<
>

NFL Draft: Como Aidan Hutchinson manifestou seus sonhos e os transformou em realidade

Aidan Hutchinson foi a pick 2 do Draft da NFL de 2022 e jogará no Detroit Lions


QUANDO ELE ESTAVA NA QUINTA SÉRIE, Aidan Hutchinson disse a seu pai que ia jogar futebol na Universidade de Michigan. Foi lá que Chris havia empatado o recorde de sacks em uma única temporada (11) da escola em 1992.

"Ah, que fofo", pensou Chris.

Era fofo, também: Aidan nunca tinha jogado tackle football e na época ainda faltavam dois anos para seus pais deixarem. Ele era um excelente quarterback canhoto no campo de flag football e um excelente dançarino competitivo treinando no mesmo estúdio que suas irmãs.

*Conteúdo patrocinado por Claro, Mitsubishi Motors, Samsung Galaxy, C6BANK e Magalu

Mas um jogador de 11 anos que não jogava futebol, dizendo que será um futuro jogador bolsista de uma Big Ten? Claro, garoto, sonhar não custa nada.

Aproximadamente uma semana depois, Chris passou pelo quarto de Aidan um dia e foi lembrado da forma insistente e muito particular de seu filho de se dedicar aos seus próprios sonhos. Manifestando-os, como Aidan chamaria mais tarde. "Eu podia sentir as emoções de me comprometer com ele", diz Hutchinson. "Dei all-in, completamente dedicado a isso".

Aidan começou a fazer mudanças no seu quarto para focar ainda mais em seu objetivo. Ele colocou lembranças especiais da carreira de seu pai - sua camisa do Rose Bowl, seus anéis do título da Big Ten, um ingresso da partida de Michigan contra Ohio State de 2011 que ele assistiu com seu pai. Aidan aprendeu a fazer um diário com sua mãe, então ele começou a escrever diariamente em seu diário que um dia ele seria um Wolverine. Ele arrancou uma página e colou no espelho. Dizia: "Eu vou jogar futebol na Universidade de Michigan".

"É..", pensou Chris, "talvez um dia o garoto consiga".

E ele conseguiu: sete anos depois, Aidan aceitou ir jogar em Michigan, onde ele surgiu como a provável escolha número 1 no draft de 2022 da NFL. Mas se você olhar bem de perto para a grande história de Aidan Hutchinson, você pode realmente ver centenas de pequenas histórias, muitas delas realmente escritas em lápis de cera, lápis ou caneta na infância pelo próprio Aidan.


MELISSA HUTCHINSON AINDA SE LEMBRA do primeiro diário de Aidan. Ele tinha 4 anos. Ele sentava na varanda da frente de casa, olhando para o céu, e desenhava página por página as imagens de personagens de Star Wars - Yoda, Chewbacca, Boba Fett, General Grievous, e assim por diante.

Ele sentava lá fora por uma hora, desenhando detalhadamente um boneco palito de Obi-Wan Kenobi por alguns minutos, depois olhava para o espaço, puxando uma memória da sua cabeça que ele desenharia na página. Ele adorava desenhar, mas adorava ainda mais quando terminava e entregava o diário para sua mãe.

Ela dizia adorar, como todas as mães são obrigadas por lei, e então ela escreveria o nome do personagem e entregaria o diário de volta. Era uma troca literal de amor entre os dois. Ela amava esses momentos, a entrega de um para o outro, as contribuições, uma criação compartilhada entre eles - e apenas os dois - colocada no papel.

Quando Aidan começou a ficar sem páginas, Melissa lentamente percebeu que ele poderia fazer mais cinco diários, ou 55, ou nenhum. Ela pensou que talvez este primeiro pudesse ser uma cápsula do tempo de algo que eles costumavam fazer juntos, então ela pegou sua câmera e tirou uma foto dele. Ele está sentado do lado de fora, sem camisa, olhando para longe, usando botas de vaqueiro por algum motivo, escrevendo em seu diário - o diário deles.

Ela não conseguiu decidir de qual ela gostava mais, do diário em si, ou da foto dele escrevendo nele. Por isso, ela ficou com os dois.

