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O fator R: Para os Packers, importante é ter Aaron Rodgers em campo, não interessa como

“Sabemos que ele vai jogar. Não sei se ele estará móvel, não sei se irá correr, não sabemos nada”, disse o defensive end Everson Griffen, do Minnesota Vikings, sobre o quarterback Aaron Rodgers, do Green Bay Packers, adversário deste domingo.

O confronto – que foi escolhido nesta Semana 2 da NFL pelo fã de esporte para estar na tela da ESPN e do WatchESPN a partir das 14 horas (de Brasília) – acontece uma semana depois da atuação heroica e histórica do camisa 12 do time de Wisconsin, quando, com uma torção no joelho, voltou para comandar a virada sobre o Chicago Bears.

A presença do quarterback é muito mais importante para o Green Bay Packers do que propriamente as condições físicas dele.

“Aaron será Aaron. Eu já vi Aaron sentar no pocket e ainda sim fazer bons lançamentos. Ele vai ajustar seu jogo. Se não conseguir ser móvel, ele vai se ajustar a isso. Ele vai mandar rotas para se livrar rápido da bola. Ele vai entender nossa defesa, e nós temos que nos ajustar ao ataque”, disse Xavier Rhodes, cornerback dos Vikings.

A análise é correta. De acordo com as estatísticas da NFL Next Gen, a velocidade média de Rodgers caiu dos 7,24 km/h no primeiro tempo para 4,6 km/h na segunda etapa, mas a falta de velocidade nas pernas foi compensada com um lançamento rápido.

Para o TD de 51 jardas de Devante Adams, Rodgers segurou a bola por apenas 2.4 segundos, enquanto que para o passe longo para Geronimo Allison, foram só 3,5 segundos.

Na conexão com Allison, aliás, a bola viajou por 60,3 jardas no ar, seu mais longo lançamento para TD desde a hail mary para Richard Rodgers, em 2015 (66,4 jardas no ar).

Lesionado, Rodgers castigou os Bears de dentro do pocket. Foram 12 tentativas dentro da proteção no segundo tempo, completando oito deles para 222 jardas e três touchdowns. E nem a blitz resolveu, já que quando o camisa 12 foi perseguido por cinco ou mais defensores, dois duas conexões para 126 jardas e o TD da vitória, nas 75 jardas de Randall Cobb.

Jogando com “uma perna só”, Rodgers tentou 90,5% dos passes em jogadas que começaram na formação shotgun (quanto o quarterback recebe a bola cinco jardas atrás do center). Desde o início da temporada passada, 85,7% dos TDs sofridos pelos Vikings aconteceram neste tipo de situação (a média do restante da liga é de 74,1%).

Seja qual for a condição física de Aaron Rodgers, parece claro que a missão da ótima defesa dos Vikings não será das mais fáceis.

Aaron Rodgers 'define' vencer ou perder

Não é sem razão Aaron Rodgers ocupa 11.54% do salary cap dos Packers, que dedicam 12.18% do total para quarterbacks.

Desde que se tornou titular dos Packers, esta é a terceira vez que o quarterback lida com uma lesão na região da perna. Nas outras duas ocasiões os problemas eram musculares, mas ele não ficou de fora da partida seguinte.

Em 2014, lidar com uma distensão na coxa esquerda não o impediu de levar os Packers até a final da NFC, passando pelo grande jogo contra os Cowboys na semifinal da conferência, no famoso jogo da recepção de Dez Bryant.

Dois anos depois o primeiro problema foi no isquiotibial da mesma perna, aconteceu a arrancada até mais uma final de conferência. A lesão na perna esquerda foi a provável causa de um problema na panturrilha do lado direito. Nada que impedisse mais uma vitória sobre Cowboys nos playoffs.

Com seu quarterback, os Packers somam 95 vitórias e 48 derrotas. Sem ele, o histórico é de apenas seis triunfos, 11 reveses e um empate.

Na temporada passada, justamente contra os Vikings, Rodgers se machucou no começo da Semana 6, e o efeito de sua ausência fica bem claro. Atuando em sete jogos, o camisa 12 completou 64,7% de seus passes, somando 16 TDs e seis interceptações, com média de 7,04 jardas por tentativa de passe.

Seu substituto, Brett Hundley completou 60,8% dos 316 passes tentados, com média de 5,81 jardas, e um total de 11 touchdowns e 12 interceptações.

Hundley se foi, e o substituto agora é DeShone Kizer, que tem recorde 0-15 após sua temporada de calouro no Cleveland Browns, onde completou apenas 53,6% dos passes, com 11 TDs e 22 interceptações.

Quando precisou entrar em campo no final do primeiro tempo contra os Bears, os números não foram muito diferentes, com quatro conexões em sete tentativas (57,1%), 55 jardas, e uma interceptação.

Kizer não quer que tomem seu histórico como definitivo. “A expectativa de vida é de 80 anos. Eu tenho 22. Isso é apenas uma pequena porcentagem da minha vida, e um ano não vai definir meus 80”, afirmou.

Mas há quem duvide. De acordo com o Football Power Index, sistema de classificação preditiva desenvolvida pela ESPN, as chances de vitória dos Packers são de 60%, desde que Rodgers esteja saudável. Com Kizer, a porcentagem cai para 43%.