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Coronavírus: O que a NBA pode aprender com a China na tentativa de voltar em meio à pandemia

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Atleta do Washington Wizards se vira para passar o tempo e fica em casa na proteção contra o coronavírus (0:39)

A NBA precisará construir uma bolha.

O maior desafio da liga no momento é criar um ambiente seguro para seus jogadores, técnicos, árbitros, staff de apoio e operadores técnicos. Um ambiente que, no começo da volta da temporada, pode não incluir fãs. Pode não incluir viagens. Pode até não incluir uma arena.

Assim como a maioria do mundo dos esportes, a NBA tem observado a liga chinesa. Há um otimismo na China. Há progresso. Mas as dificuldades da CBA em construir um ambiente seguro de coronavírus para terminar a temporada mostram o quão difícil será para a NBA voltar a jogar quando a pandemia da COVID-19 diminuir o suficiente para considerarem tais medidas.

Jogadores chineses e técnicos estão no limbo desde o dia 24 de janeiro, quando a liga entrou em quarentena durante o Ano Novo Chinês. Discussões sobre reativar a liga começaram no meio de fevereiro. Mas a incerteza sobre o contágio do vírus deixou em um estágio nebuloso a habilidade de estrategizar esse recomeço.

A temporada deveria recomeçar na primeira semana de abril, aí mudou para 15 de abril. Agora a CBA foi adiada até o fim de abril ou começo de maio, segundo fontes. Isso pode significar uma pausa de mais de três meses desde que a liga fechou as portas.

Os times telefonaram para os jogadores estrangeiros na última semana -- mais de uma dúzia de americanos, incluindo Jeremy Lin e Lance Stephenson, retornaram -- e fizeram eles entrar em quarentena por 14 dias para assegurar que estão saudáveis para jogar a tempo de fazer uma pré-temporada.

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A CBA viu ligas no Japão e Coreia do Sul tentarem um retorno e cancelá-los. A CBA sabe que os olhos do esporte mundial estão nela e entende o impacto de um passo para trás, fontes disseram.

O governo da China está também preocupar sobre um ressurgimento do cornavírus e anunciou planos para fechar as fronteiras em 28 de março após novos casos surgirem de estrangeiros que chegaram ao país.

The Chinese government is also concerned about a coronavirus resurgence and announced plans to close the borders to foreign nationals starting March 28 after a new set of cases was detected from foreigners arriving in the country.

A CBA ainda não anunciou um plano formal, mas múltiplas fontes disseram que o que foi desenhado inclui colocar times em uma ou duas cidades e jogar uma fase de grupos em arenas vazias por diversas semanas. Há 16 jogos para cada um dos 20 times da liga. O objetivo tem sido jogar o resto do calendário antes dos playoffs, com a esperança de que os fãs poderão entrar em algum momento.

A CBA discutiu jogar em Dongguan, uma cidade com clima mais ameno de sul que não viu o mesmo número de casos que em outras áreas. Outra opção tem sido Qingdao, uma cidade do nordeste da China que geralmente recebe viajantes de Japão e Coreia do Sul e desenvolveu estratégias de quarentena. Times viveriam e jogariam em um ambiente constantemente monitorado, com a febre sendo checada várias vezes ao dia.

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Se o plano seguir sem incidentes, pode ser uma estratégia que a NBA poderia considerar entre outras opções. Idealmente, os times da NBA poderiam treinar nas suas instalações e jogar em suas arenas. Mas a curto prazo isso pode ser impossível, especialmente com os problemas de saúde da nação. A NBA poderia olhar para arenas em locais centralizados, talvez em cidades sem time de NBA.

Várias ideias têm flutuado entre jogadores e executivos. Uma é considerar usar um casino em Las Vegas, onde tudo poderia ser realizado em um teto. Outros sugeriram jogar nas Bahamas, onde um salão poderia ser convertido em uma quadra específica para transmissão. Existem conversas de ir para um campus de faculdade no centro-oeste, onde os casos de COVID-19 estão baixos no momento.

Independente da localização, seria um lugar em que os times poderiam dormir, treinar, comer e ficar saudáveis o suficiente para voltarem a jogar -- talvez não para terminar a temporada, mas ao menos para reiniciá-la.

Mas como as 'saídas falsas' e atrasos na Ásia mostraram, esse é um desafio em massa. Quando a ideia de ficar quarentenado num hotel com outros times para voltar a jogar foi apresentada no podcast Road Trippin' nesta semana, LeBron James disse "eu não apoio essa m...Não apoio isso".

Ele também reiterou que não queria jogar sem fãs, mas faria isso se fosse necessário para voltar à quadra. Tais concessões podem ser necessárias se James quiser se arriscar a jogar por um título neste ano.

Não há manual em como lidar com uma pandemia em ligas esportivas. Essa semana, o dono do Dallas Mavericks, Mark Cuban, especulou que a liga poderia jogar no meio de maio.

Mas na China, as projeções para retornar variam. Parece que construir uma bolha pode ser difícil.