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Como regra pouco conhecida da NBA ajudou Suns a bater os Clippers com menos de um segundo no relógio nas finais do Oeste

0,9 segundos no relógio. Rumo ao final, o técnico Monty Williams busca como nunca sua coleção de jogadas de saída do fundo. Vídeos que mudam de formato, VHS, DVD, arquivos digitais. Pode ter mudado o ritmo, a versatilidade e a energia, mas o basquete tem uma máxima que não muda com os anos: foi feito para os inteligentes.

Jae Crowder, agora, tem a bola na linha de fundo. Parecia que não há tempo para nada, a série vai para Los Angeles empatada em 1 a 1. Mas não. Devin Booker segura Ivica Zubac, Crowder acha o ângulo milimétrico e justo para que Deandre Ayton voe com as mãoes para que a Phoenix Suns Arena exploda em êxtase.

Um ponto importante: não há interferência de trajetória, ilegal, na cesta de Ayton? A resposta é não. A jogada é válida, está dentro do regulamento e tem antecedente recente com os mesmos Suns como protagonistas.

Regra 11, seção 1: Para que aconteça uma violação, uma bola "vida" deve entrar na área do aro DEPOIS de ter sido tocada por algum jogador em quadra. Do contrário, se deve considerar esta ação como um toque normal, e qualquer jogador pode tomar a posse da bola sem penalização alguma.

Em poucas palavras, fim da polêmica: não há interferência de trajetória em uma saída de bola, seja da lateral ou do fundo de quadra.

Uma viagem no tempo: de Chandler a Ayton

A genialidade de Williams tem antecedente recente, com o técnico canadense Jay Triano, um mestre nas decisões de último segundo. Em 2017, ele encontrou a vantagem na regra para que sua equipe derrotasse o Memphis Grizzlies com uma jogada que teve Tyson Chandler como herói final, após passe de Dragan Bender. A única diferença é que aconteceu em uma saída lateral, com 0,6 segundo no relógio ao invés de 0,9 como no Jogo 2 do duelo entre Suns e Clippers.

Repassemos a jogada:

A história é fantástica. Triano lembrou que, como técnico do Toronto Raptors (de 2008 a 2011), estava em uma noite assistindo a uma partida que tinha 0,2 segundos para o final, com posse de bola para a equipe que podia empatar ou ganhar o jogo. E então veio a pergunta que fez nascer essa célebre jogada.

"Com dois décimos restando, não pode pegar a bola e arremessar. Tem que desviá-la. Então, pensei> 'Como desviar?' Nós (da comissão técnica dos Raptors) estávamos pensando em passe que fosse possível de ser desviado. Quando alguns árbitros nos visitaram, perguntei: 'Pode ser interferência de trajetória?'. Me responderam: 'Te diremos', mas nunca fizeram. Então, segui perguntando a cada momento que pude se poderia ser ilegal, e finalmente disseram: 'Não, um arremesso que não vale (como em uma saída de fundo) não pode ser interferência'."

O que fez Triano, então, foi tirar vantagem de uma regra pouco conhecida na NBA. Já havia desenhado com êxito esse movimento nos Jogos Panamericanos de 2015, como treinador do Canadá, com Sim Bhullar como alvo. Mas, na NBA, foi a primeira vez. Com a vitória sobre os Grizzlies em 2017, mostrou seu trabalho ao mundo.

Herói naquela ocasião, Chandler afirmou: "Estou bastante certo que depois de hoje acontecerá mais vezes. As equipes vão ficar atentar e terão que descobrir como defender. É algo que Triano acaba de ser pioneiro."

Quase cinco anos depois, aparece que alguém dos Clippers esqueceu de revisar o livro de jogadas...