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NBA Playoffs: O dia em que Luka Doncic, aos 16 anos, impressionou e ajudou a 'calar' o Ibirapuera

Luka Doncic já era um jovem talento quando veio ao Brasil para jogar o Mundial da Fiba pelo Real Madrid contra o Bauru


Luka Doncic já é um dos melhores jogadores da NBA aos 23 anos. Tudo indica que no futuro ele irá estar na conversa dos maiores da história do basquete. E ele conduz o Dallas Mavericks contra o Golden State Warriors na final da Conferência Oeste, com o Jogo 1 acontecendo nesta quarta-feira, às 22h (Brasília), na Oracle Arena.

Antes de brilhar nos Estados Unidos, Luka Doncic brilhou nas quadras da Europa, onde foi MVP da Liga ACB e da Euroliga, conquistando os dois títulos pelo Real Madrid.

O início de sua caminhada no clube merengue tem a ver com o Brasil. Afinal, quando tinha apenas 16 anos de idade estreou no time profissional do Real Madrid, inclusive estando no elenco que veio a São Paulo para disputar a final do Mundial da Fiba de 2015, contra o Bauru, no Ginásio do Ibirapuera.

O time do Real era uma verdadeira máquina, com diversos jogadores com passagem pela NBA, fora outras estrelas europeias. No elenco estavam Andrés Nocioni, Rudy Fernandéz, Sérgio Rodriguez, Sérgio Lull e Gustavo Ayton.

No primeiro jogo da final, Rodriguez acabou sendo ejetado por uma falta. E o técnico Pablo Laso lançou o jovem esloveno na decisão, sem medo algum. Afinal, Doncic chegou ao Real Madrid com 13 anos de idade e já nessa época impressionou tanto que treinava entre os profissionais.

"Desde daquela época esse garoto era diferente. Na minha passagem pelo Real, ele treinava com a gente. Tinha 13 anos e você já via que era diferente, totalmente diferente dos da idade dele. Jogava diferente, pensava de uma forma diferente. Tinha jogo que ele fazia 40 pontos, 20 rebotes...", disse Rafael Hettsheimeir, pivô que estava na decisão defendendo Bauru, mas passou pelo Real Madrid entre 2012 e 2013.

"E jogando com ele aqui no Ibirapuera você via a nítida evolução dele, já entrando na rotação, já tinha cobrança de adulto, já era jogador cascudo, jogava de igual pra igual com qualquer um. Você via o jeito que ele batia bola, a consciência de jogo que ele tinha, ditava o ritmo do jogo. Teve um lance que ele no 1 contra 1 caiu comigo na troca, não tinha como, eu caí com ele, ele cortou e fez a bandeja. Teve lance dele chutando dando stepback...", completou o pivô de 36 anos.

"Lá no Real Madrid ele trabalhou muito, mais muito mesmo. Não é à toa o jogador que é. Muito humilde e trabalhador. O que eu mais gostava dele daquela época era a humilde dele. Todo mundo já naquela época já paparicava ele, às vezes um moleque novo isso atrapalha o desenvolvimento, mais ele sabia separar bem isso. Cabeça muito boa. Lembro que a mãe dele sempre estava com ele pra auxiliar ele", relembrou Hettsheimeir.

Doncic não teve protagonismo. No jogo 1 da decisão, onde Bauru venceu por 91 a 90, ele atuou por 7 minutos, sem pontos, só com uma assistência e um roubo. Na segunda partida, triunfo do Real por 91 a 79 (o título era definido pelo saldo de pontos dos dois confrontos), ele atuou por 16 minutos, com 4 pontos, 2 assistências, 2 roubos e 1 toco. O esloveno contribuiu para o título madrilenho, frustrando o Ginásio do Ibirapuera lotado, que torcia por uma vitória do time do interior paulista, com caravanas que fizeram o trajeto de mais de 300km até a capital paulista.

Mas mesmo assim impressionou Guerrinha, técnico do Bauru no duelo.

"O que me impressionou no Real Madrid foi a idade do Luka Doncic, ter entrado no jogo com a saída do Sergio Rodriguez e no segundo jogo ele entrou e jogou normal, não se destacou, mas você percebia que não sentiu nada. Já tinha um físico pra jogar basquete Fiba. Já mostrava que pra estar no Real Madrid com 16 anos não é pra qualquer jogador", comentou Guerrinha.

"A gente sabia que era só lenda. Era um moleque, que tinha potencial, não dava pra ver ali lampejos de um craque ainda. O cara que falar 'não, já dava pra ver'...mentira. Mas dava pra ver que era um baita prospecto. Ele não teve minutagem, protagonismo", relembrou Ricardo Bulgarelli, comentarista dos canais ESPN, que estava presente no Ibirapuera para o confronto.

"Eu já sabia do fenômeno que era Luka Doncic. Ele não tinha nem um décimo da fama que tem hoje, mas no meio do basquete já se falava do moleque de 16 anos que tinha se tornado um dos jogadores mais jovens a estrear pelo Real Madrid na Liga ACB. A expectativa maior era acompanhar outros jogadores cmo Lull, Nocioni. Não vou falar que naqueles jogos deu pra ver que ele seria esse gênio que está se tornando, foi uma chance ao vivo de ver esse garoto que iria arrebentar", analisou Gustavo Hofman, comentarista dos canais ESPN, que também estava presente no Ibirapuera para o confronto.

Já um veterano de 35 anos na época, Alex Garcia revelou que tentou usar a sua experiência para cima do jovem esloveno. Mas ficou surpreendido com o resultado.

"Pelas peças que o Real Madrid tinha a gente estava mais preocupado com os outros jogadores. Lembro que ele fez umas bolas boas, bandeja, infiltração. O lance que eu lembro mesmo, eu estava marcando ele e falei: 'vou tentar apertar ele pra tentar roubar a bola e cravar do outro lado'. O menino tinha um controle de bola muito grande, conseguiu sair da marcação e dar um passe para cesta. Desde novo já era um menino diferenciado", disse Alex..

Com 16 anos, Doncic conquistou seu segundo título pelos profissionais do Real Madrid. E aos 18 ele já havia virado protagonista dos merengues. O resto é história. E ela segue sendo escrita pelo craque a cada dia que passa.