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Redução salarial, mercado livre e até 'possível novo Durant nos Warriors': o que está em jogo financeiramente no retorno da NBA

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O que a retomada da temporada 2019/2020 da NBA significa para os salários dos jogadores, agência livre e os planos de melhora das equipes?

Os donos das franquias aprovaram um plano de volta nessa quinta-feira (4) que terá 22 times jogando o resto de uma temporada regular reduzida seguida de uma possível repescagem e, então, os playoffs.

Agora que um acordo aconteceu, a NBA e a associação de jogadores irão virar suas atenções para, coletivamente, negociarem uma série de "regras de transição" na parte financeira - uma necessidade, visto que o acordo de barganha coletiva (CBA) e a divisão de 51/49 dos lucros relacionados a basquete (BRI) entre jogadores e franquias não é feito para lidar corretamente com uma dramática queda nos lucros.

Essas regras irão incluir o futuro econômico da NBA, redução de salário de jogadores e todas as datas futuras do calendário salarial. A NBA também terá que ajustar o calendário salarial de 2020/2021, previsto originalmente para começar em 1º de julho.

Aqui está um detalhamento de tudo que será negociado.

Redução salarial de jogadores

Com a expectativa do BRI cair em, no mínimo, U$ 1 bilhão (R$ 5,2 milhões), a maioria dos jogadores já encarou uma diminuição de 25% dos seus vencimentos referentes a 15 de maio até 1 de junho. A partir de 15 de junho, essa redução de 25% poderia ser alterada dependendo de quantos jogos da temporada regular forem cancelados oficialmente, mas isso está aberto para negociações.

Uma alternativa da NBA é aplicar a clausula que permite deduzir o que cada jogador ganha por partida - praticamente uma dedução de 1% do salário do jogador a cada partida cancelada. No entanto, como a temporada foi suspensa no meio de março, o número de jogos disputados varia entre 67 (Atlanta Hawks) e 63 (Los Angeles Lakers).

Portanto, muitas questões precisam ser discutidas coletivamente, incluindo:

  • A liga irá penalizar os jogadores por um calendário desbalanceado?

  • Os jogadores receberiam crédito por jogos perdidos da temporada regular participando de amistosos?

  • Um jogo de repescagem no novo formato contaria como jogo de temporada regular?

  • O que acontece se um jogador se recusar a jogar para preservar sua saúde? A liga tem a autoridade para deduzir seu pagamento por jogo?

  • A liga aumentaria o pote de U$ 24 milhões (R$ 122 milhões) distribuído às equipes que vão aos playoffs por terem mais equipes neste ano?

  • Os jogadores da NBA não recebem um pagamento de risco pelos playoffs. Ao invés disso, esse pote de U$ 24 milhões é dividido entre as equipes de acordo com as classificações e o quão longe cada equipe vai - o Toronto Raptors, campeão da última temporada, recebeu U$ 5,6 milhões (R$ 28 milhões) para dividir entre seus jogadores.

Uma solução econômica lógica é pegar a média de quantos jogos faltavam para cada equipe (17) e reduzir essa quantidade de todos os jogadores, inclusive os que estiverem em Orlando. Se forem oito jogos da retomada que contam como temporada regular, os 434 jogadores da liga teriam nove jogos reduzidos de seu pagamento de 2019/2020.

Neste cenário, jogadores perderiam 18,6% de seu pagamento anual - U$ 344 milhões (R$ 1,7 bilhão) em redução salarial, mais os U$ 380 milhões (R$ 1,9 bilhão) já descontados para ajudar a manter o BRI dividido corretamente. Se o número final do BRI for U$ 6,8 bilhões (R$ 34 bilhões) - menos que os U$ 8 bilhões (R$ 40 bilhões) projetados -, essa redução de U$ 724 milhões (R$ 2,6 bilhões) equilibraria as coisas. Sem ela, os jogadores ficariam com 56% do BRI por conta de salários garantidos.

