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LeBron dominante como nunca, a ressurreição de Rondo e mais: os pontos-chave do título dos Lakers

“Vamos falar a verdade".

Foi assim que LeBron James começou a tentar descobrir uma maneira de conseguir outro título. Era junho de 2018, e seu Cleveland Cavaliers perdia por 3 a 0 para o Golden State Warriors nas Finais da NBA, prestes a ser eliminado pelo mesmo time pelo segundo ano consecutivo.

Aceitar essa verdade e, em seguida, lidar com ela levou James por um caminho que terminou no domingo, com ele segurando outro Troféu Larry O'Brien e o Troféu Bill Russell, dado ao MVP das Finais – duas belas taças de ouro que ele não tinha certeza se tocaria novamente.

Aqui estava a verdade: "Kevin Durant. Você tem dois caras com MVPs em sua equipe", disse James naquele dia de verão em Cleveland, referindo-se também ao companheiro de equipe de Durant nos Warriors, Stephen Curry. "É como jogar contra o [New England] Patriots”.

Naquele dia, James deu uma aula sobre onde ele estava em sua vida no basquete. Ele falou sobre como precisava ter companheiros de equipe que pudessem pensar o jogo e também jogá-lo. Ele citou o nome de um jogador duas vezes: Rajon Rondo.

"Você não só precisa ter talento", disse James, "você também precisa ter a mente”.

James sabia então que iria deixar Cleveland. Já que estamos falando da realidade, ele provavelmente sabia quando Kyrie Irving, o cara que ele via como seu grande parceiro em Cleveland, forçou sua saída e foi negociado com o Boston Celtics em 2017.

O que James não sabia era como ele iria encontrar outro MVP com quem jogar e se ele teria ao menos a chance de competir contra os Warriors ou qualquer outro time que surgisse no período. Ele conseguiria mudar o curso daquilo que os nove últimos anos de sua carreira estavam se transformando: ser o melhor jogador no segundo melhor time?

A resposta se tornou um dos grandes capítulos da carreira de James. Não é o capítulo definitivo - seu legado estava seguro quando ele veio para Los Angeles, não importa o que vão dizer sobre o assunto.

Depois que vários outros disseram que não queriam James, houve o árduo processo de fazer Anthony Davis - que ainda não tem um MVP em seu nome, mas é um talento de MVP - se tornar seu companheiro de equipe. Então, o mais importante, James estava se dedicando para garantir que eles trabalhassem juntos e que dessem certo juntos desde o primeiro dia.

Foi isso que deu a James este título. Ele mudou de time. Ele se recuperou da pior lesão de sua carreira, que arruinou sua primeira temporada em L.A. Depois mudou de posição, voltou a se dedicar à defesa e usou toda a sua experiência para liderar essa temporada sem precedentes.

E trouxe Rajon Rondo, o jogador que considerava vital para uma equipa campeã.

Esta temporada foi sobre muitas coisas para James. Tratava-se de homenagear Kobe Bryant. Tratava-se de estabelecer seu nome na história dos Lakers. Tratava-se de perseverança durante a bolha de Orlando, Flórida.

Tratava-se também de provar que ele poderia fazer tudo de novo e em outra realidade.

O quarto anel - conquistado na vitória por 106-93 no jogo 6 sobre o Miami Heat - foi diferente de qualquer outro.

- Brian Windhorst


LeBron, o opressor, comandou a vitória decisiva

As equipes da NBA adotam a personalidade de seus melhores jogadores, e os Lakers de 2019-20 adotaram as características de seu MVP, que por acaso é o pontuador mais prolífico da história dos playoffs da NBA.

Como pontuador, James deu o tom da partida imediatamente, abrindo caminho para uma enxurrada de bandejas no primeiro quarto que avisaram a todos que a noite terminaria com confete roxo e dourado e o tão esperado 17º banner para o Los Angeles Lakers.

James foi imparável logo no começo e desencadeou uma clínica ofensiva enraizada em suas habilidades para se infiltrar no garrafão do Heat e pontuar de perto. Dez de suas 13 cestas vieram no garrafão.

Quando James entra na área pintada, grandes coisas acontecem para sua equipe. Ou ele termina com uma cesta ou atrai defensores extras e encontra companheiros de equipe abertos para arremessos sem marcação.

James terminou a pós-temporada como líder em pontos no garrafão e total de assistências.

Como disse o comentarista da ESPN, Jeff Van Gundy, no terceiro quarto depois de James terminar uma difícil cesta com a mão esquerda em um contra-ataque: "Ele é muito bom na transição e em espaços como esse com a sua força, atletismo, graça e habilidade".

