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Os grandes riscos por trás da troca de Anthony Davis para os Lakers

No verão passado, o San Antonio Spurs achou que tinha o Los Angeles Lakers exatamente onde queria. Os Lakers tinham o caminho livre para assinar com LeBron James em 1° de julho. Mas a crença em torno da liga era de que James não viria sozinho para os Lakers e passaria os últimos anos de sua primeira temporada cuidando de sua jovem equipe.

Os Spurs pensaram que era o momento perfeito para trocar Kawhi Leonard e eles queriam tudo o que os Lakers pudessem oferecer. Não um par de jogadores e algumas escolhas. Não. Estamos falando de todos eles.

Os Lakers passaram cinco anos construindo sua equipe na loteria do draft e se sentiram bem sobre como reformularam seu elenco. Eles mantiveram seus jovens jogadores quando Paul George foi negociado. Quando Jimmy Butler foi negociado. Quando DeMarcus Cousins foi negociado. Eles realmente iriam abrir mão de todos eles agora? Será que eles conseguiriam contratar LeBron sem uma segunda estrela 'engatilhada'?

Os Lakers se mantiveram firmes. LeBron veio de qualquer maneira, apostando que os Lakers conseguiriam aquela segunda estrela via troca ou free agency em 2019. Kawhi Leonard, enquanto isso, foi negociado para o Toronto Raptors e conquistou o título.

As demandas dos Pelicans para trocar Anthony Davis eram praticamente as mesmas que os Spurs tinham para negociar Kawhi. Seus pontos de pressão e até mesmo os jovens jogadores envolvidos eram praticamente os mesmos.

Mas os Lakers estavam em um lugar muito diferente desta vez. A NBA está em um lugar muito diferente desta vez, porque dois dos principais free agents prestes a chegar ao mercado - Klay Thompson e Kevin Durant - acabaram de sofrer lesões catastróficas que os manterão fora durante toda a próxima temporada. O terceiro, Kawhi Leonard, acabou de ganhar seu segundo MVP das Finais, e as chances dos Lakers estão diminuindo. E temos o quarto: Kyrie Irving, que trocou de agente e está cada vez mais próximo do Brooklyn Nets.

Os Lakers não podiam mais deixar as coisas aos caprichos da free agency. Não com LeBron James chegando à metade dos 30 anos, com a pressão em cima de Jeanie Buss e Rob Pelinka -- principalmente após a demissão de Magic Johnson, ídolo histórico dos Lakers.

Claro, Pelinka poderia ter cortado um pouco da tensão em sua coletiva de imprensa na noite do draft, tirando sarro de si mesmo após a matéria falsa de Heath Ledger que foi desmentida por Baxter Holmes, da ESPN. Mas a única maneira de Pelinka realmente aliviar parte da pressão sobre si mesmo -- e sobre a franquia -- era adquirir um jogador de calibre a qualquer custo. Os Lakers simplesmente não podiam se dar ao luxo de perder mais essa chance.

E era exatamente nisso que os Pelicans estavam apostando.

Agora, chamar essas discussões em fevereiro de "negociações" é um pouco exagerado. Os Pelicans não haviam cogitado, realmente, negociar Davis com os Lakers. Eles não gostaram nada, nada da pressão exercida por Anthony Davis e seu agente, Rich Paul. E eles provavelmente não deixariam Dell Demps, hoje ex-GM do time, tomar uma decisão tão grande assim.

Então os Lakers - na verdade, apenas Johnson, porque Demps não falava com Pelinka - ligavam e Demps escrevia nomes no quadro sem dar nenhum feedback. Esses nomes vazariam publicamente e prejudicariam a química do time dos Lakers. Mas, eventualmente, Magic Johnson e os Lakers entenderam e pararam de bater no que se tornou uma parede incrivelmente autodestrutiva.

Todos envolvidos nessa troca que não aconteceu acabaram se machucando.

A temporada dos Pelicans virou a busca pela melhor escolha de draft possível. A dos Lakers implodiu. Demps foi demitido. Magic se demitiu e desceu a letra em todo mundo. Luke Walton deixou os Lakers. LeBron, Rich Paul, Rob Pelinka e Jeanie Buss aguentaram meses de críticas. Anthony Davis foi vaiado pela torcida do seu time.

Foi um mau negócio para ambos os lados. E quando todos analisaram os danos, os dois lados perceberam que ainda havia um grande negócio a fazer se todo mundo se controlasse.

Uma fonte próxima das negociações disse: "A maior diferença desta vez foi David Griffin [o novo vice-presidente executivo dos Pelicans]. Ele não estava envolvido antes. Ele podia negociar com franqueza e honestidade".

Para os Lakers, é uma grande aposta, com Anthony Davis se tornando free agent ao fim da próxima temporada. Ele é um jogador melhor - e provavelmente mais saudável - do que Dwight Howard foi em 2012, quando os Lakers tiveram uma chance semelhante e se deram muito mal. Mais uma vez, é isso que os Lakers fazem. Perseguir os grandes astros faz parte de seu DNA. Acrescente a pressão de maximizar essa janela de três anos com LeBron ainda em seu auge, e trocar por AD foi como um reflexo para eles.

Para os Pelicans, essencialmente, eles conseguiram três escolhas top-5, dois dos quais já passaram por seu crescimento na NBA. A ideia de Lonzo Ball lançando pontes aéreas para Zion Williamson -- que deve ser a escolha dos Pelicans nesse draft -- já é o suficiente para fazer os fãs lotarem a arena.

Os Pelicans podem ser aquele time raro que trocou seu melhor jogador no auge e não terá que ser reconstruir. E ainda há a possibilidade da quarta escolha se tornar um veterano estabelecido na liga. Tudo pode acontecer.

De qualquer forma, os Lakers abriram mão de muito para contar com Davis - algo que eles vão estar lamentando nos próximos anos, como fizeram depois dos negócios por Dwight Howard e Steve Nash, ou comemorando se Davis e James levarem os Lakers ao título.


E assim, em um hotel Hilton na cidade de Chicago, Pelinka e Alvin Gentry -- técnico dos Pelicans -- acompanhavam juntos o sorteio da loteria do draft.

A combinação vencedora é desenhada primeiro. Então, todos sabiam imediatamente que os Pelicans teriam a chance de draftar Williamson. Mas, alguns minutos depois, o número dos Lakers também subiu, e eles saltaram para o quarto lugar.

Ambas as franquias sabiam que a sorte havia sido lançada. No sábado, essas escolhas de draft foram a base para essa troca monumental. Para Pelicans e Lakers, isso representa uma segunda chance de se expor ao verdadeiro risco -- e recompensa de um título.