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Nem Ben Simmons, nem James Harden: Jimmy Butler é quem mostra o que os 76ers poderiam ser

'Carrasco' do Philadelphia 76ers na série da Conferência Leste, Jimmy Butler poderia ser aliado de Joel Embiid se a franquia não tivesse optado por Ben Simmons em 2019


Quando a história do Philadelphia 76ers for escrita, haverá muitos momentos e decisões a serem revisitados. Sem o benefício do distanciamento histórico ainda é impossível saber quais foram de maior consequência.

Mas é impossível assistir ao que Jimmy Butler fez na noite de terça-feira, na vitória do Miami Heat por 120 a 85, no jogo 5 das semifinais da Conferência Leste, e não se perguntar: o quão diferente a NBA poderia ser se os Sixers tivessem escolhido manter o ala em 2019?

Os Sixers haviam adquirido Butler no outono anterior depois da baixa em Minnesota. Foi um voto de confiança na retomada de seu espírito competitivo e que sua experiência ajudasse a elevar os ainda jovens Ben Simmons e Joel Embiid ao próximo nível.

Mas nada saiu como planejado.

Enquanto Butler e Embiid se conectaram, Simmons ficou desprivilegiado pelo estilo de jogo e liderança da nova peça do elenco.

Ambos precisavam da bola nas mãos, o que os colocava em lados opostos. Ineditamente, chegou ao ponto em que a organização sentiu que precisava escolher entre eles. E de acordo com fontes da equipe, a escolha foi por Simmons.

Ele era mais jovem e, na época, parecia ter um teto mais alto. Ben também ainda estava em um acordo salarial de novato, e não sob um grande contrato de free agent como Butler.

Muitas organizações teriam feito o mesmo.

Mas essa escolha não envelheceu bem. Tanto por causa de como a carreira de Simmons se desenrolou nos últimos anos, quanto por quão bem Butler tem jogado pelo Heat desde que a franquia de Miami investiu nele com contratos que passaram de oito dígitos, incluindo o acerto de quatro temporadas firmado no verão, que renderá 184 milhões de dólares ao jogador.

“Ele é um grande competidor em sua essência”, disse Erik Spoelstra, o técnico do Heat, sobre Butler, após o ala anotar 23 pontos na terça-feira, além de ter se destacado defensivamente.

“Quando você entra em uma competição, ele entende o negócio completo, o que você tem que fazer nos dois lados da quadra. Ele é capaz de competir com uma ferocidade e uma mente incrivelmente estável. Isso é realmente único. Quando está louco em quadra é quando de fato ele está realmente empenhado ter um basquete sólido e vencedor para nosso time”.

Essa competitividade é o motivo pelo qual Miami estava tão interessado em Butler quando ele se aproximou ser um free agent.

Enquanto outras equipes se preocupavam com a forma como seu corpo poderia envelhecer ou se sua personalidade inflamável influenciaria suas culturas organizacionais, o Heat viu um ajuste perfeito para seu estilo e foi recompensado por sua crença com uma aparição nas finais em 2020.

Nesta série, Butler pagou a fé de Miami nele com seu brilhantismo habitual, e ainda assumiu mais responsabilidade na influência do jogo após o armador Kyle Lowry sofrer com problemas no tendão, perdendo três dos cinco jogos contra os Sixers.

De acordo com a ESPN Stats & Information, a partida no jogo 5 foi a 10ª de Butler em partidas de playoffs com ao menos 20 pontos, cinco rebotes e cinco assistências pelo Heat. Ele é o terceiro jogador na história da franquia a somar esses números, atrás somente de LeBron James (47) e Dwyane Wade (43).

Apenas Embiid pode falar sobre como é competir tanto e ainda assim ficar atrás na série para o Heat de Butler, sabendo que se algumas decisões diferentes tivessem acontecido em 2019, o ala ainda poderia ser seu companheiro na Filadélfia.

O pivô raramente abordou isso publicamente, mas no outono passado, depois informações de que Simmons havia entendido que sua parceria com a Embiid havia chegado ao fim, a estrela dos Sixers admitiu estar frustrada e arrependida da escolha sobre a saída de Butler.

“Nós nos livramos de Jimmy, o que ainda acho que foi um erro, apenas para garantir que [Simmons] tivesse a bola em suas mãos”, disse Embiid em setembro passado. “Essa é a decisão que eles tomaram. Como eu disse, é surpreendente”.

Mas com os Sixers agora enfrentando uma possível eliminação e a possibilidade real de desperdiçar mais um ano do auge de Embiid, esta é uma questão que paira sobre a série e a organização.

Quão diferente seria a NBA se os Sixers tivessem escolhido Butler em vez de Simmons? Eles poderiam ter mantido os dois após uma derrota no jogo 7 para Toronto e forçá-los a coexistir?

Embiid e Butler ficaram próximos e conversam regularmente. Eles não fazem segredo disso nas mídias sociais. Em entrevista à ESPN em dezembro de 2020, Embiid disse que ele e Butler assistem e criticam os jogos e performances um do outro.

“Ele estava sempre me dizendo para ser mais agressivo”, disse Embiid. “Às vezes, quando tudo não estava indo bem e eu não estava recebendo a bola, ele me ligava e dizia: 'Você é o melhor jogador. Você precisa ser agressivo. Vocês não vão ganhar se não são agressivos.' Você precisa querer a bola, você precisa comandá-la, e eles precisam dar bola a você. Essa é apenas a mentalidade que você tem que ter. Você tem que liderar esses caras'”.

Era exatamente a mensagem que Embiid precisava ouvir ao se tornar um candidato a MVP em 2021, e novamente nesta temporada.

Mas em vez de passar esse tipo de mensagem para Embiid no banco ou no vestiário nesta série, Butler está entregando o caos para o Heat.

“Eu falo com ele todos os dias. Mesmo antes desta série. Ele é um irmão para mim”, disse Butler sobre Embiid. “É um privilégio jogar contra ele, ou obviamente estar no mesmo time com ele, como estava no passado”.

“Você quer ser capaz de jogar contra os melhores e ter a oportunidade de vencer os melhores. E manter isso na cabeça um do outro nos próximos anos. Mas depois do basquete, ele ainda é meu amigo”.