Essa mistura sem precedentes de tamanho, velocidade e inteligência jogo fez de James um fenômeno - e a sustentabilidade de tudo isso estendeu seu reinado. Com James agora com 35 anos, uma das conclusões mais incríveis desses playoffs da bolha selvagem é que ele obviamente ainda tem muito o que fazer.

Ele não apenas ganhou seu quarto anel. Ele o fez como o melhor jogador da série, passando pelos marcadores de perímetro e assombrando-os no garrafão.

- Kirk Goldsberry


Jimmy Butler estava exausto, mas sua série foi especial

Butler fez questão de dizer, após o jogo 5, que ele e sua equipe deixaram tudo que tinham na quadra, mas estava confiante de que poderiam vencer os últimos dois jogos das Finais e terminar a corrida dos sonhos do Heat dentro da bolha. LeBron James e o Lakers não deixaram isso acontecer.

James deu o tom na posse inicial marcando Butler, mas se não fosse James, um defensor dos Lakers perseguia Butler em todos os lugares que ele ia na quadra. Eles não iriam permitir que Butler os vencesse. Depois que Butler passou os últimos três meses de sua vida no basquete impondo sua vontade a qualquer um que cruzasse seu caminho, os Lakers conseguiram conter o jogador que se orgulha de ser capaz de jogar o tempo todo, se necessário. Eles fizeream Butler parecer humano e o Heat parecer cansado. Isso encerrou uma das melhores sequências de pós-temporada por um único jogador na memória recente.

Os triplos duplos de Butler nos jogos 3 e 5 continuarão na história das Finais, duas das mais sublimes performances individuais, mas a totalidade das contribuições de Butler nesta série também não deve ser esquecida. Chegando ao jogo 6, ele teve uma média de 29 pontos, 8,6 rebotes, 10,2 assistências e 2,6 roubos de bola e tudo isso com 55,5% de aproveitamento nos arremessos de quadra enquanto jogava 42,6 minutos por jogo. O fato de que ele fez muito de seu trabalho contra James e não desistiu do desafio deve apenas adicionar ao legado de Butler.

Antes desta temporada em Miami, a reputação de Butler na liga era a de um jogador talentoso que lutava para se encaixar nas organizações como o líder de um grupo, um All-Star inconstante que provavelmente era mais produtivo como coadjuvante - não como o rosto de um time que briga por título.

Ao elevar seu jogo a um nível totalmente diferente na bolha, Butler mudou para sempre a narrativa em torno de sua carreira. Ele silenciou seus céticos. Não importa o que faça desse ponto em diante, Butler provou que é capaz do que acreditava que poderia ser: o tipo de líder que pode performar no maior palco do jogo.

- Nick Friedell


A maior arma dos Lakers: transformar defesa em ataque

Muitas vezes, no início do jogo 6, Jimmy Butler, Tyler Herro ou um de seus companheiros de equipe do Heat batia a bola e passava embaixo da cesta, então parecia que estava afundando na areia movediça.

Embora quase não haja lugar melhor para um pontuador na quadra de basquete, Miami geralmente parecia apressado, inseguro e às vezes totalmente com medo de tentar uma jogada perto da cesta.

Havia razões para isso: o técnico Frank Vogel substituiu Dwight Howard por Alex Caruso no time titular, ajudando os Lakers a correr um pouco mais na defesa. LeBron James se comprometeu a marcar Butler no começo da partida. Mas a verdadeira razão, é claro, foi o obstinado Heat não querer desafiar Anthony Davis perto do aro.

A hesitação de Miami rendeu passes ruins e arremessos de perímetro apressados, a maioria dos quais os Lakers os fez pagar na forma de cestas em transição no outro lado. James e os Lakers, que terminaram a temporada regular em segundo lugar em pontos de contra-ataque por jogo, marcaram os primeiros 16 pontos de contra-ataque do jogo 6 a caminho de assumir uma vantagem de 36 pontos no segundo tempo. Aquele ritmo alucinante era claramente demais para Butler e uma defesa desgastada de Miami lidar.

Entre sua defesa e sua capacidade de transformar os rebotes em pontos de contra-ataque, os Lakers deram um show na transição nas Finais. O jogo 6 não foi exceção.

- Chris Herring


Rondo e o elenco de suporte foram perfeitos para LeBron e AD

Nas Finais de 2008, Rajon Rondo marcou 20 pontos nos jogos 2 a 5 combinados antes de explodir para 21 pontos, 8 assistências, 7 rebotes e 6 roubos de bola no jogo 6 para aniquilar os Lakers e ajudar o Boston Celtics a vencer seu 17º anel.