POR HORAS, o pequeno Aidan Hutchinson se sentava no canto das aulas de dança de suas duas irmãs. As aulas ofereciam um pouco de tudo, mas Aidan dava atenção especial à de hip-hop. Ele não conseguia acreditar na rapidez e fluidez que as pessoas se moviam, muitas vezes em perfeita sincronia, e especialmente ele não conseguia entender que uma das crianças conseguia dançar com um penteado legal. "Olhe como ele dança - com um moicano!" ele dizia.

Ele tinha 7 ou 8 anos na época e adorava assistir... mas estava com medo de tentar. Seus pais sabiam que se ele começasse a dançar, ele ia adorar e se daria bem nisso. Então um dia Melissa o convenceu a fazer uma aula.

"Bem, foi mais um suborno", ela ri agora. "E ele caiu nessa".

Se Aidan se inscrevesse em uma aula, ela prometeu que compraria para ele uma bola Bakugan, um brinquedo baseado na série de anime que se abre e se transforma em um pequeno boneco. Aidan participou da aula, pegou seu boneco Bakugan e fez cinco anos de dança competitiva. "Ele conseguiu seu desempenho atlético de hoje com a prática da dança que ele teve anos atrás", diz Chris Hutchinson.


ANTES DO SEU ANO COMO CALOURO na Divine Child High School, havia rumores de que Aidan Hutchinson tinha passado pela fase do estirão. Ele teve um bom segundo ano como um bom jogador de 1,93m e 90 quilos, mas ele ele ainda não era projetado como uma estrela de uma Big Ten.

No primeiro dia de aula, Aidan Hutchinson 2.0 chegou, ele ganhou 10 centímetros e 13 quilos em um surto de crescimento, combinado com três meses seguidos na academia. Na verdade, os técnicos passaram por uma aula e notaram que Hutchinson não conseguia nem caber atrás da mesa. O professor teve que montar uma cadeira ao lado da mesa, e Hutchinson tinha que se inclinar sobre a parte superior da mesa para fazer seu trabalho.


EM ALGUMAS SEMANAS NO TERCEIRO ANO DE HUTCHINSON, Divine Child teve uma grande quarta para 2 jardas na defesa. O quarterback iniciou a jogada e todo o ataque foi para a esquerda. Mas o running back fez diferente correndo para a direita criando uma opção livre para o passe, e todos os 11 defensores correram para o lado errado - lançar para o outro lado foi a decisão perfeita.

Os treinadores da Divine Child pensaram que seria um first down fácil.

Mas antes que eles pudessem reclamar ao céu frustrados, eles viram Aidan posicionar seu pé direito e subir para o outro lado. Foi uma exibição absurda de atletismo, como se alguém tivesse atingido um jogador e em mais ninguém, e mandou para casa o que aconteceu junto com seu estirão. O corpo de Aidan tinha alcançado alto nível de sua ética de trabalho e seu QI no futebol americano.


NO ÚLTIMO LANCE da carreira de futebol de Hutchinson no colegial, o quarterback Theo Day alinhou o ataque para um quarta-para-gol da linha das 18 jardas. Day e Hutchinson tinham se tornado bons amigos, e Day ficou animado quando Hutchinson pediu - muito - para jogar um pouco como tight end em seu último ano. Hutchinson se tornou o alvo perfeito para uma jogada milagrosa que salvou a temporada nos playoffs estaduais.

Day, agora o quarterback de Northern Iowa, pegou a bola e viu Hutchinson correndo pelo meio. Mas a defesa sabia que ele era um alvo provável, por isso posicionou os defensores na frente e atrás de Hutchinson.

Hutchinson conseguiu se posicionar em um lugar na end zone onde Day tinha algum espaço, e Day jogou uma bela bola. Hutchinson teve uma chance de segurar a bola, mas não conseguiu.

Hutchinson sentiu muito a derrota. Ele trocou de roupa no vestiário depois, e os colegas de equipe tentaram dizer que houve uma falta por segurar na jogada, de qualquer forma, e a equipe não teria chegado tão longe sem Hutchinson sendo extremamente bom tanto na defesa como no ataque.

Hutchinson deu abraços e apertos de mão em seus companheiros de equipe, mas ficou em silêncio antes de ir para casa com seus pais. "Ele poderia ter segurado, e isso é tudo em que ele conseguia pensar", disse seu pai.