As economias do teto salarial

Com o BRI caindo em, no mínimo, U$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões), a liga e o sindicato provavelmente vão abandonar o que já está acordado no CBA sobre como serão definidos os próximos tetos salariais e, ao invés disso, negociarão um número artificial para a próxima temporada. Os contratos de calouro, salários mínimos de veteranos e exceções das franquias irão aumentar ou diminuir proporcionalmente ao que o teto salarial aumentou (ou diminuiu) em relação à temporada anterior.

A maioria dos times já se prepara para os números de 2020/2021 espelharem a temporada atual: U$ 109,1 milhões (R$ 558 milhões) de teto salarial e U$ 132,7 milhões (R$ 679 milhões) de exceções.

Esse número, porém, seria insustentável na situação atual. O teto salarial deveria cair para U$ 99 milhões (R$ 506 milhões) e as exceções para U$ 119,3 milhões (R$ 610 milhões). O grande problema, porém, é que isso poderia trazer um novo aumento exponencial em uma temporada futura como foi em 2016, o que permitiu que o Golden State Warriors assinasse com Kevin Durant, criando medos de injustiça e falta de competição.

É por isso que a liga e o sindicato precisam enxergar o quadro completo nessa situação. A solução de teto salarial precisa não só funcionar para a próxima temporada, mas também não comprometer outras do futuro.

O item possivelmente mais importante não será negociado entre a NBA e o sindicato. As regras de divisão de lucros só são aplicadas para as equipes, e elas terão um papel gigantesco na competitividade no futuro. Porque os principais fatores de lucro (concessões e ingressos) provavelmente não serão atingidos nesta e na próxima temporada, times como Warriors e Lakers não terão muito a distribuir para as outras equipes.

Com isso, times de mercado pequeno devem ter ainda mais dificuldades de atrair agentes livres e/ou manter seus próprios jogadores.

Opções de jogadores e times

Existem 41 jogadores que tem opções próprias ou de times em seus contratos para 2020/2021 e essas datas terão que ser ajustadas com a temporada podendo acabar até 12 de outubro. Anthony Davis, por exemplo, tem uma opção de jogador que pode ser exercida em 29 de junho, antes até da NBA retornar.

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A provável solução é que cada opção - de jogador ou time - será alinhada com a última data possível para as Finais ou com o draft de 2020.

Existem poucas opções de jogadores que serão bastante impactadas pela queda do teto salarial, incluindo Andre Drummond no Cleveland Cavaliers e DeMar DeRozan no San Antonio Spurs. Seis times tinham projetado ter muito poder de gasto na agência livre de 2020, mas esse número irá cair, fazendo com que seja mais provável que jogadores como Drummond e DeRozan exerçam suas opções.

Ofertas qualificadas

Todos os jogadores que foram selecionados no primeiro round do draft de 2016 ou tem menos de três anos na NBA e serão agentes livres em 2020 estão incluidos na lista de jogadores que podem receber ofertas qualificadas de sua equipe.

Um exemplo é o Brandon Ingram, do New Orleans Pelicans. Se o jogador receber uma oferta qualificada de um ano e U$ 9,4 milhões de New Orleans, isso significaria que ele viraria um agente restrito e os Pelicans poderiam igualar qualquer oferta feita por ele e teriam prioridade.

Inicialmente, as equipes tinham até 29 de junho, data final da temporada, para fazer a oferta qualificada. As duas datas devem ser ajustadas para o encerramento das Finals e o começo do calendário 2020/2021.

Exceções de troca

Espere que a liga vá copiar os mandamentos das regras transitórias de 2011 quando falarmos de exceções de trocas - valores que as equipes podem ultrapassar no teto salarial por conta de trocas antigas - que expiram 10 de julho.

Após o locaute de 2011, a NBA definiu que todas as exceções de trocas de jogadores que expiraram (ou estavam marcadas para expirar) durante 1 de julho e 15 de dezembro seriam adiadas para 16 de dezembro.

Neste ano, são 13 exceções que estão programadas para expirar até 10 de julho.