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Colin Kaepernick é elogiado por Pete Carroll, Steve Kerr e Gregg Popovich por protestos na NFL: 'Devemos muito a ele'

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O técnico do Seattle Seahawks Pete Carrol disse que "nós devemos muita coisa" para Colin Kaepernick por ele ter tomado uma posição contra a brutalidade policial e opressão racial em 2016.

"Acho que foi um momento no tempo que um jovem capturou. Ele se posicionou por algo, figurativamente ajoelhou, mas ele se levantou para algo em que acreditava - e que momento extradionário foi o que ele se determinou a aproveitar", comentou Carroll no podcast Flying Coach, do The Ringer, ao lado do técnico do Golden State Warriors, Steve Kerr, e de Gregg Popovich, técnico do San Antonio Spurs.

"...Mas o que aconteceu após o processo é que elevou a voz daqueles que entenderam tudo ao contrário do que ele realmente queria dizer, e tudo foi distorcido".

"E toda a missão de Kaepernick, foi tão bonita... ainda é sobre que estão se posicionando até hoje. Não estamos protegendo nossas pessoas. Não estamos olhando um pelos outros. Não estamos fazendo as escolhas certas. Não estamos seguindo o processo correto para levar para Justiça essas pessoas que tomam essas eções. Então acho que foi um grande sacrifício que ele fez, daqueles momentos corajosos que alguns caras tem. Nós devemos muito para ele, com certeza."

As ações de Kaepernick apareceram no podcast quando Carroll foi perguntado como isso se relaciona com os eventos recentes nos Estados Unidos, incluindo a morte de George Floyd.

Floyd, um homem negro, foi morto na última semana em Minneapolis depois que Derek Chauvin, um policial branco, ajoelhou em seu pescoço por mais de oito minutos. Na quarta-feira, Chauvin foi acusado de homicídio não intencional de segundo grau, enquanto os outros três oficiais - Thomas Lane, J. Kueng e Tou Thao - foram acusados de ajudar e não evitar homicídio de segundo grau.

A decisão de Kaepernick de protestar durante o hino - e o fato de não ter voltado à NFL depois da temporada de 2016 - voltaram à tona por causa da morte de Floyd, assim como um artigo na CNN do ex-executivo da NFL Joe Lockhart aonde ele pediu para que algum time, especialmente o Minnesota Vikings, para assinar com o quarterback que muitos acreditam "ser ruim para os negócios".

"Para mim, é muito difícil olhar para tudo que está acontecendo agora com toda a violência e os protestos e não olhar para o que aconteceu quatro anos atrás e dizer 'Olha, Kaepernick estava tentando protestar pacificamente e nada saiu disso'", comentou Kerr. "Os assassinatos prosseguiram e nada mudou e ele foi ridicularizado, então é bem difícil pensar nisso."

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Os Seahawks estavam ligados a Kaepernick dois anos atrás, quando eles discutiram receber o quarterback free agent para um trabalho de pré-temporada. A visita de abril, porém, foi cancelada após Colin se recusar a informar os Seahawks se ele planejava ou não parar de ajoelhar antes do hino, de acordo com a ESPN e diversas fontes.

Fontes contaram à ESPN na época que Kaepernick não estava disposto a dar nenhuma garantia para os Seahawks, que queria saber se ele iria ou não ajoelhar antes das partidas na temporada de 2018. Carroll falou publicamente sobre o interesse dos Seahawks em Kaepernick, mas disse que as notícias que saíram na época foram "exageradas".

Colin, que também visitou os Seahawks em 2017, provavelmente iria competir pelo posto de reserva de Russell Wilson contra Stephen Morris e Austin Davis.

A decisão de Kaepernick foi só uma parte de um podcast de uma hora em que o trio assumiu que técnicos brancos sentem uma responsabilidade de fazer mais, tanto em termos de como se comunicar através de diferentes mensagens e como levar essas mensagens aos times e pessoas ao seu redor.

"Acho que provavelmente o que tem que ser feito antes de tudo é entender o que está acontecendo e ter noção de que é preciso uma reconciliação, uma admissão de culpa", comentou Kerr quando discutia "uma recusa de assumir os pecados de nosso pesado" quando se fala de escravidão nos Estados Unidos.

"Acho que não deveia existir - essa não é uma mensagem de 'olha, todos vocês brancos deveriam se sentir culpados, é culpa sua'. Esse não é o ponto. Mas é o jeito que nosso país é. É nossa responsabilidade admitir o que está acontecendo no nosso país, vamos olhar para nosso passado e realmente examinar nosso passado."

Carroll disse: "Temos que ir além e agir, e vai ser um desafio para as pessoas. Sinto frustrado que não estou fazendo nada. Não estou fazendo o suficiente. Eu não consigo estar ativo o suficiente para criar mudança. Acho que precisamos de progresso, não só mudança."

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Popovich falou sobre como foi difícil explicar a morte de Floyd para sua neta.

"Eu estava na sala de TV outro dia com minha neta de oito anos, eu estava vendo as notícias e ela acabou entrando", comentou Pop. "E foi na hora exata que eles estavam mostrando novamente o policial com o joelho no pescoço de George Floyd. E eu não percebi que ela estava lá. Quando eu virei por alguma razão, ela estava de pé olhando e perguntou 'Poppy, por que aquele homem está com seu joelho no pescoço do outro homem? O que ele está fazendo?'"

"E eu fiquei sem reação. Desliguei a TV. E então pensei 'Eu deveria ter deixado ligada e explicado para ela? E como eu explico agora que desliguei?' Eu tentei, mas não sabia o quão fundo ir. O que estamos vivendo? Ela está preparada para isso?"

"Então eu pensei 'wow, isso é um problema para mim, imagina para uma família negra?' Você acha que eles tem algum problema falando para suas crianças e entendendo o que está acontecendo por lá? Então é muito complicado... tudo parece desaparecer se você não tem essa admissão inicial, esse reconhecimento do nosso passado e do que significa até agora."

Kerr recentemente foi nomeado para um comitê de injustiça racial e reforma através da Associação Nacional de Técnicos de Basquete juntamente com Popovich e diversos outros treinadores da NBA atual com "a intenção de perseguir soluções para as cidades da NBA".

Kerr e Popovich reiteraram que acreditam que jogadores atuais estão mais preparados do que nunca para vencer grandes problemas sociais e usar suas plataformas para o bom.

"Acho que os jogadores que treinamos atualmente se interaram para o mundo mais cedo do que no passado porque muito aconteceu", disse Popovich. "Nosso país viu tanta coisa. E a internet, as redes sociais, são muito conectadas. Muitas vezes jogadores me contam o que está acontecendo no mundo e, então, eu vou ver porque é o mundo que vivemos. No passado, tudo era mais local. Você tinha seu grupo, sua família, seu time, sua comissão técnica. Mas não estava interconectado do jeito que está agora. Acho que somos menos propensos a aceitar as coisas do jeito que são."

Popovich notou que vários jogadores em todas as ligas profissionais estão "prontos, dispostos e capazes" de fazerem a diferença em suas próprias comunidades "e tentar parar toda essa loucura que vivemos, focar em ajudar esse lugares, essas pessoas que tem menos do que nós."

"Eles estão muito mais comprometidos e muito mais preparados para se posicionar", disse Popovich. "Mas temos que ser persistentes, ou então vai desaparecer."