Rondo marcou 10 pontos combinados nos jogos 3 a 5 das Finais de 2020 antes de explodir para 19 pontos em 8 de 11 arremessos para ajudar os Lakers a conquistar seu 17º título.

Muito do foco em Rondo tem sido o que as defesas tiram dele ao se esconder sob os cortas. O outro lado é que Rondo é um gênio em aceitar o que as defesas lhe dão. Se lhe derem a infiltração, ele vai para dentro, sabendo que pode abrir alguma opção de passe.

Quando ele pegou Jimmy Butler desatento, Rondo passou por ele e fez bandejas. Quando o Heat deu a ele arremessos de três pontos, ele os fez.

Nós medimos os jogadores de perímetro de apoio de James por seus arremessos de três pontos parados. As defesas ficaram muito rápidas, muito inteligentes ajudando e recuperando. Eles forçaram os caras do elenco de apoio a fazer a próxima jogada: atacar a cesta, entrar no garrafão e descobrir o que fazer.

O elenco de apoio dos Lakers manteve a engrenagem funcionando quando Miami apertou a marcação em LeBron e Anthony Davis. Kentavious Caldwell-Pope teve quatro assistências no jogo 2 e cinco no jogo 5. Ele marcou 48 pontos nos três jogos finais da série e fez vários arremessos.

Danny Green acertou uma na cara de Bam Adebayo no início da série e fez alguns - apenas alguns! - passes lindos de dentro para fora, incluindo um no Jogo 6 de um pick-and-roll com LeBron que terminou em uma cesta de Markieff Morris.

Alex Caruso libertou Morris com um corta. Caruso lê o jogo um passo à frente. Frank Vogel o colocou como titular no jogo mais importante de L.A., mudando para uma escalação que eu rotulei como o grupo mais intrigante antes da bolha. Ele havia registrado apenas 12 minutos pós-temporada antes do jogo 6.

Caruso marcou como um louco e ajudou a inflamar o ataque de transição adormecido dos Lakers com roubos e puxadas de contra-ataqie, incluindo um à frente de um Butler claramente exausto.

Kyle Kuzma não conseguiu acertar nada, mas impediu que o ataque dos Lakers travasse com constantes movimentações para liberar seus companheiros.

Toda a atenção em LeBron e AD torna esses ataques mais fáceis para os jogadores do elenco de apoio. Mas eles ainda precisam fazer jogadas.

Eles fizeram o suficiente para ganhar sua parte no 17º título do Lakers.

- Zach Lowe


KCP mostra o seu valor na bolha

Quando Kentavious Caldwell-Pope se juntou aos Lakers, foi um casamento de conveniência. Caldwell-Pope precisava de uma equipe; os Lakers precisavam usar seu espaço no teto salarial.

Três anos depois, o chute de três pontos e a defesa de Caldwell-Pope ajudaram os Lakers a ganhar seu 17º título.

Durante toda a temporada, a questão em torno desses Lakers era quem seria o jogador que se destacaria como uma terceira opção confiável por trás das duas estrelas do time, LeBron James e Anthony Davis.

Na maioria das vezes, durante essa corrida para um título dentro da bolha da NBA, foi Caldwell-Pope quem deu o golpe final para os Lakers.

Esse foi o caso no jogo 6, quando ele terminou com 17 pontos em 6-13 nos arremessos de quadra. Caldwell-Pope foi o terceiro maior pontuador dos Lakers nestes playoffs, com média de 10,7 pontos e, mais importante, com 37,8% de arremessos de três pontos, dando ao Los Angeles Lakers alguma consistência desesperadamente necessária em profundidade.

Ao longo do caminho, ele forneceu uma boa defesa nas laterais, desempenhando um papel fundamental em uma unidade que - junto com James e Davis - foi a espinha dorsal do sucesso do time dos Lakers durante toda a temporada. Seu jogo também ajudou a diminuir o golpe de os Lakers estarem sem Avery Bradley, que optou por não retornar à NBA na bolha.

O desempenho de Caldwell-Pope não apenas ajudou os Lakers a ganhar um título, mas também deve ajudá-lo a aumentar sua conta bancária. Ele entra nesta off season com uma opção de jogador de US $ 8,5 milhões para a próxima temporada. É provável que ele desista desse contrato e se torne um agente livre irrestrito - alguém que terá bastante apelo, graças ao fato de ser cliente de Rich Paul (assim como James e Davis) e ao fato de os Lakers não terem outra forma de substitui-lo.

Quando esta parceria começou, não estava claro quanto tempo duraria. Mas depois dessa corrida na bolha, Caldwell-Pope provou seu valor no maior dos palcos.

- Tim Bontemps