Seus treinadores da Divine Child ficaram preocupados com Hutchinson o resto da noite e durante todo o sábado. Então os treinadores receberam uma mensagem no domingo e perceberam que ele ia ficar bem. "Vocês podem abrir a academia na segunda-feira?" Hutchinson escreveu.


O ÚLTIMO JOGO QUE HUTCHINSON jogou de verdade no colegial foi o All-American Bowl do Exército dos Estados Unidos em San Antonio. Seu treinador principal, John Filiatraut, estava nervoso no caminho. Ele havia aceitado o cargo na Divine Child no mesmo período em que Hutchinson estava chegando no ensino médio e, de muitas maneiras, eles cresceram juntos durante os quatro anos seguintes.

No dia da partida, ele estava mais preocupado do que pensava - Filiatraut ainda não tinha certeza de quão bem Hutchinson enfrentaria os maiores, mais fortes e mais rápidos jovens do país. "Aidan era o melhor jogador de nosso campeonato", diz Filiatraut. "Mas o que isso significa a nível nacional?"

Significava muito. Filiatraut teve que assistir à partida do mezanino porque não conseguia ficar parado em seu lugar, e ele passou a maior parte do tempo encostado treinando os companheiros enquanto observava o que acontecia no campo. Hutchinson dominou o jogo, terminando com 2,5 tackles para perda de jardas e dois sacks, incluindo um em um garoto chamado Trevor Lawrence.

"Aidan era tão bom quanto qualquer um no campo", diz Filiatraut. "Ele olhou para isso como uma oportunidade de competir contra caras realmente bons, e eu acredito que ele está ansioso pela mesma coisa na NFL. Mesmo que ele leve uma surra nos treinamentos, ele verá isso como uma chance de evoluir".


NA SUA FORMATURA, alguns dos convidados ficaram um pouco preocupados com a absoluta desordem na pista de dança. Um grupo de 10 garotos e depois 20 e depois quase todos os 200 formandos estavam pulando para cima e para baixo ao som da música, se transformando no mesmo ritmo um organismo único que se movia da mesma forma.

Acabou ficando tão grande que parecia perigoso para os adultos no salão. Assim, alguns professores teceram o caminho até o meio para garantir que todos estivessem de pé e bem. Eles passavam criança por criança até finalmente chegar perto o suficiente para ver quem era o coração do organismo.

Lá estava Aidan Hutchinson, sem camisa, suado e sorridente.


ANTES DE AIDAN IR PARA MICHIGAN, Melissa Hutchinson se perguntou se talvez seu diário tivesse chegado ao fim. Mas enquanto eles o preparavam para sair, Aidan se aproximou dela e perguntou: "Posso levar alguns diários comigo?”

A parceria deles continuaria - mas provavelmente só até Aidan ficar muito ocupado e distraído como calouro universitário, pensou Melissa. Ela entregou a ele alguns diários em branco, e ele os levou. Mas ela não podia deixar de pensar se o seu filho iria para a faculdade e jogaria os diários no canto do seu quarto.

ASSIM QUE HUTCHINSON se estabeleceu em Michigan, começou a escrever uma longa lista de objetivos específicos, o tempo inteiro. Mas ele não estava usando seus diários.

Ele começou a usar tabelas de objetivos que eram mais fáceis de pendurar em suas paredes. "Eu estava um pouco triste no início", disse Melissa. "Mas eu fiquei feliz por ele ainda ter o desejo de escrever as coisas que ele desejava alcançar".

Nas tabelas de objetivos, Hutchinson escreveu:

"Eu quero ser um All-American".

"Quero correr as 40 jardas abaixo de 4.7s".

"Eu quero pesar 120 quilos".

Mas uma meta, em particular, era tão importante para ele que ele escreveu em um post-it e colou na parede. As pessoas entravam e saíam de seu quarto e o post-it às vezes sumia. Hutchinson não ligava - ele anotava de novo e colava um novo post-it na parede para substituir o que faltava. Só para que a ideia estivesse sempre fresca na sua cabeça.

Dizia: "Eu vou ganhar o Heisman".

