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NBA Playoffs: A ascensão de Jayson Tatum que salvou a temporada dos Celtics e faz Boston sonhar com o 18º título

Celtics recebem o Heat nesta segunda, no Jogo 4 das finais do Leste; assista pela ESPN no Star+


Há menos de 10 dias, o Boston Celtics jogava o maior jogo da temporada, encarando a eliminação fora de casa contra o atual campeão Milwaukee Bucks. Foi um momento crucial para o melhor jovem time da Conferência Leste, e Jayson Tatum teve uma das melhores atuações de sua vida para forçar um Jogo 7 e salvar o ano dos Celtics na NBA.

Tatum explodiu para 46 pontos, arremessando e pontuando o dobro de vezes que qualquer um de seus colegas de time. Ele encarou Giannis Antetokounmpo e liderou a maior vitória de Boston na temporada.

Os Celtics dominaram o Jogo 7 e avançaram para as finais do Leste pela terceira vez em cinco anos. Mas desta vez, ccontra o Miami Heat, parece ser diferente. Tatum e cia já eliminaram Kevin Durant e Antetokounmpo em duas séries seguidas, e o ala se tornou o grande nome de um dos melhores jovens times da história recente da NBA.

Aos 24 anos, Tatum é exatamente o que os Celtics precisam: uma estrela elite nos dois lados da quadra que se encaixa no estilo durão e que prioriza o time do treinador Ime Udoka. Não aconteceu do dia para a noite. Desde janeiro, Tatum joga o melhor basquete de sua vida, e sua evolução no meio da temporada é um dos grandes motivos que fazem Boston sonhar com o título em junho.

Antes do dia 1º de janeiro, Tatum era pouco eficiente, e os Celtics atuavam como uma equipe de play-in. Boston terminou 2021 com campanha de 17 vitórias e 19 derrotas, ao lado do New York Knicks no 9º lugar do Leste.

E enquanto as esperanças em Nova York acabaram na virada do calendário, Boston foi por outro caminho. De lá para cá, Tatum virou uma verdadeira superestrela, e os Celtics viraram o melhor time da NBA.

Em uma liga dominada por grandes astros, a ascensão de Tatum é o que faz dos Celtics uma força que irá durar na NBA.

Ele foi feito para ser um grande pontuador. Quando promessa em Duke, o ataque era o ponto forte de Tatum. Ele tinha a combinação de tamanho, habilidade e atleticismo que ninguém mais em sua classe de draft tinha.

E depois de cinco anos de carreira, ele está onde deveria. Nesta temporada, foi o 7º cestinha. E, olhando para os arremessos que escolhe, algumas coisas chamam atenção. O mais empolgante é ver que ele está se tornando mais eficiente perto da cesta.

Dois anos atrás, Tatum acertou só 51% dos arremessos que tentou dentro do garrafão, muito abaixo da média da liga. Neste temporada, a marca subiu para 57% - acima da média da NBA. Mas ele ainda tem coisas a melhorar.

Sua eficácia em jump shots é uma delas. Talvez ele nunca seja um Durant, mas só três jogadores tentaram mais arremessos assim que Tatum neste ano. De 83 que tentaram pelo menos 500 jumpers em 2021-22, Tatum é o 61º em eficácia, com 0.99 ponto a cada arremesso – abaixo do 1.01 da média da liga.

E se há uma diferença entre pontuadores de elite e verdadeiros candidatos a MVP na NBA, é a habilidade de melhorar quem está ao seu redor, transformando uma atenção maior da defesa rival em oportunidades para outros arremessadores.

Nikola Jokic faz isso. Antetokounmpo e LeBron James também. Tatum sempre vai se dar bem tentando pontuar, mas criando, não. Se ele achar uma forma de fazer isso, será um real candidato ao MVP ano após ano.

Desde a saída de Kyrie Irving e a passagem rápida de Kemba Walker, o ataque dos Celtics está mais dividido do que nunca. Com Marcus Smart como o principal armador, há mais chances para Tatum participar mais do jogo passando a bola.

Em 2017-18, com Kyrie, Tatum tinha média de 3.1 assistências em potencial por jogo. Nesta temporada, a marca é de 9.9. Com Irving, ele dava menos de 30 passes por partida. Agora, são quase 50.

Parte da evolução de Tatum tem a ver com as saídas de Irving e Walker, mas também tem relação com o fato de que Tatum está aprendendo a comandar um ataque na NBA e sua habilidade de fazer as jogadas certas no pick-and-roll.

Entre as mudanças no elenco feitas por Brad Stevens, pelas estratégias de Udoka nos dois lados da quadra e pela ascensão de Tatum, este é o melhor time de Boston há pelo menos uma década . E é aqui que a coisa fica assustadora: a fórmula atual parece sustentável por anos. Tatum e os Celtics têm uma chance real de lutar por muitos títulos nos anos 2020.

O time de 2021-22 é o mais confiável que Tatum já teve na NBA, com a ênfase que Udoka dá ao trabalho em equipe, algo que ele aprendeu nos tempos de San Antonio Spurs.

Depois da varrida sobre os Nets na primeira rodada, Sean Marks, dirigente da franquia do Brooklyn, conversou com alguns repórteres em coletiva. E a entrevista virou notícia por conta do que ele falou sobre Kyrie Irving: “Vamos procurar caras que querem algo maior do que eles próprios, que joguem basquete coletivo e que estejam disponíveis. Isso vale para o Kyrie e para todo mundo aqui.”

Este mantra – querer pessoas que querem algo maior do que elas próprias – se tornou algo comum e chance em San Antonio, onde Marks e Udoka trabalharam.

Ficou claro que Marks sentiu que Brooklyn teve problemas neste departamento – coisa que o grupo de Udoka em Boston não tem. Os Celtics têm o grupo mais unido da liga. E o quinteto titular formado por Tatum, Smart, Jaylen Brown, Al Horford e Robert Williams III foi de longe o melhor na liga neste ano.

Em 443 minutos juntos na quadra, os titulares dos Celtics superaram seus rivais em 24.6 pontos a cada 100 posses de bola. Entre 34 quintetos que jogaram pelo menos 200 minutos juntos nesta temporada, o de Boston é o melhor na defesa e o 8º no ataque.

Nem todas superestrelas estão dispostas ou conseguem brilhar na defesa, mas de novo, Tatum brilha nisso. Ele tem naturalmente o tamanho e a habilidade física que os olheiros da NBA gostam, mas é a vontade dele de aparecer neste lado menos glamoroso da quadra que o separa de outros astros.

Aos 24, Tatum está perto. Talvez ainda não esteja no seu auge, mas todas suas estatísticas são encorajadoras. E por mais que a temporada tenha começado mal, sua habilidade para sair da fase ruim e se redescobrir é o grande motivo que faz os Celtics estarem a apenas alguns jogos do 18º título em sua história.