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O que Popovich está fazendo treinando a seleção dos EUA de basquete?

É uma tarde de agosto brutalmente quente, e Gregg Popovich está conversando com Mike Krzyzewski, Jeff Van Gundy, Steve Kerr e Jay Wright. Eles estão comparando anotações enquanto os jogadores de Popovich na seleção dos Estados Unidos passam por treinamentos.

Nas arquibancadas, alguns executivos da liga e outros treinadores observam. Eles estão de olho na ação, mas suas mentes também são ocupadas por perguntas sobre quando seria o momento apropriado para ir para casa, porque as férias estão finalmente chegando.

Os jogadores, muitos deles, pelo menos, a terceira escolha para o elenco, estão se esforçando de maneira absurda para um trabalho que, francamente, só serão lembrados se perderem.

Nos últimos dois dias, a imprensa foi convidada para três treinamentos. Em um deles, o Select Team (de jogadores reservas) amassou a equipe principal. Nos dois confrontos de quarta-feira, houve um empate, e isso só porque Khris Middleton salvou um jogo com uma bola de três pontos com menos de um segundo no relógio.

Tudo isso faz você parar e perguntar: o que diabos Popovich está fazendo aqui?

O que ele ainda tem que provar? Montar essa equipe é um grande impulso. Liderar o time para uma campanha invicta e um título mundial é uma grande pedida, mesmo para uma lenda viva como Popovich. A relação risco / recompensa está completamente desigual.

Suas experiências como jogador da seleção dos EUA não são das melhores. Alguns pensam que ele deveria ter sido parte das Olimpíadas de 1972 por conta do excelente período de treinamentos que ele fez. Mas como um armador relativamente desconhecido da Força Aérea, sem um grande nome, ele foi cortado. Amigos próximos de Popovich dizem que ele ainda não superou esse baque.

"Eles escolheram os caras certos. Eu era uma alternativa, fui ao Brasil com o time reserva e joguei bem", disse Popovich, usando o humor para cobrir uma cicatriz, como sempre faz. "A coisa que eu sempre quis fazer era estar na equipe olímpica e jogar. Esse sempre foi o meu sonho."

Ele foi como assistente em 2002 e 2004. Em 2002, a equipe dos EUA passou vergonha, terminando em sexto no Campeonato Mundial em Indianápolis. A equipe de 2004 terminou com um bronze nas Olimpíadas de Atenas e foi lembrada como uma desgraça.

No entanto, aqui está o trabalho de verdade. E pode apostar que ele vai levar tão a sério quanto o início de um playoff com o San Antonio Spurs.

"Eu pensei sobre isso", disse ele. "Eu sabia no que estava me metendo. É o meu país. Tive que dizer sim."

É por isso que Popovich estava sentado com Krzyzewski, o famoso "Coach K" na tarde de quarta-feira e por que eles planejaram reuniões mais tarde, quando Popovich procurou por algumas dicas sobre como montar sua equipe. Krzyzewski, que liderou a equipe de 2006 a 2016, não hesitou em ajudar seu amigo.

"Quando eu estava em Pomona-Pitzer, nós não jogamos contra Duke", disse Popovich, referindo-se ao seu período de nove anos como técnico do time da terceira divisão da NCAA.

Parece absurdo, mas Popovich pode ser a grande estrela deste elenco dos EUA. Quando uma equipe de filmagem chinesa disse a ele que ele será o membro mais conhecido da equipe quando estiver na China para a Copa do Mundo, no próximo mês, ele naturalmente disse que estavam errados. Mas será que estavam?

Superastros como LeBron James, Kevin Durant e James Harden não estarão na China. O elenco se apoiará em um técnico que acredita em um estilo que testa a aptidão, o altruísmo e o senso de humor dos jogadores.

"Tivemos caras no passado que eram grandes jogadores no isolation, mas não podemos confiar nisso com esse time", disse o pivô Myles Turner. "Você tem meio segundo para ficar com a bola. Recebe, passa e vai. Estamos aprendendo."

Steve Kerr, ex-jogador de Popovich e agora seu assistente, insiste que tudo isso será divertido para ele. Ele está encarando isso como um novo desafio.

Por enquanto, no início da jornada, Popovich está sorrindo bastante. Ele sabe que poucos vão apreciar o desafio real que ele tem na sua frente pelas próximas seis semanas. E ele já tem uma resposta para isso.

"Eu nunca estive muito preocupado com o que as pessoas vão dizer. Eu nunca li um artigo sobre nenhum dos nossos cinco títulos ainda. O que pode sair de bom nisso?" Popovich disse. "Tanto faz se estão me elogiando ou me chamando de idiota. Eu não poderia me importar menos. Há coisas mais importantes, como o tipo de vinho que pedirei no jantar."