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A história inesperada e incrível de Devlin Hodges, QB dos Steelers na NFL

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Confira a entrevista completa com o running back no WatchESPN (0:24)

A lenda de Devlin Hodges não começa no campo.

Em vez disso, a história do mais novo quarterback titular do Pittsburgh Steelers começa em uma pista de hóquei em Birmingham, Alabama.

Hodges tinha 2 anos na primeira vez em que andou usou patins.

Um ano depois, ele estava jogando em um time com crianças de 4 e 5 anos treinadas por seu pai. Uma criança em um time de hóquei no coração de Deep South.

"Nós o colocamos de patins", disse sua mãe, Amy. "E ele literalmente decolou"

O mesmo aconteceu com os contos de "Duck" Hodges.

Começou no hóquei e foi parar no Sunday Night Footbal. Hodges será o quarterback titular do Pittsburgh Steelers neste domingo contra o Los Angeles Chargers. Mason Rudolph sofreu uma concussão contra os Ravens, e Ben Roethlisberger, o homem que Rudolph substituiu, sofreu uma lesão no cotovelo na semana dois e está fora do restante da temporada.

Há um mês, Hodges estava em casa no Alabama, cortando a grama de sua mãe. Ele tinha planos de treinar para outro time quando os Steelers ligaram. Essa ligação o colocou no caminho certo para começar uma semana em que os Steelers estavam tentando salvar sua temporada. Mas essa tem sido a história da vida de Hodges.

Sobre o apelido...

Hodges é conhecido por sua família e todos em casa como Devlin, mas na Samford University e em Pittsburgh, ele tem um nome diferente: Duck.

O apelido começou durante seu primeiro ano de redshirt em Samford, porque ele falava constantemente sobre caçar patos. O treinador Chris Hatcher começou a chamá-lo de Duck, e não demorou muito para que seus recebedores também.

"Quando você diz Devlin por aqui, as pessoas nem sabem de quem você está falando", disse Russ Callaway, coordenador ofensivo de Samford.

Quando chegou em Pittsburgh, o técnico Mike Tomlin acrescentou seu próprio toque ao nome, chamando-o de "Duck Dynasty" (tradução: Dinastia do Pato).

Hodges e seu irmão começaram a caçar patos com o pai quando eram crianças. Uma vez que Zane apresentou seu filho mais velho ao mundo do Duck Calling, ele nunca mais parou. Ele era natural e começou a competir em torneios e campeonatos de Duck Calling no Sudeste, viajando frequentemente para o Arkansas para caçar e competir.

Em uma viagem para Stuttgart, Arkansas, para o Junior World Duck Calling Contest, Hodges, então com 7 anos, e seu pai entraram na Rich-N-Tones, uma empresa especializada em chamadas de pato sofisticadas.

Por acaso, eles conheceram o proprietário, Butch Richenback, uma lenda na comunidade de caça e chamada de patos, que gostava de Hodges. Richenback começou a treinar Hodges na chamada de pato, e depois de alguns anos e muitas viagens a Stuttgart, Hodges venceu o Concurso Mundial de Chamada de Patos Júnior de 2009.

Por conta das chamadas de patos, a casa de Hodges nunca ficou quieta. Às vezes, Devlin, seu irmão mais novo, Duncan, e seu pai trabalhavam juntos em suas chamadas.

"É insuportavelmente alto", disse Amy. "Em nossa casa antiga, tínhamos um porão, e eu ficava tipo 'OK, vá para o porão e feche a porta, por favor'".

Mas chamar pato não é como jogar uma bola de futebol - pelo menos não para Hodges. Ele é o tipo de natural que não precisa praticar todos os dias para ser bom. Enquanto Hodges deixou o concurso de chamada de patos em segundo plano - atrás do futebol americano - na faculdade, ele provou que ainda era bom no ano passado, quando venceu o campeonato estadual de chamada de patos do Alabama.

"Ele pode passar meses sem fazer uma chamada de pato e depois vencer o concurso", disse Amy. "Para mim, é quase como um instrumento musical. Você é bom ou não."

Muita calma nesta hora...

A primeira vez que pisou em um campo de futebol, Devlin Hodges lançou um passe para touchdown.

Ele tinha 5 anos.

Com duas temporadas já disputadas na sua carreira no hóquei no gelo como ala e centro, Hodges tinha 4 anos quando começou a incomodar seus pais para deixá-lo jogar futebol americano. Mas eles o fizeram esperar um ano para jogar. Não demorou muito para compensar o tempo perdido. No primeiro jogo de seu primeiro jogo, ele marcou.

Algumas pessoas vieram até Amy depois e disseram que estavam impressionadas com Devlin. Amy e Zane apenas riram. O talento era parte disso, com certeza, mas para eles, o toque era mais indicativo do comportamento calmo do filho.

"As pessoas estavam falando que ele era muito bom. E eu respondia que não, é que ele é calmo. Você não está realmente falando sério sobre um futuro quando alguém tem 5 anos."

Acontece que Hodges tinha um futuro.

Ele foi recrutado pelas escolas da FBS e estava quase fechado com Southern Miss, mas acabou em Samford, que ficava um pouco mais perto de casa. Depois de impressionar uma nova equipe técnica durante os treinos da primavera e no outono de sua temporada de calouros, Hodges assumiu a posição de titular no intervalo do quarto jogo.

"Nós o colocamos e ele foi titular por três anos inteiros e 75% do outro. Tudo que ele fez foi quebrar recordes. Ele deve ser o melhor jogador da história da FCS.

