O título do peso galo feminino estará em jogo quando Amanda Nunes e Julianna Peña se enfrentarem dentro do octógono pela segunda vez, agora no evento principal do UFC 277, em Dallas, nos Estados Unidos, neste sábado (30).
Peña (12-4) é a defensora do cinturão depois de conseguir uma das maiores surpresas da história da organização quando venceu Amanda em dezembro do ano passado.
Nunes (21-5) é possivelmente a melhor lutadora de todos os tempos. Antes de sua derrota contra Julianna no UFC 269, estava em uma sequência de 12 vitórias, incluindo 9 disputas de cinturão em duas categorias diferentes - ela segue como campeão do peso pena feminino.
Ex-lutadora do UFC e atualmente analista da ESPN, Megan Anderson, que enfrentou Amanda pelo título do peso pena em março de 2021, projeta como será o evento deste sábado.
Como chegamos até aqui
A primeira luta entre estas duas mulheres foi uma montanha russa. Depois de controlar Peña durante a segunda metade do primeiro round, Nunes esteve lenta no segundo assalto e foi submetida a um estrangulamento. Porém, tem mais nesta história.
Entrando na luta, as duas últimas defesas de cinturão de Amanda foram contra Felicia Spencer, em 2020, pelo peso pena, e contra mim, em 2021.
Isso é importante porque Nunes é grande para a divisão do peso galo feminino. Portanto, reduzir o peso para batê-lo no pena provavelmente é uma tarefa mais fácil para ela. Creio que seu corpo poderia estar acostumado a não ter que perder estes 4,5kg extras para bater o galo. Estes 4,5kgs marcam uma grande diferença que pode afetar seu desempenho no octógono.
Quando fiquei sabendo da minha luta contra Holly Holm em 2018, tinha 11 semanas para me preparar. No momento, pesava 80kg e tive que baixar para 65kg. Até a semana da luta, só consegui perder 5kg, o que significava que na semana eu teria que perder 8kg. É similar ao que Amanda tem que fazer para lutar no galo.
Cortar muito peso em um período curto de tempo pode fazer com seu corpo se sobrecarregue e afete o cardio e a hidratação. Isso pode refletir no seu desempenho dentro do octógono. Se o lutador não se recuperar adequadamente, também pode ser muito afetado por golpes que não te causariam dano normalmente.
Sabendo disto, esta luta me dá as mesmas sensações para as duas lutas entre Rose Namajunas e Joanna Jedrzejczyk. Na primeira luta, Joanna parecia lenta e foi nocauteada na metade do 1º assalto. Antes da revanche, ela falou sobre como um corte brusco para bater o peso a levou a se sentir mal durante a luta. Quando teve um corte mais tranquilo para a revanche, teve um desempenho muito melhor e a luta foi até o último round. Sinto que poderíamos ver algo similar de Amanda aqui.
Além de ter que reduzir o peso pela primeira vez em 2 anos, Nunes também testou positivo para COVID-19 durante a preparação da primeira luta.
Em uma encarada durante o The Ultimate Fighter, Amanda garantiu: "Estarei 100% desta vez".
Peña voltará a surpreender o mundo?
Espero que Peña entre com um plano de luta similar ao que vimos no primeiro encontro. Creio que ela voltará a forçar o grappling. A luta livre, entre golpes e agarrões, pode funcionar a favor de Peña. Poderia estar constantemente lutando e fazendo com que Amanda carregue seu peso. Fazer com que Nunes tenha que levantar após ser derrubada pode permitir que Peña canse a brasileira.
A melhor maneira de descrever o estilo de luta de Peña é que ela não para. Está constantemente grudada em você e não deixará de caminhar para frente. Ela fez isso muito bem na primeira luta e capitalizou nos erros de Amanda.
Como striker, o jogo de Peña ainda está se desenvolvendo para seu estilo. Ela usa os golpes como ferramenta para preparar a queda. Não é o melhor da divisão, mas funciona na maioria das lutas. A estratégia, porém, não funcionou contra Valentina Shevchenko e Germaine de Randamie, suas duas derrotas desde que estreou no UFC.
Peña é muito boa mantendo o controle estando por cima. Não dá espaço para suas oponentes voltarem a levantar ou trocarem de posição. Tem muita técnica no chão.
Quando está com as costas no chão, Peña se mantém muito serena. Toma decisões inteligentes durante a luta que são importantes, demonstrando sua experiência. Julianna pode não ter tanto tempo de octógono como Amanda, mas está lutando desde a mesma época. Peña começou a treinar MMA em 2008 e estreou em 2009.
Amanda precisa calar os críticos
Prepare-se para ver uma versão diferente de Amanda Nunes neste sábado. Além de estar mais saudável para a luta, ela mudou seu treinamento e seu camp. Amanda já não luta mais na American Top Team e abriu um ginásio privado para trabalhar com alguns de seus antigos treinadores e companheiros de treinamento. Creio que este tipo de mudança pode ser benéfico.
Se Amanda lutar 100%, ela tem vantagem como striker diante de Peña.
Quando lutei com Nunes, uma coisa que minha equipe e eu nos preparamos foi um soco de direita por cima que ela adora soltar. Terminou me acertando, mesmo eu sabendo que vinha. Ao invés de mandá-lo de um ângulo mais tradicional, o dela é mais vertical. Se acerta, pega embaixo da orelha e deixa seu corpo todo mole. Percebi que Amanda não tentou este golpe na primeira luta. Acho que ela deve incluí-lo para a revanche.
Como vimos na luta contra Shevchenko, Nunes demonstrou a capacidade de contra-atacar. Se move bem e está disposta a ser paciente e escolher seus golpes.
Com sua combinação de habilidades, não deve haver um lugar em que Amanda tenha uma desvantagem na luta.
O que pode mudar a luta?
Fiquemos atentos ao cardio destas duas lutadores a medida que a luta segue. Creio que esta luta chegará nos rounds de luta de cinturão (4º e 5º) e isso traz algumas perguntas.
Um questionamento que sempre foi feito sobre Amanda é seu condicionamento, apesar de ter ido até a decisão em 4 de suas 10 lutas de cinturão.
Nunca vimos Peña ir até o 4º round. Não sabemos como ela aguentará se a luta chegar até lá porque tem que manter o ritmo caso queira ganhar. Mantê-lo será muito exigente para ela, mas creio que quanto mais longe a luta for, mais vantagem para Peña.
Quem tem a vantagem?
Há muito em jogo para ambas. Para Amanda, a necessidade de demonstrar que a luta anterior foi uma casualidade. Peña quer mostrar que não.
Acredito que Nunes tenha uma vantagem. Se ela caminhar ao octógono 100%, não deverá haver algo que ela esteja em desvantagem. Mas Peña está implacável. Ela virá para lutar, não irá andar para trás e empurrará Nunes cada segundo. Tudo pode acontecer.