Amigos e colegas de equipe achavam graça de um jogador defensivo ganhando o Heisman ou mesmo sendo um finalista em uma época em que só os quarterbacks tinham uma chance. Mas Hutchinson era insistente - ele poderia chegar lá um dia. "Eu vou conseguir", ele disse, várias vezes, repetindo uma frase que sua mãe às vezes fala: "Se eles não riem, você não está sonhando grande o suficiente".

Três anos depois, Aidan Hutchinson recebeu 78 votos para o primeiro lugar e terminou em segundo lugar na eleição do troféu Heisman.


NO FIM DE SETEMBRO DE 2019, os treinadores de Michigan começaram a trabalhar seus defensive ends, Hutchinson e Kwity Paye. Eles estavam indo para um jogo no dia 5 de outubro contra Iowa e seus excelentes jogadores, Tristan Wirfs e AJ Jackson.

"Esses caras são o futuro da NFL", diziam os treinadores, mostrando suas preocupações. "Espero que vocês dois estejam prontos. Eles são bons o suficiente para realmente envergonhar vocês".

Então, durante a semana que antecedeu a partida, Paye olhava para Hutchinson no outro lado do vestiário durante as reuniões de posicionamento e ambos acenavam com a cabeça. Eles sabiam que a equipe técnica estava apenas tentando deixar todos irritados... e estava funcionando.

E, naquele sábado, eles destruíram pessoalmente Wirfs e Jackson. Hutchinson e Paye (uma escolha dos Colts na primeira rodada de 2021) juntos conseguiram 3,5 sacks e cinco tackles para perda de jardas. Iowa entrou em pânico ao tentar ajudar Wirfs e Jackson, e Michigan terminou o dia com oito sacks como equipe em uma vitória de 10-3. No meio do jogo, Paye gritava para Hutchinson: "Estamos acabando com esses caras", mas Hutchinson não dizia nada de volta.

Perto do final do primeiro tempo, eles entraram no backfield tão rápido em uma jogada que colidiram com o quarterback. Depois daquela jogada, Hutchinson fez contato visual e finalmente abriu a boca. "Vamos fazer de novo", ele disse.

Agora, Paye diz: "Foi o dia em que eu disse: 'Aidan Hutchinson é um monstro'".

CONTRA O INDIANA EM 2020, Hutchinson mancou para fora do campo com uma aparente lesão na perna. Mas ele saiu por conta própria, então todos ficaram surpresos - incluindo o próprio Hutchinson - quando as radiografias mostraram que ele havia quebrado seu tornozelo.

Eventualmente, o treinador da equipe foi até as arquibancadas e disse a Melissa e Chris para descerem até o vestiário. Chris, um médico emergencista desde que sua própria carreira de jogador terminou, recebeu cópias dos raios-X e tentou confortar seu filho, que estava tão decepcionado quanto quando deixou cair o passe em seu último jogo do colegial.

"É uma fratura simples, Aidan, então eu acredito que quando você se recuperar e reabilitar, vai ficar bem", disse Chris.

Mas Aidan ficou apenas olhando para o chão. Eles o levaram de volta para a casa e o colocaram na sala de estar, onde ele podia colocar a perna para cima e ficar parado. Chris pegou o videogame naquela noite, e todos eles foram para a cama.

Pela manhã, Chris veio ver como ele estava, e antes mesmo de poder dizer bom dia, Aidan disse: "Eu acredito em você sobre meu tornozelo. Vou fazer a minha reabilitação, e estarei 100% de novo".

Chris não tem certeza se Aidan escreveu isso de fato. Mas para ele e seu filho, foi tão bom quanto colocar no diário.


UMA SEMANA antes do jogo entre Northern Illinois x Michigan no ano passado, um dos ex-companheiros de Hutchinson da Divine Child, Liam Soraghan, enviou uma mensagem sobre a próxima partida. Soraghan é um bom tight end para os Huskies e tem 2m de altura, 118kg... mas mesmo ele sabia estar em desvantagem contra o melhor do país.

Assim, as trocas de farpas começaram cedo e com seriedade. Uma vez em campo, Soraghan dobrou ele, gritando: "Eu estou aqui o dia todo, Hutchinson! Você pensa que é muito grande e durão, mas eu te conheço"!

