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Playoffs da NBA: Como o Boston Celtics sofreu para descobrir o plano que mudou a temporada até a final do Leste

Franquia passou por supertransformação com a temporada rolando para crescer como equipe e chegar à final da Conferência Leste da NBA


Quando o Boston Celtics chegou à Capital One Arena de Washington para enfrentar os Wizards, em 23 de janeiro, ainda não havia qualquer sinal de que aquilo poderia representar um ponto de virada para a temporada tumultuada da equipe.

O time vinha de uma das derrotas mais duras do calendário: em casa para um Portland Trail Blazers sem Damian Lillard.

Jayson Tatum vinha de erros consecutivos em 18 arremessos de 3 pontos em quatro jogos. O ataque estava entre os piores da NBA e o desempenho em quadra derrubou a equipe para o 10º lugar na Conferência Leste, à frente do New York Knicks pela vaga final no play-in.

Boston esteve em mais da metade da temporada dando sinais de que estava destinado a uma passagem relâmpago pelos playoffs. Isso se chegasse até lá.

Então veio a demolição diante dos Wizards por 116 a 87, na partida que Tatum fez 51 pontos e devolveu a franquia a um aproveitamento de 0,5 na temporada. Após o jogo, Marcus Smart sentiu que a mudança de rota estava acontecendo.

“Depois daquele jogo, nós adotamos essa mentalidade e tivemos esse senso de urgência, nós sentimos que uma mudança estava começando. E quando aquilo começou a rolar, entramos no caminho certo. Foi um caminho mais tranquilo a partir daí”.

O Boston Celtics tem sido a melhor equipe da NBA desde aquele momento em Washington, terminando a temporada regular com a melhor sequência da liga (28-7), melhor ataque (120,2 pontos por 100 posses) e melhor defesa (104,8).

Depois de varrer o Brooklyn Nets com as estrelas Kevin Durant e Kyrie Irving e batalhar sete jogos com Giannis Antetokounmpo e o atual campeão Milwaukee Bucks, Boston está na final da Conferência Leste contra o Miami Heat.

Mas uma das reviravoltas mais importantes conseguidas durante uma temporada na história da NBA não começou em 23 de janeiro. Foi muito antes dos resultados aparecerem na quadra.


Como Boston 'descobriu' seu plano

O ponto mais baixo dos Celtics veio em 1º de novembro, apenas sete jogos na temporada. Depois de perder uma vantagem de 14 pontos para o Chicago Bulls, que superou Boston no placar final, Smart chamou a atenção da equipe.

“Toda equipe sabe que estamos tentando achar Jayson e Jaylen (Brown), e nosso adversários estudam formas de parar Jayson e Jaylen. Os relatórios de scouting dizem que esses caras precisam passar a bola. Eles não querem passar a bola e isso é algo que vão aprender. Eles ainda estão aprendendo e estamos orgulhosos do progresso que eles estão fazendo, mas terão que dar um o próximo passo e encontrar maneiras de não criar apenas para si mesmos, mas também para outros da equipe”.

“É algo que pedimos para fazerem e eles estão aprendendo. Temos que continuar ajudando esses caras a fazer isso e ajudar nossa equipe”.

Aquele momento foi um marco em uma campanha comandada por um trio talentoso, mas que parecia destinada a decepcionar pela segunda temporada consecutiva. Mas em vez disso se tornou um lembrete de início da reviravolta, e que acabou dando certo para Boston.

“Temos ótimos jogadores no time, era apenas uma questão de descobrir como jogar juntos”, diz Grant Williams. “Todos estamos aprendendo a nos estabelecer. Não apenas na liga, mas também estabelecendo o plano que Boston quer ter. À medida que crescemos, saberemos exatamente o que queremos e quem somos”.

Alguns dos problemas iniciais dos Celtics estavam mesmo fora de seu controle.

Brown e Al Horford perderam parte da pré-temporada, e Horford perdeu tempo em dezembro depois que entrou nos protocolos de saúde e segurança da liga. Smart, por sua vez, entrou em protocolos em janeiro e ficou fora de seis jogos.

Os Celtics também encontraram o melhor ajuste para o sistema do técnico Ime Udoka.

