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NBA: O que aconteceu com 'Baby' Jordan, bicampeão do Torneio de Enterradas da NBA?

Nem Kobe Bryant, muito menos LeBron James. Um dos primeiros jogadores a ser comparado com Michael Jordan atende pelo nome de Harold Miner. Literalmente, no caso, já que seu apelido era “Baby Jordan”.

Miner vai completar 49 anos em 5 de maio, sendo apenas 4 deles dedicados à NBA. Seu ponto alto na liga foi no Torneio de Enterradas, se sagrando campeão em 1993 e 1995.

A ESPN e o WatchESPN transmitem o desafio de habilidades, o torneio de 3 pontos e o concurso de enterradas na noite deste sábado, a partir das 21h30 (de Brasília). O fã do esporte acompanha o All-Star Game, o Jogo das Estrelas, neste domingo, a partir das 21h. Perdeu algum lance? O ESPN.com.br traz todos os vídeos com o melhor do fim de semana festivo da NBA.

As enterradas, inclusive, se tornaram o principal elemento de comparação com Jordan. A facilidade em invadir o garrafão também. Explosão em quadra e cabelo raspado. Língua para fora. O porte físico: 1,96m e 95kg para Miner, 1,98m e 98kg para Jordan. A Nike entrou na jogada.

Enfim, o pacote completo estava ali, e nascia “Baby Jordan”.

Mas, claro, as diferenças existiam. Miner era canhoto, o que era o de menos. Seu arremesso não era tão bom e seu forte, de longe, não era defender. E, obviamente, ele não era Jordan, nem “Baby Jordan”.

O desempenho na USC (University of Southern California) foi surreal. Está no Hall da Fama do Pacific-10 da NCAA e teve a camisa número 23 (coincidência?) aposentada pela universidade como o maior cestinha da história, com 2.048 pontos, feito que permanece até hoje.

O ano é 1992, o último de Miner em USC. A equipe foi a segunda cabeça-de-chave na disputa da Região Meio-Oeste da NCAA, perdendo na segunda rodada do mata-mata para Georgia Tech graças a uma cesta milagrosa de James Forrest no estouro do cronômetro.

Miner entraria para a seleção da NCAA naquele ano, o chamado “Consensus All-American First Team”, ao lado de Shaquille O'Neal, Alonzo Mourning, Christian Laettner e Jimmy Jackson, justamente os 4 primeiros no Draft da NBA em 1992, nesta ordem.

Em meio às expectativas de trocar o “Baby” por “New”, Miner foi escolhido na 12ª posição pelo Miami Heat, em um contrato de US$ 7,3 milhões, além de mais US$ 14 milhões da Nike.

O resumo da carreira na NBA é dos mais dolorosos: três temporadas e meia, exatos 200 jogos por Heat e Cleveland Cavaliers, com 9 pontos e 18,7 minutos por jogo, além de uma série de lesões em seu joelho direito.

Curiosamente, sua última partida foi contra o Chicago Bulls, derrota por 102 a 76 fora de casa. Miner ficou apenas 5min em quadra e viu de perto o time de Scottie Pippen, Dennis Rodman, Toni Kukoc e, claro, Jordan, vencer a partida com facilidade.

Assim, os momentos de maior brilho foram as conquistas nos Torneios de Enterradas. Em 1993, foi campeão com a nota 97,4 (de um total de 100), superando Clarence Weatherspoon (92,2) e Cedric Ceballos (79,8) na rodada final. Dois anos depois, em 1995, repetiu o feito, derrotando na rodada decisiva o então atual campeão Isaiah Rider, 46 a 34 (de 50).

Miner optou por uma vida longe dos holofotes, se tornando quase inacessível. Voltou a falar em 2010, ao portal LostLettermen.com, especializado em basquete universitário, hoje fora do ar. No ano seguinte, deu entrevista ao Los Angeles Times. Na época, morava em Las Vegas e vivia confortavelmente com sua família (esposa e dois filhos) graças aos bons investimentos que fez com os mais de US$ 20 milhões que ganhou, entre salários e patrocínios.

"Muitas pessoas não entendem por que parei de jogar. Eu tinha duas cirurgias e uma articulação degenerativa no joelho. Então era muito desgaste, e acabei com quase nenhuma cartilagem no meu joelho.”

“Eu era um cara quieto que usava o basquete como uma maneira de me expressar. Então, quando minha capacidade atlética se tornou mais limitada e não conseguia fazer o que eu podia fazer antes, isso meio que tirou o meu entusiasmo pelo jogo."

Foram raríssimas as aparições públicas depois da aposentadoria. A entrada no Hall da Fama do Pacific-10 foi uma delas, em 2011. A aposentadoria de sua camisa em USC, no ano seguinte, foi outra. E só.

“Eu precisava me purificar do jogo, meio que manter uma distância segura do jogo, por que realmente doía não poder mais jogar.”

“O basquete era a minha vida e ser tirado dele tão abruptamente foi difícil. Toda vez que o March Madness começava, ou os playoffs da NBA, ou o All-Star Weekend... Eram momentos emocionais para mim.”

“Sempre pensei que a pior coisa que pudesse acontecer para Harold era o apelido de ‘Baby Jordan’”, disse George Raveling, técnico de Miner em USC.

“Basquete era quem eu era. Era tudo para mim.”

A frase de Raveling se eternizou, mas, para os fãs de basquete nos anos 90, não foi Kobe, nem LeBron. “Baby Jordan” só teve um: Harold Miner.