Como sempre, Hutchinson não disse muito de volta, mais tarde dizendo a ele: "Eu estava tentando fazer nossos sinais defensivos e você não parava de gritar para mim!"

Os dois se enfrentaram entre 10 e 15 jogadas. Hutchinson passou por Soraghan em um pass rush, desviando as mãos gigantescas de Soraghan para baixo e passando por ele para quase conseguir um sack no QB Rocky Lombardi.

Mas Soraghan sorri orgulhosamente lembrando uma jogada de corrida onde eles se enfrentaram, então Hutchinson continuou tentando ir para o fundo do campo enquanto Soraghan corria ao seu lado. Alguns metros depois, Soraghan conseguiu segurar pelas ombreiras de Hutchinson e o jogou de costas no chão. "Eu fritei ele", diz Soraghan. "Eu peguei ele de jeito".

Quando Hutchinson é perguntado sobre a jogada, ele sorri, mas você pode sentir o cheiro do lado competitivo dele se elevando de novo. "Se isso o faz feliz, se isso o ajuda a dormir à noite, então que assim seja, acho que ele me bloqueou", diz ele.

Depois da jogada, Soraghan estava em cima de Hutchinson, capacete com capacete, e ele olhou para baixo e disse: "Você nunca vai ouvir o fim desta". Hutchinson não pôde deixar de dar a Soraghan um sorriso de parabéns.

Uma fonte próxima a Soraghan diz que Hutchinson não ouviu, de fato, o fim daquela.


ANTES DO ÚLTIMO JOGO DE AIDAN CONTRA OHIO STATE, Chris e Melissa sentaram em seus lugares atrás do banco do Michigan. Aidan e seu pai vinham discutindo sobre vencer Ohio State há quatro anos, com a pressão aumentando enquanto os Wolverines e Aidan se aproximavam de seu jogo de maior rivalidade. Pai e filho se amam profundamente, mas há uma competitividade que ambos também gostam. Chris teve como placar 4-0-1 contra Ohio State em sua carreira e, em certo momento, teve o recorde de Michigan em uma temporada com 11 sacks.

Com o passar do mês de novembro, o Big Game ficou ainda maior para o Michigan. Uma vitória e os Wolverines tinham um caminho livre para os playoffs do futebol universitário. E Aidan chegou a 10 sacks na temporada, com uma última chance de sua primeira vitória na carreira contra os Buckeyes.

Melissa não suportava a pressão, andando por todo o estádio por um tempo, depois sentada e meditando em seu lugar para tentar acalmar seus nervos. No segundo quarto, no entanto, ela começou a sentir uma sensação de calma. Aidan estava no meio de um dia em que ele gerou o que é um recorde nas estatísticas do Pro Football Focus, 15 chegadas até o QB, e acabou ficando atrás do banco e falando com seus pais: "Eles não conseguem me bloquear".

Foi então que Chris soube oficialmente que seu recorde de sacks era um brinde. E foi. Aidan terminou o jogo com três sacks e terminou 2021 com um novo recorde da universidade com 14.

DON BROW GRITOU com vários jogadores em seus dias, e ele se lembra da primeira vez que gritou com Aidan Hutchinson. As palavras de Brown saem sob um bigode grosso, e se ‘Universidade dos Treinadores’ alguma vez precisasse de um mascote, ele seria uma grande escolha.

Brown foi o coordenador de defesa de Michigan de 2016 a 2020, e ele acha que foi em algum momento do ano de calouro de Hutchinson quando ele teve que ir atrás dele pela primeira vez por deixar um jogador de linha ficar mais baixo que ele e afastá-lo de uma jogada.

A maioria dos calouros fica com os olhos arregalados e o cabelo arrepiado quando Brown solta os cachorros após um erro, mas Hutchinson não recuou. Na verdade, Brown acabou ficando um pouco chocado. Quanto mais ele tentava irritar Hutchinson, mais estimulado Hutchinson parecia, absorvendo as críticas pesadas de uma maneira que ele parecia querer viver aquilo.

Quando Brown saiu, ele percebeu que provavelmente nunca mais iria gritar com Hutchinson. E ele não gritou. "Às vezes eu perco a cabeça e solto o verbo", diz Brown. "Mas isso nunca o incomodou. Você não conseguia mexer com a cabeça dele, então eu nem tentei".


