<
>

Super Bowl, World Series, touchdown e home run: como Deion Sanders justificou o apelido de 'Prime Time'

Primeira escolha do Draft 2019, Kyler Murray abriu mão de um contrato milionário com a MLB para tentar a vida na NFL. Mas, há 30 anos, outro jogador não teve dúvidas e se arriscou nas duas ligas.

Deion Sanders não foi o primeiro a fazer isso, afinal Bo Jackson estava há dois anos se dividindo entre as liga e com um enorme sucesso de marketing. Porém, “Prime Time” – a história do apelido vai ser explicada mais adiante – atingiu um patamar diferente.

Sanders é até hoje – e possivelmente será em toda a história – o único atleta a ter rebatido um home run e anotado um touchdown em uma mesma semana, e também a única pessoa a já ter disputado um Super Bowl e uma World Series.

“Algumas pessoas virão para ver eu ir bem. Outras pessoas virão para me ver ser atropelado. Mas, me amem ou odeiem, eles virão”, respondeu ao ser questionado sobre as críticas.

E as pessoas realmente iam ver Deion Sanders jogar.

O COMEÇO DE TUDO

Nascido em 1967, em Fort Myers, na Flórida, Deion Sanders começou a jogar beisebol e futebol americano de forma organizada, em times, aos oito anos.

No colégio, ele foi eleito um dos melhores jogadores do estado em ambos o esporte e também no basquete. E foi com a bola laranja que ele ganhou seu apelido, após anotar 30 pontos em um jogo de North Fort Myers High School.

Em 1985, no último ano do colegial, ele foi selecionado pelo Kansas City Royals na sexta rodada do draft da MLB, mas acabou não assinando e foi para o esporte universitário, levando sua versatilidade para Florida State.

Sanders defendeu os “Seminoles” no futebol americano, no beisebol e também na equipe de atletismo, já dando sinais de que poderia fazer mais de uma coisa no mesmo dia ao usar o intervalo de uma rodada dupla no beisebol correndo o revezamento 4 por 100m.

Era com a bola oval que ele realmente se destacava. Fez parte do time ideal do país como cornerback em 1987 e 88, levando o prêmio Jim Thorpe no segundo ano, como melhor jogador de secundária do país. Sendo fenomenal também quando era usado como retornador, o número 2 que usava acabou sendo aposentado pela universidade.

Com o bastão em mãos, também não fazia feito. Com 33% de aproveitamento, ele fez sua fama roubando bases. E foi assim que as portas se abriram para a jornada dupla nos esportes americanos.

PRIME TIME

Sanders foi selecionado pelo New York Yankees na 30ª rodada do draft de 1988. Meses depois, em abril de 1989, foi o quinto nome selecionado no recrutamento da NFL, aparecendo pela primeira vez como jogador do Atlanta Falcons usando muitas joias e uma jaqueta de couro com “Prime Time” bordado nela.

Depois de passar um tempo como jogador de campo externo do time da triple A dos Yankees, em Columbus, Sanders estreou na MLB em 31 de maio de 1989. Seus planos envolviam uma atenção exclusiva no beisebol até julho, quando se apresentaria para os treinamentos nos Falcons. Mas a ameaça de jogar apenas um esporte colaborou com sua disputa contratual com Atlanta.

No dia 5 de setembro de 1989, Sanders rebateu um home run de duas corridas na vitória dos Yankees sobre o Seattle Mariners. Cinco dias depois, no primeiro jogo oficial com a camisa dos Falcons, ele retornou 68 jardas em um punt para abrir o placar na derrota dos Falcons contra o Los Angeles Rams.

NA MESMA CIDADE

No segundo ano da carreira dupla, Sanders voltou a colocar em dúvida sua temporada na MLB pensando em se apresentar na pré-temporada da NFL. Gene Michael, então GM dos Yankees, acreditava que o futebol estava atrapalhando sua carreira com o bastão. E a coisa esquentou.

Ao pedir US$ 1 milhão para a temporada de 1991, ele acabou sendo colocado na lista de dispensa. Aí veio a oportunidade de unir um pouco mais seus dois mundos, e se tornar no personagem mais popular de Atlanta: como jogador dos Falcons e também dos Braves.

Foram 54 jogos pelos Braves naquela temporada, com uma medíocre média de 19,1% de aproveitamento no bastão. Já com a bola oval, seis interceptações, vaga nos playoffs e a primeira eleição para o Pro Bowl.

“A única forma de eu ter uma chance de ser bem-sucedido no beisebol é focar nisso por uma temporada completa”, disse em 1992.

E foi assim que ele conseguiu seu melhor ano com o bastão, com 30,4% de aproveitamento em rebatidas e liderando a liga com 14 triplas. Além disso, no dia 11 de outubro ele arriscou algo que ninguém jamais havia feito: jogar os dois esportes no mesmo dia. O resultado disso você assiste no WatchESPN.

Na World Series, números interessantes em 15 oportunidades com o bastão, conseguindo 8 rebatidas, com apenas um strickout e roubando cinco bases na série que terminou com derrota por 4 jogos a 2 contra o Toronto Blue Jays.

UMA CARREIRA PARA NÃO RECLAMAR

Por mais que Deion Sanders revele algum arrependimento sobre decisões que tomou ao longo da carreira, ele não precisa se envergonhar quando olhar para trás.

No futebol americano defendeu, além dos Falcons, o San Francisco 49ers, Dallas Cowboys - onde registrou sua melhor temporada exercendo também a função de recebedor -, Washington Redskins e Baltimore Ravens, sendo que o último time veio após uma aposentadoria de três anos, ficou limitado por lesões, mas teve três interceptações em cinco jogos.

Campeão do Super Bowl de forma consecutiva com uniformes dos 49ers e Cowboys, Sanders foi eleito para o Hall da Fama do futebol americano em 2011.

No beisebol, em que era descrito como rebatedor medíocre e grande ladrão de bases, os números não impressionaram e seu nome não aparece entre os maiores da história, mas ficou perto de ter um anel de campeão da World Series para colocar em sua coleção.