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UFC 254: Khabib luta 'sozinho' pela 1ª vez e tenta defender 'Os Planos do Pai'

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Khabib crê que Dana tentará luta contra Georges St. Pierre e esclarece informações sobre aposentadoria 'como o Mayweather do MMA' (2:22)

Nurmagomedov concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre possibilidade de aposentadoria (2:22)

Pela primeira vez na vida, um dos maiores treinadores de MMA do mundo viaja sem saber o que vai encontrar. Javier Mendez é técnico principal de Khabib Nurmagomedov desde 2012 e acompanhou o russo de perto em sua conquista do mundo – com oito vitórias seguidas e o cinturão vindo dessa parceria.

Mas desta vez tudo será diferente. E eles nem discutiram o ponto mais importante de todos: como tudo será sem Abdulmanap Nurmagomedov, pai de Khabib, que morreu em julho por complicações devido ao coronavírus?

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“Eu não sabia mesmo o que esperar. Eu achava que já havia tido tempo suficiente para o luto pela morte do pai e que nós daríamos um forte abraço quando nos encontrássemos, e a vida seguiria a partir daí. Mas eu realmente não sabia o que ia acontecer”, diz Mendez.

“Só que isso foi exatamente o que aconteceu. Nos abraçamos e não falamos sobre nada. Foi isso: ‘Vamos lá, vamos começar’”, completa.

Abdulmanap não era “apenas” o pai de Khabib. Ele era o mentor do filho no mundo das lutas, o maior responsável pelo incrível cartel invicto de 28 vitórias em 28 lutas.

“A relação entre os dois era uma coisa que eu nunca vi na vida. Me fazia pensar: ‘Pô, essa é a relação que eu preciso ter com os meus filhos”, conta o empresário Ali Abdelaziz.

Khabib lidou com a morte do pai de uma maneira muito privada. Abdelaziz conta, por exemplo, que ficou sem falar com o cliente e amigo por cinco dias depois da morte do pai – eles se falam diariamente, mais de uma vez por dia.

“Eu dei espaço a ele”, diz Ali.

Khabib não fez nenhum comentário público sobre a morte do pai por muito tempo, não postou nada nas redes sociais por semanas. Quando reapareceu, fez um tributo a Abdulmanap, terminando com uma frase das escrituras islâmicas.

Uma semana depois, Khabib postou uma foto dizendo que os treinos continuavam. A luta contra Justin Gaethje foi anunciada pouco depois naquele dia.

“Eu nunca falei com ele sobre lutar nesse período. E nem o UFC. Ele entendeu que isso era algo que ele tinha que fazer. Que tem um nome a zelar e que seu legado está entrelaçado ao legado do pai. Um dia ele me ligou e disse: ‘Eu quero lutar’. E foi assim!”, conta Abdelaziz.

O próprio Khabib, porém, não sabe como vai ser lutar sem o pai. Na verdade, ele se acostumou a fazer isso porque Abdulmanap não podia entrar nos Estados Unidos. Mas ele sempre estava lá, em casa, assistindo. E na última luta, há pouco mais de um ano, Abdulmanap estava finalmente ao lado do filho, já que ele conseguiu defender o cinturão em Abu Dhabi.

“É o ano mais difícil da minha vida. Quem sabe como eu vou me sentir dentro do octógono. Fisicamente, eu estou ótimo. Mentalmente, eu estou ótimo. Mas vai ser a primeira vez que eu tenho que lidar com essa situação complicada indo para o octógono. Ninguém sabe, mas a minha parte mental e física está muito bem”, admite Khabib.

Mas uma coisa é certa: o russo vai seguir o que Javier Mendez define como “Os Planos do Pai”. É exatamente tudo que Abdulmanap pensava sobre como o filho deveria lutar: no chão.

“Ele era o cara que tomava todas as decisões, sim. Muitas coisas mudaram, mas eu tenho irmãos mais velhos, tenho o Javier. Mesmo sem o meu pai, eu tenho o sistema dele comigo, na minha mente. Não esquecemos nada. Sempre será o “Os Planos do Pai”. Como o Jav diz, siga “Os Planos do Pai”, diz Khabib.

“É muito simples, é preto no branco: Khabib provavelmente é o melhor lutador de chão da história. Não dá para comparar o tempo que ele treinou a luta em pé comigo com o tempo que ele treinou no chão com o pai. E uma das únicas coisas que realmente falamos agora é sobre ele seguir “Os Planos do Pai”. 95% do que ele sabe, ele aprendeu do pai”, conta Mendez.

Mas esses não são os únicos “Planos do Pai” que Khabib vai seguir. Ele já está seguindo outros, até muito mais importantes.

“Khabib assumiu o lugar do pai na liderança do time. Todo dia, ele comanda o time no tatame, como o pai fazia. Todos se alinham e ele conversa com todos, segue a rotina. Exatamente como o pai fazia, Khabib faz agora”, conta Mendez.

“(Meu pai) Pegou caras jovens, tipo sete lutadores, quando eram muito jovens, e os tornou lutadores do UFC. Quando os alunos do meu pai chegaram, eles tinham 9 ou 10 anos. Eles nunca tinham treinado nada, e o Father os tornou lutadores do UFC. Um campeão do UFC, alguns contenders. Ele fez muitos campeões mundiais, muitos grandes atletas, muitas pessoas. Eu acho que ele tem um legado muito grande no MMA”, diz o próprio Khabib.

“Ele era meu pai, meu amigo, meu técnico. Ele era tudo. Agora, o que eu posso fazer? Ninguém pode fazer nada e temos que seguir em frente”, completa.

O último “Plano do Pai” seria sobre o futuro. Abdulmanap tinha o sonho de ver o filho se aposentar no auge, com 30 vitórias em 30 lutas, um cartel invicto. E com uma luta final contra Georges St-Pierre, um dos maiores lutadores da história.

Este, Khabib ainda não confirma. No melhor estilo do pai, de mostrar respeito pelos adversários e não querer falar sobre algo tão a frente do tempo.

“Honestamente, eu não sei. Vai ser ótimo ficar 30-0, campeão indiscutível e invicto peso leve do UFC. Eu amo isso. Acho que muitas pessoas que torcem para mim querem ver esse 30-0. É como o Mayweather do MMA. É muito interessante, mas agora estou focado no Justin Gaethje”, diz.