AO LONGO DOS ANOS, a casa dos Hutchinson, localizada no meio do caminho entre Ann Arbor e Detroit, sempre foi uma fronteira entre a sociedade humana para os animais, principalmente cães e gatos. Isso significa que Aidan e suas duas irmãs aprenderam a amar seus bichos de estimação - e também enfrentaram as dores de perder um deles também.

Em alguns momentos no início da carreira de Aidan em Michigan, ele pensou em adotar um animal de estimação. Mas ele não tinha certeza se gostaria de lidar novamente com a dor de perder mais um amigo.

“Por que nós continuamos a adotar animais só para vê-los morrer depois de um número x de anos?” ele perguntou à sua mãe.

“É melhor amar alguém do que não amar nunca,” respondeu sua mãe.

Caramba, é assim que se faz lá, pensou Aidan.

NESTE VERÃO, Aidan ligou para sua mãe. "Estou pronto para ser pai de um gato", disse. Ele estava indeciso sobre ter um gato, ou um cachorro, ou ambos, e decidiu que seria muito difícil ter um cachorro até ele ser draftado e pudesse se fixar em algum lugar a longo prazo.

Melissa foi a principal ajudante no processo de adoção, organizando passeios familiares para ir aos abrigos no fim de semana. Depois de algumas semanas, Aidan havia encontrado seus dois novos amigos gatos. Momo, uma fêmea, é tímida ao redor de todos, exceto de Aidan, então ela corre para os pés dele como um cadarço desamarrado. Mitty, um macho, é mais extrovertido e tem as patas de um futuro assaltante de bancos. O colega de quarto de Aidan enviou recentemente a Hutchinson um vídeo dele em seu quarto, com um misterioso intruso batendo na porta de seu quarto ... então a porta se abre e é Mitty, de pé, que depois de analisar o ambiente, decidiu invadir.

Quando Aidan esteve fora de Ann Arbor para o combine, sua mãe ligava para ele uma ou duas vezes do apartamento para ele poder cumprimentar seus amiguinhos. "Eles estão ficando muito grandes, mãe", suspirou ele. "Mal posso esperar até que eles possam vir morar comigo para onde quer que eu vá".

Após o combine, durante uma ligação de seu apartamento, Aidan sorri e aponta para a sua direita. "Eles estão sentados aqui na janela olhando para fora", diz Aidan. Ele esclarece que ele não é apenas um fã de gatos -- "Eu sou um fã de animais", diz ele - então Mitty e Momo terão um ou dois amigos cachorros num futuro próximo.

"Você tem esses animais para diferentes momentos da vida", diz ele. "Eles estão lá para você e sim, esse adeus é muito difícil. Só que os momentos que você tem com eles durante sua vida fazem com que tudo valha a pena".


ASSIM COMO QUATRO ANOS ATRÁS, os Hutchinsons foram para Ann Arbor em fevereiro para ajudar Aidan a arrumar suas coisas. Desta vez, ele estava indo para a Califórnia para treinar.

No final, Aidan arrumou suas malas e abraçou seu pai, depois sua mãe. O garotinho deles tinha 2m e 120kg, rumo a uma carreira multimilionária como jogador da NFL.

Antes de ele partir, Aidan entregou algo a sua mãe. Na verdade, ele fez um pequeno diário, não apenas tabelas de objetivos, durante seu último ano no Michigan. O diário tinha todas as suas anotações para si mesmo, que ele seria um All-American, que ficaria mais rápido e mais forte, que quebraria o recorde do sacks do pai e ganharia o Heisman. Ela balançou a cabeça consentindo que ele conseguiu quase tudo o que ele escreveu.

É um manuscrito de um jovem que manifestou seu próprio estrelato, que pensou que ele poderia escrevê-lo para a existência, e talvez tenha sido o último capítulo da tradição de 18 anos que ele e sua mãe compartilharam. Que final de história perfeito para ela, para ele e para o General Grievous. Melissa poderia viver com isso.

Mas enquanto Melissa folheava as páginas, ela ouvia o som da voz de Aidan. "Mãe, posso ter um novo para levar comigo?"