A franquia se esforçou para contratar Josh Richardson e convenceu Dennis Schroder a fazer um corte salarial maciço. Ambos estão acostumados a segurar a bola, o que teve efeito direto nas 'tendências naturais' que Udoka esperava mudar em Tatum e Brown.

Josh Richardson e Dennis Schroder ainda foram negociados pelos Celtics, nas transferências que levaram Daniel Theis e Derrick White para Boston. Essas mudanças tiveram um reflexo imediato no time, principalmente ao ajudar Udoka a implementar o ataque mais móvel que o técnico tentava há quase um ano.

Antes da troca, Boston ficou em 19º lugar na NBA em assistências por jogo, e 49,4% de seus arremessos de quadra vieram de passes, a 18ª marca da liga. Depois disso, a equipe subiu à 7ª posição em ambos os quesitos.

A formação inicial de Boston com Smart, Brown, Tatum, Horford e Robert Williams III tornou o time a um nível de elite. Ao trazer White e dar mais tempo para Grant Williams e Payton Pritchard na rotação, os Celtics passaram a contar com oito homens que se encaixavam no plano de jogo de Udoka.


Tatum ascende e Smart encontrando seu verdadeiro papel

É fácil falar sobre as coisas intangíveis como conectividade, trabalho em equipe e união. Mas nada disso vai ganhar jogos se não estiverem atuando ao lado do talento.

“A maior coisa que aconteceu na NBA nos últimos dois meses foi Jayson Tatum se tornando o jogador que o mundo pensava que já era”, disse recentemente um executivo da Conferência Leste.

Mesmo após alguns arremessos especialmente difíceis no início, Tatum terminou a temporada com média de 26,9 pontos, 8,0 rebotes e 4,4 assistências. Mais importante, porém, foi seu crescimento como passador e protagonista ao longo da segunda metade da temporada.

Seus números de assistências aumentaram quase um por jogo após o intervalo do All-Star, e ainda no início da temporada, Udoka se inclinou a Tatum como o principal articulador de bola quando Smart e Brown deixaram a quadra.

A peça final da evolução do Boston Celtics foi Marcus Smart assumindo o posto de armador inicial da equipe. É um papel que ele tem, há anos, implorado para desempenhar.

Apesar de ter sido draftado em 2014 como armador em Oklahoma State, Smart jogou ao lado de uma série de outros armadores como Isaiah Thomas, Terry Rozier, Kyrie Irving e Kemba Walker.

Mas após Walker ser trocado por Horford, já não havia escolha a não ser entregar as chaves da armação para Smart.

Udoka acreditava que ele poderia ser exatamente o jogador de que precisava para executar seu ataque. O técnico sabia que, ao contrário de outros armadores que jogaram com Tatum e Brown ao longo dos anos, Smart é um líder de primeiro escalão.


Uma grande defesa forma um time de elite

Mesmo quando os Celtics estavam batendo cabeça no início da temporada, ficaram em quinto lugar no desempenho defensivo. E depois de adquirir White e liberar Schroder, o time passou a ter sete ótimos defensores em sua rotação: Smart, Brown, Tatum, Horford, Robert Williams III, White e Grant Williams.

Essa foi uma combinação esperada por Boston: vantagem de tamanho em praticamente todas as posições quando qualquer formação com esses sete juntos na quadra.

Sempre que Boston fala sobre sua defesa, o porte atlético é repetidamente mencionado como um fator central. E os Celtics aplicaram isso com entusiasmo nesses playoffs.

Está muito longe de como o time parecia quando foi derrotado pelos Nets na primeira rodada na temporada passada.

“Este é provavelmente o melhor time defensivo em que já estive”, disse White. “Os jogadores estão conectados, podem guardar várias posições. É assim que a NBA é hoje em dia. Você precisa dos caras certos para poder fazer isso”.

Ainda há aspectos enormes no trabalho de Boston para que o time sonhe em levar novamente o título ao TD Garden.

“Espero que todos estejam gostando muito de competir juntos. Acho que temos um grupo que está caminhando na mesma direção”, disse Brad Stevens. Temos que nos manter assim. Sei como tudo isso é frágil. Mas acho que quando o momento decisivo chegar, seremos difíceis de derrotar”.