<
>

NBA Playoffs: Por que Jogo 4 contra os Bucks foi mais um exemplo da resiliência dos Celtics e de Al Horford

Celtics empataram série com os Bucks em 2 a 2 depois de vitória fora de casa nos playoffs da NBA


Em certo momento, o Boston Celtics tinha campanha de só 16 vitórias e 19 derrotas na temporada da NBA.

Em certo momento da temporada passada, Al Horford foi afastado no Oklahoma City Thunder com 28 jogos restando no ano, sem saber como seria a reta final de sua carreira.

Em certo momento na noite de segunda-feira, quando o Milwaukee Bucks liderava por 10 pontos, tudo parecia dar certo para os atuais campeões.

Um dos titulares dos Celtics, Robert Williams III, estava no banco por causa de uma lesão. Jaylen Brown e Grant Williams estavam fora por problemas com faltas. Jayson Tatum, a outra estrela, parecia não conseguir superar o que seria um segundo jogo ruim em sequência.

Giannis Antetokounmpo estava atacando a cesta, acabando com a defesa dos Celtics e forçando os árbitros a tomarem decisões difíceis todas as vezes em que fazia rivais voarem com trombadas.

"Nós nos sentimos em casa", disse o armador dos Celtics Marcus Smart. "É isso que nós somos. A adversidade, o ambiente hostil. Passamos por isso o ano todo e estamos tendo sucesso. Ficamos muito confortáveis com isso."

As atitudes dos Celtics têm suportado as palavras de Smart pelos últimos cinco meses; é um time que define o signficado de resiliência. E que teve seu melhor momento com um último quarto dominante de 43 pontos na vitória por 116 a 108 no Jogo 4, igualando a semifinal do Leste em 2 a 2.

Smart era uma voz presente. A cidade inteira estava enlouquecendo com a atuação da arbitragem no terceiro quarto, e era Smart quem falava para os colegas de time continuarem. E eles fizeram isso, cortando a vantagem dos Bucks para sete pontos antes do quarto período.

E Tatum foi o martelo. Quando Giannis se cansou, e o técnico de Milwaukee Mike Budenholzer teve de pedir tempo com cinco minutos restando, Tatum sentiu a oportunidade. Ele atacou o garrafão dos Bucks que não tinha sua âncora e fez oito pontos em menos de um minuto, um momento marcante que o levou a 12 pontos no último quarto e 30 no total.

Mas a rocha do time foi Horford, aos 35 anos de idade. Sem Williams e como o principal marcador de Antetokounmpo, o fardo caiu sobre Horford. A superestrela dos Bucks sabia disso e tentou atacar o veterano, até conseguir uma enterrada no final do primeiro tempo que terminou em provocação e uma falta técnica para Giannis.

Horford superou de seu jeito calmo. Mas sua resposta, falando 'Ok, ok' enquanto saia de perto de Giannis, foi tão impactante quanto a marcação que fez sobre Antetokounmpo. E foi um erro do grego, considerando o que é este time dos Celtics. Eles não se importam em estar perdendo, e é uma mentalidade que ajudou muito a equipe nesta temporada que tem chance de ser memorável.

Horford pode ter tido outros jogos melhores estatisticamente, mas ele nunca fez uma partida assim. No segundo tempo, teve algumas das melhores sequências de sua carreira de 15 anos. No quarto período, ele acertou os seis arremessos que tentou e fez 16 de 30 pontos - um recorde pessoal nos playoffs. Ele é o Celtic mais velho a fazer 30 pontos na pós-temporada desde John Havlicek, em 1977, aos 37.

O momento inesquecível foi quando Horford devolveu o favor a Antetokounmpo, com uma enterrada que acabou com a liderança dos Bucks e uma pancada que mandou o duas vezes MVP ao chão.

"Sempre que o Al consegue voltar no tempo e ser o que era, todo mundo fica empolgado", disse Tatum. "Al jogou com muita paixão, e todos nós temos que seguir."

Horford foi sólido como sempre na defesa, nos lugares certos e seguindo os fundamentos. Os Bucks acertaram 7 de 20 arremessos quando marcados por Horford; e quando era Giannis, que sempre acha um jeito de envergonhar todo mundo, Horford o segurou a 4 de 12. E enquanto Antetokounmpo se cansou, Horford ficou ainda mais forte nos 43 minutos em quadra.

"Sou muito grato por isso. Me preparei no verão passado para estar em momentos assim, e fiz tudo que precisava para ficar saudável", comentou Horford. "São desses momentos que quero fazer parte."

Quando o Thunder parou de utilizar Horford na temporada passada, poderíamos pensar que é por seu desempenho - principalmente depois de uma temporada decepcionante com o Philadelphia 76ers e após assinar um contrato longo e considerado arriscado em 2019. A verdade é que Horford estava jogando muito bem e o Thunder, em meio à reconstrução, queria usar os mais jovens e, francamente, perder.

Assim como um ano em OKC rejuvenesceu Chris Paul antes de sua ida para o Phoenix Suns, Horford deu sinais durante esta temporada que ainda pode contribuir em alto nível depois de uma temporada por lá. O que acontece no Jogo 4, o que aconteceu em toda a segunda metade da temporada, é uma prova de seu valor e da decisão certa de Brad Stevens, presidente dos Celtics, e levá-lo de volta após sua primeira passagem pelos Celtics entre 2016 e 2019.

E tudo por isso.

"Eu estava sentado em casa no ano passado e vendo os playoffs sem saber o que o futuro guardava", admitiu Horford. "Eu só queria uma oportunidade de estar aqui."