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NBA: Como Kawhi mudou a liga e a corrida pelo título

Pat Riley nos ensinou, ou talvez Kevin Garnett tenha feito antes: se você está buscando uma superestrela - uma verdadeira superestrela, não um All-Star qualquer que calhou de ser o melhor em uma agência livre fraca - é melhor que você tenha outra em casa já. Talvez duas.

Os jogadores que mudam equipes não querem saber das escolhas que você juntou, do armador de 20 anos que parece um futuro All-Star, do jeito que você lidou com a folha salarial e abriu espaço. O LA Clippers tinha tudo isso para oferecer para Kawhi Leonard quando o perseguiu durante um ano. Não importou. Leonard queria Paul George.

Enquanto minha cabeça estava girando com as notícias das duas movimentações - a troca por George e a assinatura de Kawhi - que mudam no mínimo três franquias, meu cérebro se relembrou rapidamente de dois lados esquecidos na história: Blake Griffin e o Indiana Pacers.

Leonard queria uma estrela. Os Clippers não tinham uma após a troca de Chris Paul para o Houston Rockets? Eles renovaram com Griffin sob muitas críticas. Se eles tivessem seguido neste caminho, entrariam nesse verão com Patrick Beverley, Lou Williams, Montrezl Harrell, Jerome Robinson, Griffin e uns U$ 40 milhões na folha salarial - suficiente para encaixar Kawhi.

Neste cenário, não existiria necessidade dos Clippers trocarem tantas escolhas de draft para o Oklahoma City Thunder. Neste cenário, eles nunca teriam conseguido o resto do pacote gigante (e foi gigante) que mandaram para o Thunder: Shai Gilgeous-Alexandar e duas escolhas do Miami Heat.

Os Clippers concluíram que Griffin, com um histórico preocupante de lesões, não teria o mesmo apelo que George. Apesar do preço que eles pagaram, a conclusão foi a correta. Leonard entende a importância de estrelas que joguem nos dois lados da quadra para ser campeão e para que ele possa descansar. Não acho que Griffin o atraria para Los Angeles.

Os Clippers não perderam tudo que conseguiram com a troca de Griffin, também. Landry Shamet continua. Eles transformaram uma das escolhas do Philadelphia 7ers em Mfiondu Kabengele no dia do draft. O espaço extra na folha salarial fez com que eles conseguissem Harkless e McGruder - alas que encaixam com Kawhi e deixam a equipe com ainda mais profundidade de banco.

E agora eles tem a melhor combinação de perímetro da liga. Leonard, George e Beverley vão aterrorizar adversários na defesa. Meu deus. Fique esperto para não tentar carregar a bola perto deles a não ser que você seja um armador de elite. George e Beverley ainda podem dividir a marcação no principal pontuador do adversário então Kawhi pode descansar.

Paul serve melhor como segunda opção no ataque - ele se adaptou bem com Russell Westbrook, o que não é nada fácil - e pode fazer essa função de diferentes maneiras, através de diferentes jogadas ao redor de Kawhi.

Eles são um par ideal. Eles estão ligados desde o começo da carreira de Leonard na NBA no draft de 2011. Naquela noite, Indiana e o San Antonio Spurs acertaram uma troca que mandou George Hill para os Pacers pela 15ª escolha - desde que um jogador que os Spurs queriam ficasse disponível.

Eles não falaram quem era o jogador. Quando Indiana descobriu que era Leonard, pensaram em desistir da troca, afinal, Kawhi era o 5º colocado na prévia da equipe.

"Quando Kawhi chegou aqui, nós pensamos em mantê-lo", afirmou David Morway, membro chave dos Pacers na época, para mim em 2013. "Mas nós já tinhamos Danny Granger e Paul George, o que facilitou um pouco a decisão para nós".

Nós já tinhamos Paul George. Oito anos depois, os Clippers conseguem ambos em seus auges. Eles entram na próxima temporada como favoritos ao Oeste - e talvez ao título da NBA.