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As últimas curvas de Valentino Rossi

Lenda da MotoGP se despediu das pistas neste fim de semana


Buscando por “história” no dicionário, duas definições se encaixam perfeitamente à carreira de Valentino Rossi: “A evolução da humanidade ao longo de sua existência. Conjunto de obras que se referem a fatos históricos”.

“Il Dottore” fez para a MotoGP em 20 anos muito mais do que ela poderia pensar. Ele elevou o sarrafo da principal categoria do motociclismo a níveis estratosféricos. A evolução chegou com o eterno número 46, e a existência de ambos está para sempre amalgamada.

Valentino trouxe inigualáveis fatos: carisma, idolatria, superação, vitórias, títulos, rivais. Ele dominou a primeira década deste século com sete Mundiais e só aí já “entrou para a história” pelas celebrações, cortesias, cabelos à la Guga Kuerten ou com diversas cores, roupas e acessórios, bandeiras...

Precisava de mais, porém.

A última conquista aconteceu no longínquo 2009. Foram mais três vice-campeonatos até este 14 de novembro de 2021, em Valência (ESP), onde as curvas derradeiras de sua obra foram pinceladas.

Décimo lugar (o 4+6 mais apropriado?) para Rossi em sua corrida 432 no motociclismo, reverências durante todo o fim de semana... e pilotos para “chamar de seu”.

12 anos sem conquistas não significam ostracismo se você quer deixar algo mais do que números. Legados se constroem botando a mão na massa, inspirando jovens, e Valentino investiu para que sua marca continue ativa mesmo que ele tenha agora “dado um tempo”.

Em 2014, nasceram VR46 Racing Academy e Sky Racing Team VR46, respectivamente a academia de jovens pilotos italianos e a equipe que corre hoje na Moto2 (tendo começado, porém, na Moto3).

Hoje eles estão nas três categorias, e logo a bandeira verde, branca e vermelha estará outra vez na galeria de campeões.

Valentino Rossi deu ao país o que antes parecia ser algo exclusivo da Ferrari: um embaixador esportivo em nível mundial. Um legado vivo. O ícone sobre duas rodas.