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Jordan contrariou versão dele próprio em 'Last Dance' e disse, em 2011, que não jogaria no Dream Team com Isiah Thomas

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NBA: documentário relembra o time do Detroit Pistons que frustrou Michael Jordan (1:43)

Mariana Spinelli apresenta os 'Bad Boys', filme que conta a trajetória dos Pistons bicampeões da NBA (1:43)

Uma entrevista antiga de Michael Jordan, concedida em 2011, mostra o ex-astro do Chicago Bulls dizendo a Rod Thorn, ex-dirigente da NBA que fazia parte do processo de escolha para a seleção dos Estados Unidos de basquete, que não jogaria no Dream Team de Barcelona-92 se Isiah Thomas, seu rival do Detroit Pistons, estivesse também.

"Rod Thorn me ligou e eu disse: 'Rod, não vou jogar se Isiah Thomas estiver no time'. Ele me garantiu. Ele disse: 'Quer saber? Chuck (Daily, técnico dos EUA) não quer Isiah, então ele não fará parte do time'", disse Jordan, em entrevista ao repórter Jack McCallum, em 2011, que foi ao ar no podcast "The Dream Team Tapes".

A versão dada por Jordan há nove anos difere do depoimento dele no documentário "The Last Dance", co-produzido pela ESPN dos Estados Unidos e que conta a dinastia dos Bulls nos anos 90.

"Antes da Olimpíada de 92, Rod Thorn (ex-gerente dos Bulls que comandava a convocação da seleção dos EUA) falou que iam me adorar no Dream Team. Perguntei quem jogaria. E ele 'o cara de quem está falando, ou pensando, não jogará'", diz Jordan, no documentário.

"Não sei o que aconteceu nesse processo. Eu podia ser convocado, mas não fui", diz Thomas.

Nos anos 80, Thomas era o líder dos "Bad Boys" do Detroit Pistons, odiados pelo resto da NBA pelo jogo de imposição física que muitas vezes era interpretado como deslealdade.

Os Pistons e Chicago Bulls se enfrentaram na final do Leste por três anos seguidos, entre 89 e 91, com Detroit ganhando os dois primeiros adotando as "Jordan Rules", regras criadas pela comissão técnica para conter o camisa 23 adversário que incluía não permitir bandejas mesmo que a força física fosse necessária para tal.

A rivalidade era tanta que, após os Bulls varrerem os Pistons na final do Leste de 91, Detroit deixou a quadra antes do jogo acabar e sem cumprimentar os jogadores de Chicago.

"Eu respeito o talento de Isiah Thomas. Para mim o maior armador de todos os tempos é Magic Johnson e logo atrás vem Isiah Thomas. Por mais que eu o odeie, eu respeito sua categoria. Insinuaram que eu perguntei dele, mas nunca o mencionei", analisa Jordan, no documentário.

"Baseado no ambiente e na camaradagem daquele time. A dinâmica era harmoniosa. Isiah mudaria isso? Sim. Se quiserem atribuir isso a mim, beleza, mas não fui eu", completou.

"Isiah tinha treta com Magic, Bird e Pippen. Já é meio time. Ninguém queria jogar com ele. Todos colocam a culpa em Michael porque sabíamos que a antipatia era aberta", explica Michael Wilbon, comentarista da ESPN.

Isiah Thomas foi um dos maiores armadores da história da NBA. MVP das Finais, bicampeão com o Detroit Pistons (89 e 90), 12 vezes All-Star. Mas seu talento por si só não foi capaz de fazer ele estar presente no maior elenco da história do basquete: o Dream Tem da Olimpíada de Barcelona-92.

O Dream Team foi para Barcelona com Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Scottie Pippen, John Stockton, Karl Malone, Chris Mullin, Clyde Drexler, David Robinson, Charles Barkley, Patrick Ewing e o então jogador universitário Christian Laettner, ganhando o ouro e deixando o mundo boquiaberto com o show em quadra e tamanha facilidade para o título.