O brasileiro Jailton Malhadinho fará pela primeira vez o main event de um card do UFC neste sábado (4), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, contra o veterano Derrick Lewis, num duelo que vale o posto de próximo contender ao título dos pesos pesados da organização.
Quando subir no octógono do Ibirapuera, o brasileiro de 32 anos estará não só lutando por ele mesmo, mas também por seu irmão, Alexandre, desaparecido há 12 anos.
"Quando eu olho pra trás e vejo estar sem meu irmão, parece uma coisa inexplicável porque a gente teve a mesma criação, teve tudo e ele se foi de uma forma inexplicável. E ele está no meu coração e eu vou levar pra sempre", disse Malhadinho, à ESPN.
O peso pesado, que tem 14 vitórias seguidas e jamais precisou ir ao terceiro round em seis lutas no UFC, afirmou que seu irmão se envolveu com amizades do mundo do crime antes de desaparecer.
"Até hoje nada, minha mãe também está procurando até hoje. Sem notícias nenhuma. Eu vejo pessoas falando comigo na rua e falam 'vi seu irmão em tal lugar', mas acho que é mais uma pessoa parecida. Tenho certeza que não é, às vezes é uma ilusão de ótica que às vezes falam pra confortar o coração da pessoa. Se ele estivesse vivo ele procuraria a família. São 11 anos, não teria como a pessoa desaparecer 11 anos e do nada estar convivendo na sociedade sem falar com a família".
"Você sabe que em periferia o mundo da criminalidade é muito sujo. Se você tiver a mente blindada você segue no caminho certo. Se você tiver umas amizades que possam te influenciar, você vai seguir (no caminho errado). Hoje eu estou no UFC pra mostrar pra todo mundo da periferia que é possível você seguir o caminho certo. Se um dia eu sair do UFC, meu legado vai continuar e mostrando pra todo mundo que é possível chegar. Eu segui no caminho certo e meu irmão seguiu no outro por causa das influências. Alguma coisa ele fez, não tinha como o ser humano que está no caminho errado sumir do nada. A gente colhe o que a gente planta. Ele plantou o caminho errado e colheu coisa errada", afirmou Malhadinho.
O lutador brasileiro disse crer que, caso seu irmão não tivesse abandonado as artes marciais e se envolvido com o crime, estaria no UFC junto com ele.
"Até no dia que ele foi pra prisão, os caras lutavam boxe e ele lutou com o filho do diretor. Eu ouvia da boca de outras pessoas que ele ganhava de um monte de gente lá na prisão".