"Ele não tem um braço inacreditável como o quarterback doS Rams Jared Goff. Ele não é tão elite assim, mas não está muito atrás. Seu jeito, sua arrogância, sua mecânica rápida e o jeito que ele faz a bola girar, para mim, compensa o que falta nele."

Uma das melhores performances de Hodges foi contra um adversário da FBS.

Sempre um azarão, Hodges sempre gostou de jogar contra Florida State e Mississippi State.

A primeira jogada de sua primeira posse contra Florida State, um ano atrás, foi muito parecida com a sua estreia quando ele tinha apenas cinco anos de idade. Seus treinadores chamaram de "lança roxa", enviando o recebedor Kelvin McKnight com um movimento triplo. Mesmo quando o pocket entrou em colapso, Hodges se manteve calmo e conectou McKnight para um touchdown de 54 jardas.

Assim, Samford abriu 6 a 0 no campo do adversário da ACC.

"Isso deu o tom para todo o jogo", disse Callaway.

Seu time acabou perdendo por 10 pontos, mas Hodges foi para 475 jardas, conectando 39 de 60 tentativas com dois touchdowns e quatro interceptações.

Hodges passou o resto da temporada quebrando recordes a caminho do Walter Payton Award, o equivalente do Heisman no FCS. Em sua carreira em Samford, Hodges lançou 14.584 jardas em passes, quebrando o recorde do FCS estabelecido pelo eventual astro do Tennessee Titans, Steve McNair, em 1994.

Apesar dos prêmios e recordes o estigma de ser um quarterback de ataque aéreo juntamente com seu histórico no FCS fez com que o Hodges, de apenas 1,85m, não fosse draftado. Hodges manteve sua postura, no entanto, e trabalhou como um novato no minicampo até um convite para treinar. No domingo, ele fará a sua estreia no Sunday Night Football.

"Ele é corajoso e destemido", disse Adam McCurry, que cresceu com Hodges. "Quase todos os jogos ou todas as vezes, ele fazia uma grande jogada ou algo que parecia um lance do Super Bowl. Ele está destinado ao momento."

"Sinto que Mason usaria um terno no campo, se pudesse, e Duck usaria uma roupa de camuflagem" Fred Johnson, jogador dos Steelers

Há uma semana, entrando em campo no lugar do lesionado Rudolph, Hodges fez o que havia feito muitas vezes no passado. Ele liderou os Steelers em um touchdown em sua primeira série. Ele terminou com 7 de 9 passes para 68 jardas.

"Quando se trata de futebol, eu sempre me preparo como se fosse o cara", disse Hodges. "Acho que é por isso que quando entrei, não estava nervoso, estava preparado e confiante. Tenho muita confiança em mim. Os nervos ainda estão lá. Eu poderia apenas fazer um trabalho melhor para escondê-los."

A grande oportunidade

Cerca de duas horas antes do início do jogo contra os Ravens, Hodges entrou em campo para se aquecer ao lado de Rudolph. Rudolph usava camiseta preta e shorts preto com uma pequena toalha branca amarrada na cintura, enquanto Hodges vestia-se mais para uma brincadeira no quintal do que para um aquecimento da NFL. Ele usava um boné e calça de moletom cinza. Enquanto Rudolph passava por uma rotina meticulosa, Hodges parecia relaxado, sorrindo enquanto jogava a bola ao lado de Rudolph.

"Sinto que Mason usaria um terno no campo, se pudesse, e Duck usaria uma roupa de camuflagem", disse Fred Johnson. "Isso é exatamente quem eles são. Duck é mais solto. ... Mason é mais severo, eficiente com o que faz. Ele não desperdiça energia dançando por aí e coisas assim."

Mas mesmo que os dois sejam opostos em suas abordagens, eles rapidamente formaram uma amizade no vestiário. O armário de Johnson está situado entre os dois, mas às vezes, ele disse, é como se ele não existisse quando os quarterbacks começam a conversar.

"Eles interrompem todas as conversas que tenho. Todas", disse Johnson. "Às vezes, Duck diz que deveria trocar de armário, mas eu logo acabo com essa ideia porque gosto do meu."

Hodges é um dos caras mais novos da equipe e, como novato não draftado, está no degrau mais baixo da escada. Mas não demorou muito para cair nas graças de seus companheiros de equipe. Roethlisberger chegou a chamá-lo de "destemido" por causa de seu estilo de jogo durante os treinos na Pensilvânia.

Mesmo com uma exibição forte e o vestiário atrás dele, Hodges foi dispensado após o último jogo da pré-temporada. Menos de duas semanas depois, ele enviou a Johnson um Snapchat do banco da frente de seu caminhão Chevy de 2007.

"Seu garoto está voltando para Pittsburgh", disse Hodges, sorrindo para a câmera.

Hodges estava a caminho do aeroporto de Birmingham para um teste com o New York Jets quando seu agente ligou. Os Steelers haviam trocado o quarterback Joshua Dobbs, e queriam Hodges de volta para a equipe de treinos. Hodges virou a caminhonete e voltou para casa para refazer as malas. Logo depois, ele estava de volta à estrada para o aeroporto, desta vez com um voo marcado para Pittsburgh.

Uma semana depois, ele foi promovido ao elenco de 53 jogadores quando a cirurgia no cotovelo de Roethlisberger terminou com a sua temporada.

"Não há tapete vermelho quando você é um quarterback não draftado", disse Alejandro Villanueva. "Ele usa isso a seu favor, o fato de saber que as oportunidades são limitadas."

E se Hodges não for titular depois do jogo deste domingo, ele sempre terá o chamado de patos.

Durante a semana 7 - os Steelers estarão de bye - Hodges e seu pai vão para Saskatchewan, no Canadá, para, é claro, caçar patos.