assinou um contrato exclusivo de vários anos com artigos para colecionadores. Ele também tem um documentário sendo feito detalhando sua jornada rumo aos Dolphins.

O agente Ryan Williams e a Athletes First lidaram com as demandas de marketing de Tagovailoa, e ele se tornou imediatamente um dos jovens mais conhecidos da NFL. As pessoas amam o ex-QB de Alabama, e isso apareceu nos números. Tagovailoa é o jogador que mais vendeu na NFL em termos de vendas gerais de mercadorias desde 1º de maio na rede Fanatics, que inclui a NFLshop.com e lojas online das equipes – acima de Tom Brady, agora nos Buccaneers, e Joe Burrow, dos Bengals e primeira escolha do draft.

Moon se lembrou do conselho que recebeu de seu agente, Leigh Steinberg, que também representa Tagovailoa: ter calma na construção de sua marca e tentar evitar ler as manchetes ou as redes sociais.

"Eu só quero ter certeza de que ele não tentará dar um passo maior que a perna. O futebol americano é o que lhe dá o pão de cada dia", disse Moon. "Se ele não se sair bem no campo, todo o resto desaparecerá. Sabendo um pouco sobre Tua, ele ficará bem."

Tagovailoa mostrou humildade ao longo de sua carreira na faculdade. Ele tem uma conexão com a família e um desejo de retribuir.

"Estou feliz que os torcedores gostem tanto de mim. Mas ainda não fiz nada", disse Tagovailoa. "O que eu fiz na faculdade não pode ser traduzido para a NFL. É tudo novo. Eu tenho que conquistar respeito e a confiança dos meus colegas de equipe".

“Os caras naquele vestiário”

A ideia de se tornar uma estrela antes mesmo de receber um snap de NFL pode ser suficiente para preocupar Brian Flores, técnico dos Dolphins. Um cara muito competitivo e com uma mentalidade excelente, Flores provavelmente não se importa com quantas camisas Tagovailoa venderá desde que produza em campo.

"O mundo vai fazer você pensar que é essa grande estrela. E talvez você seja, mas isso realmente não importa", disse Flores em novembro passado sobre o crescente sucesso de qualquer jogador em particular. "A única coisa que importa são os caras naquele vestiário."

Mas há um elemento de estrelato ao qual Wade alude, e que Flores provavelmente concordará, que é vencer jogos. O New England Patriots tornou-se uma dinastia da NFL com um quarterback famoso por causa de suas campanhas vencedoras e anéis do Super Bowl. O poder estelar de Tagovailoa será confirmado se os Dolphins se tornarem candidatos ao título.

Antes de se preocupar com a celebridade, a preocupação mais oportuna gira em torno de quando Tagovailoa entrará em campo. Alguns dizem que ele deveria começar imediatamente, enquanto outros sugerem uma temporada de redshirt em 2020 para ele. O resultado mais provável deve estar entre as duas sugestões.

Os Dolphins estão no segundo ano de uma reconstrução total, mas Flores sempre quer vencer. O quarterback Ryan Fitzpatrick, veterano e titular, tem a vantagem de garantir o trabalho por várias razões, graças ao seu conforto no esquema do coordenador ofensivo Chan Gailey, seu sucesso guiando os Dolphins em 2019 (cinco vitórias), sua liderança no vestiário e a falta de uma verdadeira offseason.

Mas Tagovailoa também está ansioso para aprender com Fitzpatrick, dizendo no dia do draft, em abril, que ele quer "entender o tipo de pessoa que Ryan é... perguntar como ele se prepara para uma defesa... e ser capaz de interrogá-lo. "

Fitzpatrick promete ser o "maior líder de torcida" de Tagovailoa, mas não entregará a ele o cargo de titular em 2020. Tagovailoa provavelmente não iria querer isso de outra maneira, porque quando o futebol americano voltar, ele terá a oportunidade de provar seu valor.

Assim que Tagovailoa entrar em campo, a esperança é que ele se torne a melhor versão de si mesmo em vez de ser constantemente comparado a Marino. É um fardo muito pesado para um jogador tão jovem.

Mas se tornar o rosto de longo prazo dos Dolphins e dos esportes no sul da Flórida? Isso está bem ao alcance de Tagovailoa.