<
>

Fã de futebol e do 'jogo bonito', Marc Márquez lembra até de 'motoboys' em São Paulo e torce por MotoGP no Brasil

Marc Márquez concedeu entrevista exclusiva para a ESPN e falou de suas lesões na MotoGP, o carinho pelo futebol e o Brasil e muito mais


A MotoGP desembarca em Portugal neste final de semana, com a corrida no domingo, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ a partir de 8h20 (de Brasília). Marc Márquez estará no grid novamente, depois de ficar de fora de duas provas da temporada – teve uma concussão antes do GP da Indonésia, em acidente que o fez voltar a ter problemas de visão dupla e perder o GP da Argentina.

A luta para se manter apto a competir, aliás, tem sido uma marca para o espanhol, seis vezes campeão da principal categoria da motovelocidade, nos últimos anos. Uma queda em 2020 o fez sofrer uma séria fratura no braço direito, problema que o atormentou também durante 2021.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o piloto da Honda relembrou o período “amargo” que viveu, contou como o médico de seu compatriota Rafael Nadal o ajudou e também muito mais: de sua paixão pelo futebol, o conhecimento até dos “motoboys” de São Paulo e seu desejo de correr no Brasil.

“Logicamente, depois de duas temporadas em que vivi o mais amargo do esporte, que são as lesões, estar em casa, não poder competir, a dor, o sofrimento, volto com muita vontade, de retomar de onde paramos. Não sei se da mesma maneira ou de outra, mas quero tentar voltar a lutar por vitórias, pódios a cada corrida. Sobretudo, voltar a desfrutar do esporte”, resumiu.

“O acidente de 2020, a queda em si, evidentemente, me ensinou muitas coisas que não sabia, me fez viver experiências diferentes e também me forçou um pouquinho a mudar meu estilo de pilotagem. Porque, bom, o braço não ficou exatamente como antes, não tenho a mesma força, não tenho a mesma mobilidade, mas creio que estamos trabalhando muito bem com os médicos, para, talvez, não com a mesma pilotagem, mas com uma pilotagem revolucionada, voltar a ser rápido, e creio que pouco a pouco estamos conseguindo.”

A entrevista de Márquez foi concedida semanas antes das quedas – foram quatro no total – na Indonésia, ainda nos treinos. Uma delas, mais severa, o tirou da corrida e o fez voltar a conviver com a diplopia, um problema de visão dupla que ele já tinha tido no passado e este ano o tirou do GP da Argentina, em 3 de abril. Em seu retorno, no último dia 10, foi sexto nos Estados Unidos.

Todos nós pilotos temos algum incômodo, alguma dor, e estar 100% acontece poucas vezes nas nossas carreiras esportivas. Esperamos, mesmo sem estar 100%, nos adaptar às situações e lutar por grandes resultados”, disse o espanhol, lembrando da ajuda que teve de um dos médicos de Nadal para poder estar em condições para iniciar a temporada 2022.

“Através de Samuel Antuña, que é o médico que me operou o braço, fomos até o Angel Cotorro, que é o médico da Federação Espanhola de Tênis, onde está claro Rafa Nadal. A verdade é que está me ajudando muito. Montamos um grupo de preparadores físicos, fisioterapeutas, supervisionados sempre por Angel Cotorro, junto com Samuel Antuña, para ter tudo o mais controlado para seguir evoluindo meu estado físico”, contou.

O futebol e o Brasil

As motos, claro, são a grande paixão do hexacampeão da MotoGP. Mas Márquez também é um admirador de futebol – e do Brasil. Torcedor do Barcelona, ele já posou, por exemplo, com a camisa do Corinthians, quando dividia com o clube brasileiro o patrocínio da cervejaria Estrella Galícia.

“Sim, sou um fã de futebol. Depois das motos, creio que futebol é o que acompanho mais. Não vi recentemente nenhuma partida no Brasil, porque estive super ocupado com o início de temporada, recuperando das minhas lesões, mas sim, evidentemente, sempre gosto do ‘jogo bonito’ do Brasil. Seja o time que for, se jogam bem, tento assistir.

Em suas vindas ao Brasil, Márquez disse se recordar das muitas motos que viu pelos corredores das ruas em São Paulo e espera um dia poder retornar ao país para competir.

“Sim, fui algumas vezes a São Paulo, e gostaria, tomara, que tivéssemos um Grande Prêmio no Brasil no futuro. Creio que há muito público para as motos, pude ver na cidade, muitas motos, claro que gostam. E nós pilotos também temos vontade que, no futuro, tenhamos um GP no Brasil.”

Obviamente gostaria de um dia correr no Brasil. Sempre que vamos a países que tem ambiente, as pessoas, isso são países especiais para correr. Sinto que falta um piloto brasileiro nas motos.

Márquez, inclusive, apontou quem pode ser um “novo Alexandre Barros”, citando o mais vitorioso brasileiro da principal categoria da motovelocidade – é dele o último triunfo verde e amarelo na MotoGP, em 2005, justamente em Portugal, onde acontece a corrida em Portimão neste domingo.

“Alex Barros, para o mundo da motovelocidade, mas também do esporte no Brasil, além de ser uma grande pessoa e de sempre ter sido muito bom comigo, é uma referência, é uma referência. Pode ajudar muito o país. Tomara que surja um novo Barros na motovelocidade”, disse. “Creio que está subindo um nome novo que treina muito comigo, que é o Diogo Moreira, está na Moto3, e creio que tem muito talento. Se trabalhar e se preparar bem, pode chegar, por que não, a MotoGP.”

Diogo Moreira tem apenas 17 anos e é estreante na Moto3 em 2022. Nas quatro provas da temporada até aqui, acumula dois sextos lugares (Qatar e Argentina) e dois abandonos (Indonésia e Estados Unidos). Ele também estará em Portimão para o GP de Portugal, também com transmissão pela ESPN no Star+ - a corrida da Moto3 é domingo, às 7h (horário de Brasília).

Fome de vitória

Depois de tantas lesões após seis títulos conquistados, o que ainda motiva Márquez a retornar a MotoGP aos 29 anos? Sua resposta é direta.

“Bom, o que segue me motivando basicamente é a fome de vitória. A fome de vitória e, sobretudo, seguir desfrutando do meu esporte. Mas se curte mais quando se ganha. A fome de ganhar, estar com a minha equipe, seguir evoluindo, novos objetivos, essa situação que estou vivendo agora, um dos maiores desafios da minha carreira... Porque, quando está ganhando, é muito bonito, mas fui ao ponto mais amargo do esporte, que são as lesões, e agora voltar... É um desafio muito grande e isso me motiva.”

(* Colaboraram Daniel Bocatto, Fabio Chiorino, Thiago Cara e Thomas Polistchuk)